12 de novembro: Dia Nacional de Luta Contra o Fator Previdenciário

Na manhã desta terça-feira, 12, diretores do Sindicato dos Bancários/ES foram às ruas na luta pelo Dia Nacional de Mobilização pelo Fim do Fator Previdenciário. Foram percorridas várias agências do Centro de Vitória, com objetivo de dialogar com bancários e clientes sobre os prejuízos dessa prática, denunciando que, a cada ano, além de sofrer com […]

Na manhã desta terça-feira, 12, diretores do Sindicato dos Bancários/ES foram às ruas na luta pelo Dia Nacional de Mobilização pelo Fim do Fator Previdenciário. Foram percorridas várias agências do Centro de Vitória, com objetivo de dialogar com bancários e clientes sobre os prejuízos dessa prática, denunciando que, a cada ano, além de sofrer com as perdas e injustiças no trabalho, o trabalhador vê mais distante a possibilidade de uma aposentadoria digna.

 

O coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), defende que “não é justo que o trabalhador não consiga colher os frutos de uma vida inteira de trabalho, e é isso que está acontecendo no Brasil. Vivemos num modelo neoliberal que só visa o lucro e nada faz para proteger a classe operária. Quem lucra com o Fator Previdenciário são os banqueiros, as grandes empresas. E o Governo, ao invés de agir, usa dessa exploração para cobrir gastos com os juros da dívida”.

O vigilante Alécio Antônio, 35, que acompanhou o ato na agência do Banestes, na Praça Oito, admite ver cada vez mais distante a hora da aposentadoria. “Bate um desânimo, afinal, a gente trabalha, contribui a vida toda e não consegue enxergar um retorno. Até a aposentadoria, que deveria ser um momento de descanso, está sendo afastada de nós”, comenta. A vendedora Vanessa Santos, 31, tem a mesma sensação. “Do jeito como as coisas estão indo, acho que vou passar dos 70 anos trabalhando, porque planejar a aposentadoria está cada vez mais distante”.

O Sindicato dos Bancários/ES foi apenas uma das categorias envolvidas nessa luta. Atos semelhantes acontecem hoje em todo país, com o mesmo objetivo, o de colocar fim a mais esse abuso contra o trabalhador. “Somos contra o fator previdenciário ou qualquer outro tipo de redutor de direitos”, reforça Carlão.

O que é o Fator Previdenciário?

O Fator Previdenciário leva em conta a idade do trabalhador, o tempo de contribuição e a expectativa de vida. Quanto menor a idade da pessoa ao se aposentar, menor será o valor do benefício. Isso prejudica diretamente os trabalhadores que começaram sua atividade profissional cedo, na maioria dos casos, jovens de baixa renda.

A fórmula foi criada no governo de Fernando Henrique Cardoso e continuou sendo aplicada pelos governos de Lula e Dilma. A prática ataca os trabalhadores que amargam perdas salariais de ao menos 40% quando se aposentam.

Já a fórmula 85/95 eleva a idade mínima de aposentadoria. Caso ela seja aprovada, o trabalhador só poderá ganhar a aposentaria integral se a soma da idade e do tempo de contribuição resultar em 85 anos para as mulheres e em 95 para os homens. O tempo mínimo de contribuição, que é de 30 anos para mulheres e 35 para homens, será mantido.

Dia de luta também cobra correção da tabela de Imposto de Renda

O dia de hoje também traz a tona outro problema enfrentado pelo trabalhador brasileiro: a tabela de Imposto de Renda está defasada desde 1995 em mais de 70%. Esta defasagem reduziu o limite de isenção do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), fazendo com que trabalhadores com rendas mais baixas passassem a ser tributados e os descontos de IR sejam altíssimos para todos. Enquanto isso, o governo continua dando isenção para grandes empresas e fechando os olhos à sonegação de grandes empresários.

Carlão explica que, com o índice da tabela sem reajuste, “o trabalhador que conquista aumento salarial nas campanhas salariais tem seu dinheiro corroído pelo imposto, e, na prática, acaba devolvendo o benefício do aumento ao governo. É um absurdo!”.

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