13 de maio: dia da abolição da escravidão no Brasil reforça luta pela igualdade racial

Nesta quarta-feira, 13 de maio, celebram-se os 127 anos da assinatura da Lei Áurea, documento que aboliu – ao menos no papel – a escravidão no Brasil. Mais do que uma comemoração, a data sugere uma reflexão sobre a prática do racismo no país e sobre os desafios enfrentados pela população negra na atualidade. As […]

Nesta quarta-feira, 13 de maio, celebram-se os 127 anos da assinatura da Lei Áurea, documento que aboliu – ao menos no papel – a escravidão no Brasil. Mais do que uma comemoração, a data sugere uma reflexão sobre a prática do racismo no país e sobre os desafios enfrentados pela população negra na atualidade.

As conseqüências da subordinação política e econômica no período escravista e, sobretudo, da ausência de políticas públicas direcionadas à população negra após esse período, podem ser percebidas em vários indicadores sociais. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2013, 22% da população branca têm ensino médio completo, enquanto o percentual de negros se limita a 10%. A desigualdade também existe na média salarial. Brancos ganham em média R$ 1.600,00, quase 700 reais a mais que o salário médio dos negros, que é de R$ 921.

Extermínio

De acordo com o Mapa da Violência 2014 – os jovens no Brasil, a principal causa de morte de jovens de 15 a 29 anos no país são homicídios, que atingem majoritariamente os jovens negros do sexo masculino, moradores das periferias e dos centros urbanos. No Espírito Santo, só em 2012 foram assassinados 981 jovens, dos quais 892 eram negros – um percentual de 90,2%.  

Entre os jovens negros, a taxa de mortes violentas se iguala ao índice de uma guerra civil, 155 a cada grupo de 100 mil habitantes. Enquanto isso, a taxa de homicídios de jovens brancos foi de 23,6 a cada 100 mil habitantes, de acordo com o estudo.  

Os dados vêm sendo denunciados sistematicamente pelo movimento negro como uma forma de extermínio, que revela como, ainda hoje, a população negra é vitimada pela violência e pela omissão do Estado.

Racismo nos bancos

O racismo também está presente no sistema financeiro. De acordo com o Mapa da Diversidade, pesquisa respondida por 204.794 bancários de todo o Brasil em 2009, apenas 19,5% dos trabalhadores do sistema financeiro são negros ou pardos, que ganham, em média, 84,1% do salário dos brancos. A discriminação é ainda maior em relação às mulheres negras: somente 8% delas conseguem emprego nos bancos.

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