28 de feveiro é Dia de Combate e Prevenção à Ler/Dort. Bancários estão entre os que mais sofrem com a doença

O mês de fevereiro se encerra com o Dia Mundial de Combate e Prevenção à Ler/Dort, ou seja, Lesão por Esforço Repetitivo. Essa doença, que está ligada ao trabalho e está muito presente na categoria bancária, é causada por movimentos repetitivos, além da má postura, que pode ter como um de seus motivos a falta […]

O mês de fevereiro se encerra com o Dia Mundial de Combate e Prevenção à Ler/Dort, ou seja, Lesão por Esforço Repetitivo. Essa doença, que está ligada ao trabalho e está muito presente na categoria bancária, é causada por movimentos repetitivos, além da má postura, que pode ter como um de seus motivos a falta de equipamentos não ergonômicos, por exemplo, sem apoio para punho e pés.

No Brasil, foram concedidos pelo INSS, em 2013, 76.400 benefícios de auxílio-doença acidentário em função das LER/Dort, o que corresponde a quase um terço dos 304 mil afastamentos de trabalhadores por acidente ou doenças do trabalho no ano passado.

A categoria bancária está entre as mais afetadas. Entre 2000 e 2005, foram pagos R$ 981,4 milhões em auxílio-doença a 25 mil bancários afastados do trabalho por Ler/Dort, segundo Juliana Scopel, Fernando César Wehrmeister e Paulo Antonio Barros Oliveira, autor do artigo “Ler/Dort na terceira década da reestruturação bancária: novos fatores associados?”.

Ainda de acordo com os autores, a média de afastamento dos trabalhadores foi de um ano e meio, o que corresponde a 14,9 milhões de dias sem trabalhar. Além disso, calcula-se que 520 bancários foram afastados por Ler/Dort para cada grupo de trabalhadores entre 2000 e 2004.

“Essa situação é reflexo das péssimas condições de trabalho nas agências bancárias. Além de equipamentos de trabalho inadequados, os bancários são submetidos a uma extensa jornada de trabalho, na qual eles têm que fazer muitas horas extras sem tempo para descanso, pois a demanda é enorme e o número de funcionários para atendê-la é insuficiente”, afirma a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Maristela Correa. 

LER/Dort e as bancárias 

A Universidade Federal do Rio Grande do SUL (UFRGS) acompanhou o trabalho de 356 funcionários, de 27 agências de Porto Alegre, entre bancos públicos e privados. O objetivo foi identificar como as sucessivas inovações nos processos de trabalho, estabelecidos pelos bancos, refletem nas ocorrências de doenças ocupacionais. O estudo publicado na Revista Saúde Pública, em 2012, revela que 27,5% dos bancários apresentaram casos sugestivos de LER/Dort.

As mulheres, em geral, foram as mais atingidas pelas lesões, representando 35% da amostra pesquisada, enquanto os homens somaram 21,5%. Em relação à idade, os bancários entre 26 e 45 anos apresentaram 2,8 vezes mais os sintomas do que quando comparados com os outros trabalhadores. O estudo da UFRGS também aponta que, quanto mais tempo na função, maiores as chances de desenvolver LER/Dort.

Crescimento da doença

Na comparação com décadas anteriores, em que as lesões e distúrbios estavam mais concentrados nas funções de caixa e escriturário, a pesquisa da UFRGS mostra que o problema atinge todos os setores atualmente.

“O controle do tempo de atendimento, o reduzido número de bancários e a ampliação dos serviços aumentam a pressão sobre o bancário, que ao se esforçar para ser ágil acaba sofrendo lesões. Hoje, o que temos são bancários que adoecem cada vez mais cedo”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Maristela.

Fonte: Com informações da Contraf

Imprima
Imprimir