28 de Junho: orgulho LGBTI deve unir alegria e resistência da comunidade

Ações em torno do Dia do Orgulho LGBTI precisam ganhar as ruas com a mesma alegria expressa nas paradas e festas. Bancários têm o desafio mobilizar a luta nos bancos

No domingo do último dia 12, quando acordamos atordoados pela notícia de que um atirador havia disparado contra a pista de dança de uma boate LGBTI (Lésbicas, Gays, Trans e Intersexuais) em Orlando, nos Estados Unidos, ficamos mais fortes pelo mesmo sentimento que nos une a cada caso de violência computado, a cada experiência traumática compartilhada com amigos e parceiros em mesas de bar: não vão nos derrotar, ainda que as violências e baixas cotidianas sejam sentidas em cada um de nós.

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Um sentir na pele une as comunidades mundial no 28 de junho, Dia do Orgulho LGBTI. A data que marca o início da Revolta de Stonewall, também nos EUA, quando os frequentadores e frequentadoras do bar Stonewall Inn, no Village novaiorquino, contra a violência policial cometida simplesmente por estarem reunidos, festejando com alegria a presença do outro, a auto aceitação e o carinho explícito, o desejo sem medos.

O dia do Orgulho LGBTI trata da pele exposta à luz do sol ou ainda sob a incidência de um globo espelhado numa boate, dançando, em luta. É um dia afirmativo, que nos mobiliza e nos leva a encontrar os amigos, seja nas ruas, em paradas ou protestos, seja numa pista de dança, para dizer sim ao modo de viver que cada LGBTI criou para si.

Se a pista de dança marca a ação LGBTI pelo estar junto, nos empodera, a luta na rua precisa ser pensada como uma extensão dela, um espaço de alegria quando reivindicamos nossos direitos e afirmamos nossas vidas. Principalmente quando as violências avançam por todos os lados sobre nossa comunidade, especialmente a negra e a periférica no Espírito Santo.

Os investimentos contra a população LGBTI no Estado ganham eco com a escalada do conservadorismo na política institucional, visto as ações e discursos fascistas de Jair Bolsonoro e Marcos Feliciano na Câmara Federal e, ainda, na esfera local, do obscurantismo representado pela presença e projetos do vereador Davi Esmael na Câmara de Vitória. Um obscurantismo que é refletido todos os dias no abandono de políticas voltadas à comunidade no âmbito do país, estado e município e com a crescente escalada de discursos de ódio nas redes sociais e dos números referentes à violência sofrida por lésbicas, gays, bissexuais, travestis, trans e intersexuais todos os dias em casa, nas ruas e ainda no trabalho.

Os bancários sofrem na pele o preconceito. Não são raros os relatos de assédio por parte de chefes com bancários e bancárias LGBTI. Muitos relatam também dificuldade de escalar promoções devido à afirmação de sua sexualidade. É uma panorama que precisa ser denunciado pela categoria e combatido diariamente pelo movimento sindical com ações específicas e políticas desenvolvidas especialmente para essa luta.

O Sindicato dos Bancários do Espírito Santo criou, em dezembro de 2015, o Coletivo LGBT justamente para colocar a pauta minoritária em discussão na categoria capixaba e articular tais políticas. Nos próximos meses, o Coletivo deve pautar eventos para integrar os bancários e pensar tais políticas.

“Precisamos fortalecer as formas de luta da comunidade e inventar outras também. Nosso maior desafio nesse momento é articular, de forma criativa, nosso movimento. Vamos criar espaços para isso”, avalia Evelyn Flores, diretora do Sindicato e coordenadora do Coletivo.

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