2º Congresso da Intersindical debate democracia, direitos e soberania

Veja os principais debates e a cobertura do Congresso, que pautou os desafios da classe trabalhadora frente ao avanço do conservadorismo no país

Aconteceu entre os dias 15 e 17 de março, em São Paulo, o II Congresso da Intersindical, central a qual o Sindibancários/ES é filiado. O Sindicato acompanhou o evento com uma delegação de 16 pessoas.

A abertura do Congresso foi antecedida pelo II encontro das mulheres da Intersindical, que passaram a sexta-feira, 15, debatendo o processo de retirada de direitos no Brasil e seus impactos para as mulheres, e também os desafios de organizar as mulheres trabalhadoras para a luta feminista e anticapitalista.

No segundo dia do evento o líder do MTST, Guilherme Boulos, falou sobre a eleição de Bolsonaro e destacou três pontos que considera essenciais para a luta da classe trabalhadora hoje. O primeiro deles é a unidade para aquecer a participação popular na luta contra o desmonte da Previdência e Seguridade Social. Em seguida, apontar para um projeto de poder que venha debaixo, construído democraticamente pelo povo “pois não adianta desconstruir Bolsonaro sem apontar um caminho”. E por fim, combater a MP 873/19, que caracterizou como um ataque à liberdade sindical.

O encontro também debateu a experiência do regime de capitalização do Chile, com participação do coordenador da Federação Sindical Mundial – Chile Christian Zambrano. O chileno assegurou que o plano de Bolsonaro, de privatizar a Previdência, é “muito similar ao da ditadura militar do Chile”, no qual “os trabalhadores botam a grana e as multinacionais levam os lucros”.

Resoluções

O Congresso votou uma série de resoluções que demarcam a posição da Central e dos sindicais filiados em relação ao cenário político, econômico e social do país e do mundo.

Em relação à conjuntura nacional, o texto reafirma a ofensiva da extrema direita, que se manifesta no ataque aos direitos sociais, como a contrarreforma da previdência social; no aprofundamento da dependência econômica; na dilapidação dos recursos naturais; na precarização dos serviços públicos, em especial de saúde e educação; na regressão dos direitos humanos e na crescente criminalização dos movimentos sociais e das representações das classes trabalhadoras. O documento também aponta para o desafio de unidade da classe trabalhadora, da cidade e do campo, na construção de um bloco popular contra-hegemônico, capaz de projetar uma nova sociedade fundada na justiça social, no controle social sobre o capital e na edificação da sociedade socialista.

Também foi aprovada resolução contra o fim da aposentadoria, segundo a qual a proposta de reforma do governo Bolsonaro, formulada pelo ultraliberal Paulo Guedes, é o mais violento ataque ao direito civilizatório de previdência e de assistência conquistado pelos trabalhadores. Impedir a aprovação da PEC 006, nesse sentido, é o central para a luta dos trabalhadores.

A resolução de balanço da Intersindical foi a única que não foi aprovada por consenso, indo à votação. A delegação do espírito Santo apresentou um texto diferente do que foi aprovado. Veja outras resoluções:

Resolução em Defesa do SUS

Resolução sobre Financiamento Sindical

Resolução contra a agressão imperialista à Venezuela

Resolução sobre os Povos do Campo

Nova direção

Foi eleita  a nova direção da Intersindical, de composição unitária, ou seja, com chapa única. São 47 membros, sendo dois capixabas. A diretora do Sindibancários/ES Rita Lima vai ocupar a pasta de Combate às opressões (gênero, raça e orientação sexual) e o diretor Idelmar Casagrande, que já integrava a direção da intersindical, permanece na diretoria.

A diretora Rita Lima destaca que, pela primeira vez, a direção da Intersindical foi composta respeitando a paridade de gênero. “As mulheres, aliás, tiveram participação destacada durante todo o Congresso”, diz.

Imprima
Imprimir