Bancários aprovam minuta da Campanha Nacional 2018. Veja as principais reivindicações

Aumento real, defesa da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), manutenção da mesa única de negociação e dos empregos estão entre as reivindicações. Pauta será votada em assembleia nesta terça, 12, e entregue à Fenaban na quarta-feira.

Fotos: Nando Neves

Bancários e bancárias aprovaram a minuta de reivindicações e eixos prioritários para a Campanha Nacional 2018. Aumento real para os salários e demais verbas, defesa da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) com preservação dos direitos já conquistados, manutenção da mesa única de negociação e dos empregos e proibição das demissões em massa estão entre as principais reivindicações.

A pauta foi definida na 20ª Conferência Nacional da categoria, realizada de 8 a 10 de junho, em São Paulo. O evento reuniu 627 delegados e delegadas de todo o Brasil.

O Comando Nacional dos Bancários entregará a minuta à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na quarta-feira, 13, junto com um pré-acordo que busca garantir a manutenção de todos os direitos da CCT e dos acordos específicos até a definição das negociações deste ano.

Assembleia

O texto da minuta vai à votação em assembleia geral dos bancários capixabas nesta terça-feira, 12, às 18h30, no Centro Sindical (rua Dom Bosco, 125 – Ilha de Santa Maria – Vitória).

Essa será a primeira Campanha Nacional após a aprovação da reforma trabalhista, o que impõe aos bancários a antecipação do calendário de negociações para garantir que o novo acordo seja selado até 31 de agosto de 2018, data de validade do acordo atual, que teve duração de dois anos.

Novas cláusulas

A centralidade da Campanha Nacional 2018 será proteger a categoria das implicações da reforma trabalhista, por isso, novas cláusulas foram adicionadas à minuta.

Uma delas busca determinar que contratos de trabalho intermitente, parcial, autônomo e terceirizado só possam ocorrer se acordado com o Comando Nacional dos Bancários. O mesmo em relação à contratação de banco de horas ou compensação, que deverá ser feita via negociação coletiva.

Outra cláusula cobrará que as homologações continuem sendo realizadas nos sindicatos como forma proteção aos direitos dos bancários. Esse é a única maneira de assegurar aos trabalhadores o recebimento correto das verbas rescisórias.

Os bancários também querem garantir que CCT e acordos específicos abarquem todos os bancários, inclusive os que recebem remuneração acima de duas vezes o teto de benefícios do INSS (correspondente a R$ 11.291) que, segundo a nova legislação, poderiam negociar direto com os patrões, ficando sujeitos às pressões patronais e correndo o risco de perder direitos.

Índice  

O índice de reajuste salarial aprovado foi o de 5% mais inflação do período. O Sindibancários/ES defendeu índice de 15% mais inflação, aprovado na Conferência Estadual da categoria, mas a maioria cutista deliberou pelo índice menor.

“Os 15% dizem respeito a média da rentabilidade dos bancos. Em 2017, os cinco maiores bancos do Brasil (BB, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander) lucraram R$ 77,4 bilhões, uma alta de 33,5% em relação ao ano anterior. Foram os bancários e as bancárias que construíram esse resultado, e nada mais correto que isso seja expresso no reajuste salarial. Infelizmente a maioria foi pautada pelo que consideram mais viável, e não pelo que seria mais justo”, critica Carlos Pereira de Araújo, Carlão, diretor do Sindibancários/ES.

Eixos políticos

A Conferência também definiu como eixos estratégicos da Campanha Nacional a defesa dos bancos públicos e das demais estatais, como Petrobras e Eletrobras, além da estatização do sistema financeiro. Foram aprovadas resoluções em defesa da democracia e da soberania nacional, pela liberdade de Lula, considerado preso político, e pelo direito de Lula ser candidato.

A conferência debateu ainda a importância das eleições 2018 para a classe trabalhadora e orientou voto em candidatos comprometidos com a revogação da reforma trabalhista, da Emenda Constitucional 95, que congela os investimentos em gastos sociais por 20 anos, com a defesa dos bancos e das empresas públicas e com a Previdência Social.

“Precisamos denunciar os parlamentares e partidos que se aliaram ao governo golpista para aprovar essas reformas e outras medidas nefastas para a população brasileira. Nessas eleições, será fundamental votar em candidatos que tenham uma plataforma alinhada com os interesses da nossa classe, isso vale para senadores, deputados ou presidente”, diz Carlão.

Calendário unificado

Os bancários também aprovaram a participação no Dia Nacional de Luta convocado pelas centrais sindicais para 10 de agosto. Será o “dia do basta ao desemprego e ao desmonte do Brasil”, quando devem acontecer mobilizações em todos os estados contra os retrocessos sociais enfrentados por trabalhadoras e trabalhadores brasileiros.

Contribuição negocial

 A Conferência também aprovou inclusão na pauta de uma nova contribuição negocial a ser descontada pelos bancos para todos os bancários. A proposta é criar um novo mecanismo de participação dos trabalhadores na sustentabilidade dos sindicatos, federações, confederação e centrais sindicais. O modelo da contribuição e a forma de distribuição serão debatidos pelo Comando Nacional e submetidos a aprovação da categoria por meio de assembleias.

“São os bancários e as bancárias que financiam as suas lutas e entidades sindicais. Nossa categoria está diminuindo drasticamente com a inovação tecnológica e as demissões promovidas após a reforma trabalhista. É necessário repensar a nossa sustentação para fortalecer de forma autônoma a atuação do Sindicato e a proteção aos nossos direitos”, diz Jonas Freire, coordenador geral do Sindibancários/ES.

Com informações da Contraf

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