Abertura da Conferência Estadual reafirma: é hora de perder a paciência

Mesa trouxe reflexões sobre o contexto de avanço do neoliberalismo, de ataques severos aos direitos dos trabalhadores e de aumento do autoritarismo, que desafiam a classe trabalhadora a buscar saídas que consigam suplantar a ordem social estabelecida

“As pessoas comerão três vezes ao dia
E passearão de mãos dadas ao entardecer
A vida será livre e não a concorrência
Quando os trabalhadores perderem a paciência”

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O poema de Mauro Iasi serviu de inspiração para o tema da Conferência Estadual dos Bancários e das Bancárias e deu o tom da abertura solene do evento na noite desta sexta-feira, 20, no hotel Praia Sol, em Nova Almeida, na Serra.

A mesa trouxe reflexões sobre o contexto de avanço do neoliberalismo, de ataques severos aos direitos dos trabalhadores e de aumento do autoritarismo, que desafiam a classe trabalhadora a buscar saídas que consigam suplantar a ordem social estabelecida.

“Estamos vivendo um dos momentos mais difíceis da nossa história. Não há perspectiva de emancipação humana se não perdermos a paciência e rompermos com o sistema capitalista. A classe trabalhadora precisa ser protagonista de um novo projeto de sociedade no Brasil e no mundo, um projeto da classe trabalhadora”, disse o diretor do Sindibancários/ES e representante da Intersindical, Carlos Pereira de Araújo, Carlão.

A mesa de abertura também foi um ato simbólico de defesa das estatais e dos serviços públicos, tema que foi lembrado pelo representante da CSP-Conlutas, Filipe Skiter, que também falou do acirramento das lutas sociais e da importância de fortalecê-las.

“Falar em estatais e dos serviços públicos tem tudo a ver com os enfrentamentos que a classe vem fazendo, de defesa dos direitos sociais. Apesar da conjuntura difícil, não é verdade dizer que vivemos um momento de retrocesso das lutas, pelo contrário. Fizemos em 2017 uma das maiores greves da história, uma grande marcha a Brasília, vários dias de paralisação nacional contra a reforma da Previdência e trabalhista. A própria resistência negra e das mulheres, que estão em evidência, são resultado do acirramento das lutas sociais, e é importante fortalecer essa organização da classe, e não apenas canalizar essa força para o processo eleitoral, com defendem alguns grupos”, destacou Felipe.

O coordenador geral do Sindibancários/ES, Jonas Freire, salientou a importância da Campanha Nacional da categoria e as dificuldades a serem enfrentadas pelos bancários. “Somos a única categoria com uma convenção coletiva nacional. Mesmo com o grau de adoecimento e o estresse da profissão, temos uma série de direitos garantidos, como piso nacional, uma jornada de seis horas, fazemos uma greve unificada, e é por isso que querem nos esfacelar, porque presentamos o que existe de resistência entre as categorias organizadas”.

Jonas também deixou uma mensagem de convite e de alerta aos bancários e às bancárias. “Precisamos nos tornar imprescindíveis para a luta, para finalmente nos libertar de todas as misérias que a gente vive. Construir nossa poesia, nossa literatura, nossa riqueza, nossa vida, que hoje são expropriados da gente. Temos que resistir, fazer uma greve diferente. Talvez toda essa dificuldade faça a categoria arregaçar as mangas e ir à luta”, concluiu.

Também participaram da mesa de abertura a representante da Fetraf RJ/ES Rita Mota, a presidente da Banespar, Maria José Marcondes Pimenta, o diretor do Sindibancários Thiago Duda, que representou os bancários de bancos públicos, e o também diretor do Sindicato Vinícius Moreira, que representou a APCEF/ES.

Veja a íntegra do poema que inspirou o tema da Conferência:

Quando os trabalhadores perderem a paciência

(Mauro Iasi)

As pessoas comerão três vezes ao dia
E passearão de mãos dadas ao entardecer
A vida será livre e não a concorrência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Certas pessoas perderão seus cargos e empregos
O trabalho deixará de ser um meio de vida
As pessoas poderão fazer coisas de maior pertinência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

O mundo não terá fronteiras
Nem estados, nem militares para proteger estados
Nem estados para proteger militares prepotências
Quando os trabalhadores perderem a paciência

A pele será carícia e o corpo delícia
E os namorados farão amor não mercantil
Enquanto é a fome que vai virar indecência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Quando os trabalhadores perderem a paciência
Não terá governo nem direito sem justiça
Nem juizes, nem doutores em sapiência
Nem padres, nem excelências

Uma fruta será fruta, sem valor e sem troca
Sem que o humano se oculte na aparência
A necessidade e o desejo serão o termo de equivalência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Quando os trabalhadores perderem a paciência
Depois de dez anos sem uso, por pura obscelescência
A filósofa-faxineira passando pelo palácio dirá:
“declaro vaga a presidência”!

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