Ação sindical e combate ao assédio sexual marcam Dia do Bancário e da Bancária

  No dia dedicado à categoria, bancários e bancárias participaram de uma ação sindical na manhã desta quinta-feira, 28, no Pallas Center, em Vitória. Em Campanha Nacional desde o último dia 13, os trabalhadores se mobilizam em busca de novas conquistas e direitos. A comemoração da data também foi marcada pelo lançamento da cartilha de […]

 

No dia dedicado à categoria, bancários e bancárias participaram de uma ação sindical na manhã desta quinta-feira, 28, no Pallas Center, em Vitória. Em Campanha Nacional desde o último dia 13, os trabalhadores se mobilizam em busca de novas conquistas e direitos. A comemoração da data também foi marcada pelo lançamento da cartilha de combate ao assédio sexual, um dos principais temas a serem discutidos na mesa de negociação sobre saúde e condições de trabalho.

“A garantia de um ambiente de trabalho adequado, com respeito aos bancários e bancárias é uma de nossas principais reivindicações. Nas negociações com os banqueiros, vamos deixar claro que não queremos apenas salário, mas sim trabalhar com dignidade. Queremos plano de cargos e salários, piso do Dieese e valorização da nossa categoria”, destacou o diretor do Sindibancários/ES, Jessé Alvarenga.

Assédio Sexual

Importante reivindicação da minuta específica dos banestianos e da minuta nacional da categoria, o combate ao assédio sexual no trabalho foi destaque na comemoração do Dia do Bancário e da Bancária. O problema atinge a centenas de mulheres em todos os bancos, mas, muitas vezes, os casos ficam “escondidos”, por medo da exposição pessoal ou por ameaças de retaliação dos assediadores.

“Ter um ambiente de trabalho saudável, respeitoso para homens e mulheres é uma das nossas principais reivindicações. Temos que garantir essa conquista nesta Campanha Salarial. Convocamos todas as mulheres e homens a lutarem pela construção de um ambiente de trabalho saudável. O Sindibancários/ES está à disposição para receber denúncias de assédio sexual”, destacou a diretora do Sindibancários/ES, Lucimar Barbosa.

O assédio sexual não é uma simples paquera ou jogo de sedução, é uma violência que se dá por meio de uma relação de poder, envolvendo chantagem e humilhação. “É muito importante que as vítimas de assédio sexual denunciem o assediador. Essa violação de direitos são fatores de afastamento e adoecimento de bancárias. Por isso é fundamental discutir essa pauta e mobilizar todos os trabalhadores para o fim dessa violência. Apesar de estarmos em mundo moderno, ainda prevalece essa prática insana de desvalorização da mulher no ambiente de trabalho”, frisou a diretora do Sindibancários/ES. Maristela Correa.

A prática do assédio sexual já levou à demissão de inúmeras mulheres que se opuseram a essa violência. As vítimas também carregam outras marcas, como problemas emocionais, estresse, transtornos de adaptação, baixa auto-estima e perda de motivação profissional. “É importante encorajar as mulheres a não aceitarem essa violação de direitos e denunciarem. A cartilha é uma forma de incentivá-las a fazer isso. Nem todas têm essa força interior de tomar uma posição e ter coragem de denunciar”, disse a bancária do Banestes, Glaúcia Dias. 

“Acho que as pessoas devem se conscientizar sobre o que é local de trabalho. Quem tem ética não comete nenhum tipo de assédio. A cartilha é ótima para divulgar o que é essa prática e como podemos combatê-la. A gente vê que acontece, mas, na maioria das vezes, os mais fracos na hierarquia acabam sendo prejudicados. Há pessoas que são assediadas, têm transtorno, mas têm medo de denunciar. Essa cartilha tem que estar na nossa mesa de trabalho, para fortalecer nossa moral, nossa dignidade e mostrar que estamos instruídos”, frisou Francisca Carreiro, bancária do Banestes há 26 anos.

Francisca também alertou para a necessidade de proteger os trabalhadores terceirizados. “Nos bancos, é preciso garantir também os direitos dos terceirizados. Hoje, a terceirização está crescendo e, por terem vínculo empregatício mais frágil, os terceirizados sofrem mais assédio sexual. Com medo de perderem o emprego, acabam não denunciando”, disse. 

Clique aqui para fazer o download da cartilha de combate ao assédio sexual nos bancos

Denuncie

Denunciar e combater as práticas de assédio sexual e os assediadores é um dever e uma responsabilidade dos bancos. Se você tem conhecimento de algum caso de assédio sexual na sua agência, procure o Sindicato. Vamos juntos lutar para garantir mais essa conquista. 

Origem do Dia do Bancário

No dia 28 de agosto de 1951 teve início uma das mais longas greves da história da categoria. Os bancários cruzaram os braços em forma de protesto durante 69 dias e sofreram forte repressão das autoridades, que prendiam e espancavam os trabalhadores.

Os bancários e bancárias reivindicavam reajuste de 40%, salário mínimo profissional e adicional por tempo de serviço. No Espírito Santo, a categoria aderiu à greve no dia 05 de setembro. A pauta de reivindicações foi parcialmente aceita, mas os dias de resistência dos bancários tiveram um significado especial e a partir do ano seguinte, o dia 28 de agosto passou a ser o Dia do Bancário e da Bancária.

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