Ação Sindical no Itaú marca protesto contra corte de direitos e demissões

Mesmo com alto lucro, banco mantém demissões e já anunciou que não fará homologações no Sindicato. Medidas deixam claro que o Itaú seguirá à risca a nova legislação trabalhista que retira direitos dos trabalhadores

Durante a ação, diretores do Sindicato conversaram com bancários e bancárias sobre os graves impactos da reforma trabalhista (Foto: Fábio Vicentini)

O Sindibancários/ES realiza na manhã desta quinta-feira, 1, mais uma ação sindical no Itaú. Além de manter o alto número de demissões, o banco também está dando o pontapé inicial no corte de direitos após a contrarreforma trabalhista. A ação faz parte de uma mobilização nacional e no Espírito Santo acontece nas agências do Centro, em Vila Velha, Reta da Penha e Beira Mar, em Vitória. Os empregados dessas unidades ficaram reunidos em plenária até às 10 horas para discutir os impactos da reforma trabalhista, período em que não houve expediente interno. O atendimento ao público não foi afetado.

Diretores e diretoras ocuparam a entrada da agência Beira Mar, em Vitória (Foto: Fábio Vicentini)

O Itaú anunciou que deixará de fazer as homologações de demissão no sindicato, deixando o trabalhador sem respaldo do sindicato para a conferência dos valores a serem pagos pelo banco. Essa medida é apenas o começo para várias mudanças prejudiciais aos trabalhadores, sendo a principal delas a substituição de bancários e bancárias por empregados com contratos de trabalho precários, como terceirizados, Pessoa Jurídica (PJ), ou com jornada intermitente.

O alto número de demissões mostra que o Itaú já está se preparando para isso.  Desde março de 2011, o banco fechou 22 mil postos de trabalhos. Entre junho de 2016 e junho de 2017, foram 961 vagas extintas no banco. As demissões seguem em alta, apesar do lucro bilionário do banco a cada ano. O Itaú possui ativo total na ordem de R$ 1,45 trilhão e um lucro líquido de R$ 12,3 bilhões no primeiro semestre de 2017.

“Os bancos já estão começando aplicar a reforma trabalhista e sem nenhum diálogo com a categoria. Sempre houve a premissa da negociação antes de mudanças, mas nem isso os bancos estão respeitando. Estamos dialogando com os bancários e bancárias, pois o momento é de ampliar nossa mobilização para enfrentar esses ataques dos bancos. Além disso, essas ações já são em preparação à nossa Campanha Salarial deste ano. A reforma trabalhista, que teve como relator o senador capixaba Ricardo Ferraço, retira direitos conquistados duramente pelos trabalhadores. Não reconhecemos essa reforma e não aceitaremos essas medidas impostas arbitrariamente pelo Itaú”, enfatiza o diretor do Sindibancários/ES, Carlos Pereira Araújo (Carlão).

Somente no Espírito Santo, foram registradas 45 demissões em 2017. Na primeira quinzena de janeiro deste ano, o banco já demitiu cinco trabalhadores sem justa causa, e existem mais quatro homologações agendadas para janeiro. O corte atinge gerentes, supervisores, atendentes comerciais e caixas. São funcionários com anos de casa que deram a vida pelo banco e são demitidos de uma hora para outra – um desrespeito total aos trabalhadores.

 

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