Ações do Banestes têm aumento superior a 20% e CVM pede explicações

No dia 8 de fevereiro foram registradas 120 operações de comercialização e um volume negociado de R$ 459.587,00. O Banestes diz que não sabe o que provocou a oscilação

As ações do Banestes subiram 20,91% no dia 8 de fevereiro, quando foram registradas 120 operações de comercialização e um volume negociado de R$ 459.587,00. No dia anterior a oscilação foi de 4,76%, percentual que estava na média do mês.

A movimentação atípica das ações dos acionistas minoritários (esses detém 8%, enquanto o Estado detém 92%), chamou a atenção da Comissão de Valores Mobiliários, que perguntou ao banco se houve algum fato de conhecimento da direção que pudesse justificar a oscilação. Em resposta, o diretor de Relações com Investidores do Banestes, Celso Nunes de Almeida, informou: “…não detemos nenhum conhecimento de fatos que possam justificar tais oscilações”.

Conforme a Lei 6.385, de 1976, e a Instrução 358 da CVM, sempre que houver um fato relevante que possa influenciar o valor das ações é obrigação do banco fazer a divulgação para todo o mercado, de forma a evitar que informações privilegiadas sejam usadas em favor de algum investidor.

“Temos que redobrar a atenção sempre que há esse tipo de oscilação na venda de ações, principalmente porque o governador Paulo Hartung tem afirmado em entrevistas que não descarta discutir a venda do Banestes, apesar de ter assinado um termo de compromisso de não vender o banco durante a campanha eleitoral de 2014”, alerta o diretor do Sindicato Jessé Alvarenga.

Irregularidade

No primeiro mandato de Hartung, em 2007, o então secretário da Fazenda e ex-presidente do Conselho de Administração do Banestes, José Teófilo Oliveira, o ex-presidente do Banestes Roberto Penedo e o ex-diretor de Relações com Investidores, Ranieri Feres Doellinger, foram responsabilizados por não terem divulgado ao mercado a criação de um comitê para estudar oferta de ações pelo acionista majoritário, ou seja, a venda do banco. Por essa irregularidade, o Banestes desembolsou R$ 600 mil, que foram pagos à CVM – R$ 200 mil para cada um dos responsáveis.

O trio também foi condenado, em 2013, pelo Tribunal de Justiça a devolver o dinheiro público usado para pagar à CVM, numa Ação Popular movida por Jessé Alvarenga, que era na época do pagamento conselheiro de Administração do Banestes representando os funcionários.

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