Agência do Itaú é fechada por uma hora em protesto contra demissões

Na manhã desta quarta-feira, 22, o Sindicato dos Bancários/ES realizou uma ação sindical com retardamento da abertura da agência do Itaú da Reta da Penha por uma hora. Houve panfletagem para trabalhadores, trabalhadoras e clientes, denunciando o grande número de demissões no banco, inclusive de funcionários e funcionárias que têm estabilidade. Esse foi o caso […]

Na manhã desta quarta-feira, 22, o Sindicato dos Bancários/ES realizou uma ação sindical com retardamento da abertura da agência do Itaú da Reta da Penha por uma hora. Houve panfletagem para trabalhadores, trabalhadoras e clientes, denunciando o grande número de demissões no banco, inclusive de funcionários e funcionárias que têm estabilidade. Esse foi o caso da bancária que, por ser diretora da Cooperativa de Profissionais de Instituições Financeiras (Coproinf), foi demitida, além de ter passado por constrangimentos no momento em que o banco anunciou sua dispensa. 

A funcionária do Itaú foi chamada numa sala onde estava um inspetor. Sem permitir que a bancária se ausentasse do ambiente nem ao menos para ir ao banheiro, ele a obrigou a desligar o celular, ficou em pé ao seu lado para ter a certeza de que ela desligaria o aparelho e, depois de constatar que havia sido desligado, exigiu que o mantivesse afastado dela. Posteriormente, a pressionou a escrever uma carta de próprio punho com um conteúdo ditado por ele e que a comprometia. Contudo, a bancária não cedeu à pressão. Logo em seguida, recebeu uma carta das mãos do gerente regional, Márcio Braga Schimidt, anunciando a sua demissão.

O ocorrido mostra o desrespeito com a trabalhadora e, também, que o Itaú está passando por cima da legislação brasileira. “A bancária, por ser diretora de uma cooperativa, tem o direito à estabilidade garantido por lei. Mesmo assim a instituição financeira a demitiu por justa causa. O argumento utilizado pelo banco para demiti-la foi de que há dois anos ela fez uma operação de empréstimo com um colega de trabalho. A demissão é arbitrária. Vamos lutar na Justiça pela reintegração da funcionária”, explica o diretor do Sindicato dos Bancários/ES Carlos Pereira de Araújo, o Carlão.

Lucro e demissões

O diretor também destacou que caso o banco não atenda as reivindicações da categoria, outras agências serão paralisadas na próxima semana. “Os bancários do Itaú estão sobrecarregados, já que há um déficit grande de empregado. Além disso, sofrem com a pressão por cumprimento de metas e a prática de assédio moral pelo banco”, disse Carlão.

É inaceitável que um banco cujos lucros aumentam todos os anos, como é o caso do Itaú, em vez de investir na contratação de funcionários demita cada vez mais. Em 2014, essa instituição financeira teve um lucro líquido de R$ 20.242 bilhões. Isso representa um aumento de 28.9% em relação a 2013, ano em que o lucro foi de R$ 15.695 bilhões.

Enquanto isso, segundo dados do Sindicato dos Bancários de São Paulo, de março de 2011 a junho de 2014 cerca de 16 mil trabalhadores e trabalhadoras do Itaú foram demitidos em todo o Brasil. No Espírito Santo, durante o ano de 2014 foram 53 demissões, sendo 50 sem justa causa. Em 2015 já foram 11. Dessas, 9 foram sem justa causa.

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