Agências digitais da Caixa no ES podem aumentar precarização do trabalho

Com o remanejamento de bancários para as unidades digitais, a situação da escassez de empregados que atinge as agências ficará ainda mais grave

A Caixa anunciou nas últimas semanas a abertura de duas agências digitais no Estado e abriu vagas para empregados e empregadas que queiram ser transferidos para as novas unidades, vinculadas à Superintendência Regional Norte e à Superintendência Regional Sul. O que parece uma grande inovação é, na verdade, mais uma medida de aprofundamento da precarização do atendimento aos clientes e da sobrecarga de trabalho para os empregados na Caixa, uma vez que haverá um esvaziamento das agências com o deslocamento de bancários para as unidades digitais.

O modelo de agência digital também é perverso com os trabalhadores que atuam em suas unidades. Quais são as condições de trabalho nas agências digitais? De quais direitos os bancários e bancárias que vão para essas unidades acabam abrindo mão?

Desde o início da implantação das agências digitais no Brasil, bancários denunciam o aumento da precarização do trabalho nessas unidades, com sobrecarga de trabalho, aumento da jornada, metas ainda mais elevadas e pressão para alcançar os resultados esperados pelo banco.

No comunicado enviado aos empregados, a Caixa descreve como pré-requisitos necessários: ser comunicativo e persuasivo, ser eficiente, resolutivo, ter familiaridade com atendimento telefônico, fluência verbal, efetividade na abordagem. Ou seja, assim como no Banco do Brasil, bancários da agência digital na Caixa serão, na prática, operadores de telemarketing com altas metas a serem alcançadas.

 “Não temos como negar essa modernização, mas agência digital nos moldes como vem sendo implantado na Caixa nos preocupa pois é mais uma medida de desmonte do maior banco público do país. Como tal, a Caixa atende clientes de baixa renda, que não necessariamente têm a acesso a ferramentas para uso do banco digital. Esse modelo de agência abre as portas do banco para a terceirização, alinhando-o aos interesses do mercado privado e financeiro. Além disso, as agências digitais pulverizam a categoria e desumanizam o atendimento”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

 

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