Agora é greve: bancários aprovam paralisação a partir de terça-feira

Reunidos em assembleia geral na noite desta quinta-feira, 1º, no Centro Sindical da categoria,  em Vitória, os bancários e bancárias capixabas aprovaram por unanimidade a greve nacional a partir do dia 6 de outubro. Assembleias paralelas aconteceram em Linhares, Colatina e Cachoeiro de Itapemirim, nas subsedes do Sindicato. Todas aprovaram a paralisação por tempo indeterminado. […]

Reunidos em assembleia geral na noite desta quinta-feira, 1º, no Centro Sindical da categoria,  em Vitória, os bancários e bancárias capixabas aprovaram por unanimidade a greve nacional a partir do dia 6 de outubro. Assembleias paralelas aconteceram em Linhares, Colatina e Cachoeiro de Itapemirim, nas subsedes do Sindicato. Todas aprovaram a paralisação por tempo indeterminado. Nesta segunda e terça-feira, 05, a categoria se reúne em novas assembleias para organização do movimento grevista.

Os bancários consideraram insuficiente a proposta apresentada pela Fenaban no último dia 25,   na quinta rodada de negociação, de 5,5% de reajuste para salário, auxílios refeição, alimentação e creche, mais abono de R$ 2.500,00 não incorporado ao salário. Além de não cobrir a inflação do período, de 9,88% (INPC), esse índice representaria uma perda real de 4% sobre os salários e demais verbas da categoria.

De acordo com o coordenador geral do Sindibancários/ES, Jessé Alvarenga, que compõe o Comando Nacional dos Bancários representando a Intersindical, os banqueiros usam a crise econômica do País como desculpa para negar as reivindicações da categoria. O argumento, contudo, não é compatível com a lucratividade do setor financeiro no Brasil.

“Não há crise para os banqueiros. Mesmo em período de retração econômica, os cinco maiores bancos que operam no País (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa) lucraram R$36,3 bilhões no primeiro semestre do ano. Um crescimento de 27,3% em relação ao mesmo período do ano passado. A proposta da Fenaban é desrespeitosa e não podemos aceitá-la. Os bancos querem impor um arrocho salarial aos bancários. Por isso vamos fazer uma greve organizada, forte e, se preciso, longa”, diz Jessé.

Negociações específicas

Os bancários criticaram também as negociações específicas com os bancos públicos federais e estaduais.  

“Na Caixa, todas as reivindicações específicas foram negadas, com a mesma desculpa de dotação orçamentária. Não temos garantias de mais contratações, de fim do GDP ou de melhoria nas condições de trabalho. O banco não negociou a isonomia e já disse que não pagará a PLR social. Para piorar, o governo federal empurra as negociações da mesa única para baixo. A solução é greve”, disse Renata Garcia, diretora do Sindicato/ES e bancária da Caixa.

Dérik Bezerra, também diretor do Sindicato, avaliou que não houve negociação real na mesa específica do BB e criticou a postura do governo nas negociações. “Depois de anos de aumento acima da inflação, os bancos, aliados com o governo federal, querem restabelecer a lógica do abono, que é um “cala-boca”, um recurso que pode tirar o trabalhador do sufoco momentâneo, mas que a médio prazo significa perda salarial e arrocho para os bancários”.

No Banestes, o banco se comprometeu apenas a seguir a proposta econômica da Fenaban e também não apresentou resposta às reivindicações específicas dos banestianos. Vale destacar que o lucro do banco, só no primeiro semestre de 2015, foi de R$ 82 milhões. “O resultado do banco, construído a partir do trabalho de seus empregados, mostra que é possível avançar na proposta”, destaca Jonas Freire, dirigente sindical e bancário do Banestes.

Novas Assembleias

Os bancários capixabas se reúnem em assembleias novamente nesta segunda-feira,05, e terça-feira,06, para organizar o movimento grevista. Em Vitória, Linhares e Cachoeiro, a assembleia será às 18 horas no Centro Sindical e nas subsedes, respectivamente. Já em Colatina, a categoria se reúne na terça-feira, 06, a partir das 08 horas, na subsede.

Mobilização

Ao longo da assembleia os bancários mostraram que estão mobilizados e dispostos a parar todas as agências. Palavras de ordem interromperam diversas vezes o debate e, forma uníssona, os bancários cantavam:

 “Eu sou bancário, não abro mão, do meu salário e do respeito do patrão!”

“Oleolê, oleoleolá, nessa greve vamos parar. Bancário, bancária, bancário é pra lutar!”

Principais reivindicações:

  • Reajuste salarial de 16%. (incluindo reposição da inflação mais 5,7% de aumento real)
  • PLR: 3 salários mais R$7.246,82
  • Piso: R$3.299,66 (equivalente ao salário mínimo do Dieese em valores de junho último).
  • Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$788,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional).
  • Melhores condições de trabalho com o fim do assédio moral que adoecem os bancários.
  • Emprego: fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PLC 30/15 no Senado Federal, além da ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas.
  • Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.
  • Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.
  • Prevenção contra assaltos e sequestros: permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários, conforme legislação. Instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos caixas. Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves por funcionários.
  • Igualdade de oportunidades: fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).

 

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