Agricultores familiares reivindicam anistia de parcelas de financiamento

A seca e a escassez de água que atingem o Espírito Santo desde 2014 têm afetado diretamente os pequenos agricultores do Estado. Com pouco recurso público para investirem na produção, esses camponeses já amargam perda de mais 40% da produção. O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA-ES), Movimento Sem Terra (MST) e sindicatos de produtores rurais […]

A seca e a escassez de água que atingem o Espírito Santo desde 2014 têm afetado diretamente os pequenos agricultores do Estado. Com pouco recurso público para investirem na produção, esses camponeses já amargam perda de mais 40% da produção. O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA-ES), Movimento Sem Terra (MST) e sindicatos de produtores rurais estão mobilizados e reivindicam ações concretas do governo do Estado para amenizar as graves consequências da seca.

Uma das principais reivindicações é a anistia das parcelas de 2015 e 2016 dos financiamentos adquiridos pelos camponeses. De acordo com o coordenador estadual do MPA, Leomar Honorato Lírio, muitas famílias estão inadimplentes com o banco, uma vez que tiveram sua plantação castigada pela seca.

“Como não tem produção, as famílias não têm como arcar com os valores das parcelas dos financiamentos. Algumas famílias tem conseguido amenizar a situação com pequenas produções, que vendem nas feiras, por exemplo. Mas elas estão conseguindo apenas sobreviver, sem perspectiva nenhuma de poder arcar com a dívida. Como não houve período chuvoso, em 2016 teremos perdas ainda maiores”, relata.

Atrelada à seca está também a falta de investimentos dos governos municipais, estadual e federal na agricultura familiar, o que coloca o camponês em situação ainda mais vulnerável. “É contraditória a atuação do poder público, que beneficia grandes empresas e investe em grandes projetos, que são justamente os causadores dos distúrbios da natureza, como foi rompimento da barragem da Samarco. Esse é o modelo de desenvolvimento adotado pelo governo federal e estadual , e que vem precarizando cada vez mais a vida dos pequenos agricultores”, enfatiza.

Manifestação

Na última sexta-feira, 20, os agricultores ocuparam a entrada do Banco do Brasil em 15 cidades do Espírito Santo, entre elas, Barra de São Francisco, São Gabriel da Palha, Vila Valério, São Mateus e Jaguaré. A manifestação foi um protesto contra os valores cobrados nos créditos e para pressionar o governo a conceder a anistia das parcelas.

Em Domingos Martins, os agricultores se reuniram com o prefeito Luiz Carlos Prezoti Rocha e secretários da cidade na última segunda-feira, 23. Como resultado do encontro, o prefeito garantiu que irá fortalecer os programas de aquisição dos produtos da agricultura camponesa, incluindo a possibilidade de adquirir outros itens de alimentos para os programas sociais.

Além disso, o prefeito assumiu o compromisso de ampliar a construção de caixas secas no município já nos próximos meses e de ampliar o programa de educação ambiental nas escolas. A nível estadual, os movimentos sociais ainda aguardam o agendamento de uma reunião para discutir as reivindicações com o governo do Estado.

Reivindicações

Além da anistia das parcelas do financiamento, os agricultores também reivindicam:
• Linhas de crédito específicas para a mudança do sistema de irrigação, uma vez que o atual desperdiça muita água.
• Criação de um seguro agrícola que de fato atenda as necessidades dos agricultores.
• Concessão de crédito não retornável no valor de R$ 5 mil para que as famílias possam investir na produção de alimentos.
• Implementação das leis municipais e estadual que exigem o consumo de alimentos dos pequenos agricultores para alimentação escolar.
• Construção de pequenas barragens de baixo impacto e que ajudem a reter a água da chuva.
• Manutenção e criação do sistema de caixas secas, para evitar a erosão e captar água da chuva.
• Viveiros de mudas nativas para distribuir para os agricultores para reflorestar as áreas de morro com plantas de espécies nativas.

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