Alimentos arrecadados em Festa dos Bancários são entregues à Ocupação Chico Prego

Famílias ocupam dois prédios no centro de Vitória e, diante da omissão do poder público, contam com o auxílio da população para seguir resistindo

A Ocupação Chico Prego, estabelecida no centro de Vitória, recebeu os alimentos arrecadados na Festa do Dia da Bancária e do Bancário, realizada no dia 02 de setembro. A entrega foi feita na última terça-feira, 26, no edifício Santa Cecília.

A luta por moradia adquiriu força no início de abril deste ano, quando cerca de 700 famílias ocuparam um terreno vazio na região de São Pedro, chamado de “Fazendinha”. Após 23 dias de ocupação um pedido de reintegração de posse determinou que a área fosse esvaziada numa operação truculenta da Tropa de Choque da PM. As famílias seguiram para a Casa do Cidadão e posteriormente ocuparam um prédio da União em desuso no centro de Vitória, de onde também foram despejadas.

Atualmente as famílias ocupam dois prédios no centro da cidade, o antigo Hotel Sagres, abrigado num edifício de três andares na Rua Gonçalves Ledo, e o Santa Cecília, edifício abandonado pertencente à prefeitura e que há mais de uma década já havia sido designado a servir de moradia popular.

A omissão do poder público e a falta de políticas sociais ampliam a vulnerabilidade das famílias, já expostas a condições tão precárias. Thiago Almeida, integrante do movimento, conta que a relação da prefeitura com a causa sempre foi distante.

“Em nenhum momento o prefeito nos recebeu. Nós só conseguimos conversar com a prefeitura quando ocupamos a Casa do Cidadão, quando as famílias foram orientadas a se cadastrar no CAD Único, que é uma espécie de porta de entrada para as políticas do governo. Após esse momento não houve nenhum encaminhamento para tocar a política de habitação. As pessoas estão cadastradas, mas não tem um segundo passo”, explica.

Rosilene Pereira, 46 anos, é uma das integrantes da ocupação e ressalta a importância da mobilização e solidariedade popular com o movimento. “O apoio da população à nossa causa e as doações de mantimentos, materiais de higiene e limpeza são muito bem-vindas e necessárias, são elas que mantém a nossa luta mesmo nessas condições”.

“Ver o movimento de luta por moradia resistindo é um fôlego para todos nós. A organização, a luta e toda demonstração de coletividade são esperanças num cenário tão desfavorável para toda a classe trabalhadora, além de nos alertar para a importância de fortalecer a nossa solidariedade de classe”, analisa o diretor do Sindibancários/ES, Thiago Duda.

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