Estudantes protestam contra fechamento de escolas no interior

Estudantes rurais e professores protestaram em frente à Sedu na manhã desta terça-feira, 30, contra fechamento de escolas e turmas do ensino médio, noturno e diurno, em vários municípios capixabas. Medida vem sendo tomada pela Sedu com a justificativa de que a unidade do projeto Escola Viva, situada em Afonso Cláudio, tem condições de atender os alunos das unidades e cursos encerradas, porém centenas de jovens estão abandonados os estudos.

Estudante e trabalhadores de áreas rurais do Estado ocuparam a avenida em frente à Secretaria de Educação (Sedu) na manhã desta terça-feira, 30, em protesto contra o fechamento arbitrário de escolas e turmas do ensino médio, noturno e diurno, em vários municípios capixabas. Centenas de alunos estão sendo prejudicados pela medida tomada pelo governo de Paulo Hartung de encerrar atividades escolares nas comunidades rurais do interior.

Em 2015, a primeira unidade fechada foi a escola de Mata Fria, localizada a 24 quilômetros da sede do município de Afonso Cláudio. O encerramento das atividades  deixou quase cem adolescentes fora da sala de aula. Posteriormente, as comunidades de São Francisco, Piracema, Vila Pontões e Fazenda Guandu, também perderam turmas do ensino médio noturno. Mais de 200 jovens e adolescentes ficaram sem oportunidades de estudo.

Conforme denunciam os moradores dessas regiões, a Sedu tem fechado cursos e turmas para conseguir impor que os alunos se matriculem na Escola Viva, localizada na sede de Afonso Cláudio. No entanto, a distância das comunidades até a sede do município é longa e as estradas estão em péssimas condições, colocando os alunos em risco. O transporte ofertado pelo governo para os estudantes rurais também não atende a todos, como alegou a professora Solange Maria Moisés, que participou do ato.

Demissão

Demitida pela Sedu após o fechamento de uma das turmas do ensino médio, a professora Solange informou que o governo quer forçar os estudantes a irem para a Escola Viva, mas o que aconteceu foi que os jovens abandonaram de vez os estudos. “Além disso, o governo sequer dialogou com os pais e a comunidade sobre o encerramento das turmas. A maioria dos alunos são filhos de produtores rurais e precisam de uma escola perto, pois trabalham no campo ajudando seus pais”, frisa a docente.

É o caso do jovem Fábio Silva, de 15 anos, que está há três meses fora dos bancos da escola. “Moro cerca de 60 quilômetros da Escola Viva, o que torna quase impossível que eu frequente as aulas. Se quisesse ir a essa escola, teria que acordar às 3 horas da manhã”, conta.

Ao acabar de vez com as turmas de ensino médio e fechar escolas, o governo de Hartung ignora as especificidades da educação no campo, onde os alunos atuam junto às suas famílias na agricultura durante o dia. A maioria dos adolescentes e jovens são filhos de pequenos produtores e, ao trabalharem no campo, contribuem com a renda da família e investem na sua formação profissional.

“Os adolescentes trabalham para ajudar a família. O que está acontecendo é que vários estudantes estão abandonando os estudos. A maioria pela dificuldade de chegar na escola ou pelo cansaço de terem que conciliar trabalho e estudo. Eles tinham o ensino médio mais perto do campo. Tudo isso foi eliminado para justificar o projeto de marketing do governo que é o Escola Viva”, explica Swami Cordeiro Bergamo, represente do movimento em defesa da educação pública em Santa Maria de Jetibá.

Segundo ele, o Ministério Público Estadual chegou a pedir a justiça a reabertura de uma das unidades escolares rurais. Em seguida, o juiz concedeu parecer favoráveis para a reabertura da escola de Mata Fria. “Era para a Sedu abrir a matrícula num período mais acessível e não pela internet como fez, o que inviabilizou a participação dos estudantes nesse processo de matrícula, pois muitos não possuem acesso a essas tecnologias no interior”, acrescentou Swami.

Com informações do Sindipúblicos

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