Ana Vescovi age como interventora para privatizar a Caixa

Presidente do Conselho de Administração da Caixa, a economista capixaba segue à risca a cartilha de Temer e de seus aliados de preparação do banco para a privatização, retirando direitos dos bancários, explorando clientes e prejudicando a população brasileira

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Presidente do Conselho de Administração da Caixa desde abril de 2017, Ana Paula Vescovi tem seguido à risca o projeto de preparar o maior banco público do país para privatização. Capixaba, Vescovi é secretária executiva do Ministério da Fazenda e entrou para o time do governo Temer e do então ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, por indicação do governador Paulo Hartung (MDB, antigo PMDB), e vestiu a camisa do presidente ilegítimo que tem usado de todas as artimanhas para enfraquecer as empresas públicas, dentre elas a Caixa, e entregá-las de bandeja para o setor privado.

Desconhecendo totalmente o forte vínculo da Caixa com as políticas sociais, uma das primeiras medidas de Vescovi, como presidente do Conselho de Administração, foi conduzir a reformulação do estatuto do banco, adequando-o aos interesses do mercado privado representados por Henrique Meirelles (MDB) e Temer (MDB).

O novo texto do estatuto traz graves ameaças aos direitos dos bancários e bancárias, ao estabelecer um teto no custeio do plano Saúde Caixa e limitar o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).  Durante a alteração do estatuto, Ana Vescovi tentou a todo custo transformar a Caixa em Sociedade Anônima. E foi a mobilização da categoria que barrou essa tentativa e garantiu a permanência da Caixa como banco 100% público.

Demissão

Outra medida de Vescovi à frente do CA do banco foi a exoneração do diretor Jurídico, Jailton Zanon. Profissional de carreira da Caixa, Zanon sempre teve uma atuação ética e comprometida com o banco, por isso não se curvou às exigências de Ana Vescovi, que atua para enfraquecer a Caixa como banco público e retira direitos dos empregados, que são os verdadeiros responsáveis por manter a Caixa um banco forte e rentável ao longo desses 157 anos.

Por diversas vezes, Zanon foi contundente ao explicar a ilegalidade de várias medidas que Vescovi insistia em implementar. Mas, mantendo sua postura arrogante e focada em cumprir o projeto de Temer e de seus aliados de desmonte da Caixa, Vescovi não aceitou ser contrariada e destituiu Zanon do cargo, deixando claro, mais uma vez, que sua missão é fragilizar a empresa.

Interesses políticos

Uma das mais recentes medidas da economista capixaba foi a abertura de seleção externa para quatro vice-presidentes, fechando mais uma porta para os empregados crescerem dentro do banco. A justificativa para seleção externa é garantir que os cargos não sejam ocupados por indicações políticas. No entanto, o processo seletivo será apenas para quatro das seis vice-presidências interinas da Caixa. Ora, por que a seleção não abarca todas as seis vice-presidências?

A resposta para essa questão está mais do que evidente: das duas vice-presidências interinas, que ficaram de fora da seleção, a VICLI é uma indicação do Mendonça Filho do partido DEM, e a outra, a VITER, é indicação do então Ministro da Fazenda, Meirelles.  Além disso, a própria Ana Vescovi ocupa o cargo de presidente do Conselho de Administração da Caixa por indicação política, partido de Paulo Hartung e Temer.

Ou seja, Ana Vescovi, que diz defender a “neutralidade política” e uma gestão ética na direção da Caixa, abre seleção de algumas vagas e preserva outra parte dos cargos com salários mais altos da Caixa agradando aos dois “senhores” aos quais ela serve: o mercado privado e o partido MDB, representados por Meireles e Michel Temer, um presidente ilegítimo envolvido em diversos escândalos de corrupção com dinheiro público.

“Ana Paula Vescovi não tem sequer experiência em banco para ser qualificada para o cargo que ocupa. Ela está a serviço dos interesses políticos e econômicos de Temer e de Paulo Hartung, um dos governos mais corruptos da história, e tem como objetivo único preparar a Caixa para a privatização. Para isso, Vescovi esvazia a Caixa do seu papel social, cobra altas taxas de juros e tarifas da população, alinhando o banco com os interesses do mercado. Em pouco mais de um ano à frente do Conselho, ela comete uma série de atrocidades contra a Caixa e contra os empregados”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Rita Lima.

Ataque ao banco e aos seus empregados

Além da mudança do estatuto e da abertura de seleção externa de vice-presidentes, Ana Paula Vescovi também é responsável pela linha opressora da atual direção do banco, que tem como presidente Nelson Antônio de Souza, que embora seja um empregado de carreira do banco, é submisso, portanto, cúmplice das medidas privatistas de Ana. As agências lotadas e a sobrecarga de trabalho dos empregados são resultados diretos dos recentes planos de demissão incentivada e da não contratação de empregados. Além disso, a atual gestão canaliza a oferta de crédito para a elite, ao ampliar, por exemplo, o limite de financiamento habitacional para R$ 1,5 milhão com uso do FGTS.

Vescovi também é responsável pela Caixa abandonar a premissa de ser o banco com as menores taxas. A arrecadação da Caixa com prestação de serviços e tarifas bancárias aumentou 6,5% no primeiro semestre deste ano, totalizando R$ 13 bilhões. Com a exploração de clientes e empregados, a Caixa obteve Lucro Líquido de R$ 6,65 bilhões no 1º semestre de 2018, crescimento de 63,3% na comparação com o mesmo período de 2017 e de 8,6% em relação ao primeiro trimestre do ano.

O resultado é fruto do esforço e compromisso que os empregados têm com a rentabilidade e a saúde financeira do banco, mesmo que isso lhes custe adoecimentos produzido pela sobrecarga de trabalho e ausência de empregados.

 “A Caixa é um banco público, e como tal tem responsabilidade com o desenvolvimento econômico e social do país, além de ter como missão viabilizar o crédito e o acesso à casa própria para a população de baixa renda. O lucro da Caixa só faz sentido se for revertido em políticas públicas e se os direitos dos empregados forem respeitados. Por isso, não podemos e não vamos aceitar esse modelo de gestão, liderado por Ana Paula Vescovi, que quer aumentar cada vez mais o lucro da Caixa às custas da redução do papel social do banco. A Caixa é do povo brasileiro e vamos continuar lutando para que ela continue 100% pública”, enfatiza Rita Lima.

Acordo dos empregados retira direitos

Seguindo o mesmo roteiro de desmonte da Caixa, o acordo específico dos bancários proposto pela Caixa, que foi gestado na mesa de negociação e lamentavelmente aprovado pelas assembleias, é mais um capítulo da retirada de direitos dos empregados para tornar a Caixa mais atraente para a privatização, essa que é a missão primeira de Ana Vescovi como presidente do CA da Caixa e representante do governo de Michel Temer.

Com a inclusão de cláusulas que retiram direitos, o acordo coloca a corda no pescoço dos empregados que terão que trabalhar mais e vão assistir nos próximos anos a extinção do Saúde Caixa.  As principais mudanças no acordo são: a ampliação da jornada de trabalho; a suplementação da licença saúde para os bancários que já estão aposentados pelo INSS; a não inclusão da isenção de tarifas das TED’s,; a não garantia da incorporação para os comissionados após dez anos; a limitação de ter apenas duas bandeiras de cartão de crédito; e uma das mais graves, a modificação radical da cláusula do Saúde Caixa, que inclui no acordo as regras da CGPAR, como a imposição do teto de gasto de 6,5%, e a exclusão de novos empregados do plano.

“Esse acordo representa o decreto de morte do Saúde Caixa, uma vez que mesmo que as resoluções da CGPAR sejam derrubadas, em 2021 obrigatoriamente a Caixa vai aplicar as regras, pois elas estão no nosso acordo. Além disso, deixamos as futuras gerações de novos empregados e os futuros aposentados sem plano de saúde. Esse foi mais um ataque contra os empregados orquestrado por Ana Vescovi para cumprir o projeto de Temer e seus aliados de preparar a Caixa para a privatização”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

“A defesa da Caixa 100% pública, comprometida com o desenvolvimento social e econômico do país, passa pela urgente necessidade da saída de Ana Vescovi do Conselho de Administração do banco. Queremos Vescovi fora do Conselho da Caixa. Caso contrário, será o fim da Caixa como banco 100% público”, reivindica Rita Lima.

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