Ana Vescovi defende quebra do monopólio do FGTS

Presidente do CA da Caixa engrossa discurso de bancos privados, que estão de olho apenas nos ativos do Fundo de Garantia, sem qualquer preocupação com o social

Nesta semana, a presidente do Conselho de Administração da Caixa, Ana Paula Vescovi, voltou a atacar a Caixa. Desta vez, o alvo foi o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) administrado pela Caixa e muito cobiçado pelos bancos privados.  Para atender os interesses desse setor, Vescovi defendeu uma ampla remodelagem do FGTS.

O argumento da presidente é baseado na necessidade de melhorar a remuneração dos recursos do trabalhador. A proposta seria plausível se não passasse de uma cilada. O que está por trás é a quebra do monopólio da Caixa na gestão do fundo com mais de R$ 510 bilhões de ativos. Para a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges, essa seria mais uma medida para enfraquecer a Caixa.

“É mais do que evidente que o papel de Ana Vescovi na presidência do CA é preparar o banco para a privatização. O FGTS é a galinha dos ovos de ouro desejada pelos bancos privados, que têm interesse apenas na gestão do fundo, mas não querem assumir papel social do Fundo, ligado principalmente às áreas de habitação e saneamento. Além disso, a descentralização do FGTS reduz o papel da Caixa e implica diretamente em mais demissões de empregados, diante da consequente queda na demanda de serviços”, enfatiza Lizandre.

A declaração de Vescovi está diretamente atrelada a manifestações recentes de banqueiros. O presidente do Santander, Sérgio Real, defendeu, em novembro deste ano, o fim de monopólios nos serviços financeiros, como depósitos judiciais, folhas de pagamento e a gestão do FGTS.  Luiz Carlos Trabuco, presidente do Conselho de Administração do Bradesco, declarou neste mês que o banco já está de olho em possíveis áreas da Caixa e do Banco do Brasil que venham a ser privatizadas no novo governo.

“O que se vê é uma tendência de que o novo governo dê ainda mais voz aos banqueiros, que só visam ao lucro, sem qualquer preocupação com o desenvolvimento social. Vescovi afirma que a remuneração do Fundo de Garantia é ‘uma das fontes de desigualdade de renda do país’. Isso é um absurdo, mas que não nos espanta, vindo de quem veio. É graças aos recursos do FGTS que milhões de famílias conseguiram realizar o sonho da casa própria, além de ter esgoto e água tratados nos últimos anos”, lembra Jair Ferreira, presidente da Fenae.

Diante desses contínuos ataques, a mobilização dos empregados da Caixa e da sociedade será fundamental para barrar retrocessos. “O futuro presidente da Caixa é especialista em privatização e o presidente eleito já anunciou seu projeto de ampla privatização das empresas públicas. Por isso, temos que resistir e defender a Caixa 100% pública, forte e social”, destaca Lizandre.

Centralização do FGTS

Até 1990, os depósitos dos valores  referentes ao FGTS eram realizados no banco escolhido pela empresa. Com a alta rotatividade de emprego, havia descontrole da aplicação dos recursos e da regularidade do recolhimento, o que gerava contas inativas e dinheiro perdido nos bancos. A partir de 1990, após muita luta dos bancários e bancárias, as contas foram centralizadas na Caixa, que desenvolveu a expertise e criou uma ampla estrutura eficaz para gerenciar o FGTS, e desde então tem cumprido esse papel com eficiência.

 “Não tem sentido privatizar a gestão do FGTS

A Fenae lançou em outubro a campanha “Não tem sentido”, cujo objetivo é mobilizar os empregados da Caixa e a sociedade mostrando que o banco precisa continuar 100% público, forte, social e a serviço dos brasileiros. E fazer parte é muito simples! Por meio do site www.naotemsentido.com.br, é possível enviar vídeos ou escrever depoimentos opinando por quais motivos a empresa não pode ser privatizada ou enfraquecida.

Em manifesto divulgado por ocasião do lançamento da campanha, a Fenae destaca que não tem sentido jogar fora conquistas importantes. “Poupança, penhor, habitação, FGTS, programas sociais inovadores, eficientes e reconhecidos no mundo inteiro. Em 157 anos de existência a Caixa consolidou o seu protagonismo no desenvolvimento econômico e social do Brasil”. E ainda: “Quem defende a privatização da Caixa, seja de todo o banco ou seja em partes, não tem o menor compromisso com o Brasil e com os brasileiros”.

Com informações da Fenae

 

 

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