Após protesto em agências, Banestes chama negociação sobre demissões

Na reunião, Sindicato denunciou o aumento das demissões de funcionários já aposentados pelo INSS, motivadas por assédio moral, descomissionamentos e transferências arbitrárias.

As agência Jardim Camburi e Central, na Praça Oito (foto), ficaram paralisadas na última quarta-feira em protesto contra a reestruturação do banco e demissões

A mobilização realizada contra as demissões e transferências arbitrárias no Banestes na última quarta-feira deu resultado. Nesta quinta, 10, o banco convocou o Sindicato para discutir a pauta, reabrindo o diálogo sobre os problemas de condições de trabalho que atingem os banestianos.

O Sindicato denunciou o aumento das demissões de funcionários já aposentados pelo INSS, motivadas por assédio moral, descomissionamentos e transferências arbitrárias.

“O banco está pressionando os empregados a pedirem demissão. Primeiro ele comunica a necessidade de desligamento e aquele que se recusa é transferido para uma agência distante ou descomissionado. Em alguns casos o banco chegou a ameaçar que caso a pessoa não aceitasse a transferência seria demitida”, diz Jonas Freire, coordenador geral do Sindicato.

“Essas transferências não são movimentações rotineiras ou necessárias, são uma forma de punir esses empregados, forçando um desligamento. Tivemos, por exemplo, o caso de uma bancária da agência Serra Sede transferida para o centro de Vitória, e outra de Jacaraípe transferida para Viana. Muitos bancários pressionados acabaram cedendo e pediram a saída do banco”, relata Paulo Roberto Soares, diretor do Sindicato.

O Sindicato também questionou a forma como as pessoas estão sendo abordadas para tratar do tema. “A comunicação está sendo feita por uma funcionária do Recursos Humanos por telefone, sem envolver a gerência superior ou os superintendentes, como era a prática do banco. É no mínimo desrespeitoso com o empregado que dedicou uma vida ao Banestes”, critica Jonas.

O banco, representado pelo diretor de administração Bruno Vivas, negou que esteja pressionando os empregados. Disse ainda que não há, para os cerca de 300 funcionários aposentados que continuam na ativa, risco de demissão, e que vai apenas acatar os pedidos que foram encaminhados ao RH.

Questionado sobre as demissões que poderão ocorrer após a vigência da nova legislação trabalhista, o banco afirmou que não pretende aplicar o acordo que reduz para 20% o valor da multa do Fundo de Garantia, mantendo o direito integral ao benefício, de 40%.

O Sindicato reafirmou que vai acompanhar individualmente todos os casos de demissão, rebaixamentos ou transferências forçadas, a fim de tomar as medidas políticas e jurídicas cabíveis para pôr fim à prática de assédio.

“Temos uma carência enorme de empregados, não há justificativa para demitir. Esse tipo de demissão imotivada é inaceitável”, salienta Jonas.

Contratações

As demissões agravam a situação de carência de pessoal nas agências, por isso, o Sindicato também cobrou o aumento das contratações. O banco se comprometeu a garantir a convocação de mais empregados caso haja desistência entre os 64 convocados da última turma, o que os dirigentes sindicais consideram ainda insuficiente. “Completar o quadro em caso de desistência é necessário, mas precisamos ampliar esse número. O concurso vence no próximo dia 18 e temos que ampliar as contratações dentro desse prazo”, lembra Jonas. De janeiro a junho deste ano, foram 101 desligamentos, somados os homologados e os já anunciados pelo banco.

Banescaixa

Também foi pauta da reunião o financiamento da Banescaixa. Há três meses o Banestes não efetua o repasse do aporte acordado para cobrir o custo operacional e administrativo do plano, conquista da Campanha Salarial de 2016.

O Banco informou que aguarda reunião com representante da Banescaixa, agendada para a próxima segunda-feira, 14, para avaliar os custos do convênio e fazer uma revisão dos gastos. A intenção é negociar os valores custeados pelo banco.

O Sindicato pediu urgência nas negociações com a comissão criada para discutir a Banescaixa e a forma de contribuição do plano. “É preciso repensar o modelo de contribuição. A mudança do critério de cobrança para faixa etária onera principalmente os bancários com menores salários. Defendemos que a contribuição volte a ser por percentual, caso contrário, o plano ficará inviável”, enfatiza Jonas.

 

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