Após reunião, Comando Nacional decide ampliar a greve

Em reunião realizada nesta quinta-feira, 26, em São Paulo, o Comando Nacional dos Bancários fez um balanço do movimento após sua primeira semana e decidiu ampliar a paralisação para forçar os banqueiros a apresentarem uma nova proposta que contemple as reivindicações econômicas e sociais dos trabalhadores. “Essa greve já é a maior dos últimos anos […]

Em reunião realizada nesta quinta-feira, 26, em São Paulo, o Comando Nacional dos Bancários fez um balanço do movimento após sua primeira semana e decidiu ampliar a paralisação para forçar os banqueiros a apresentarem uma nova proposta que contemple as reivindicações econômicas e sociais dos trabalhadores.

“Essa greve já é a maior dos últimos anos e esperamos que ela continue crescendo em todo o país. Queremos que os bancários continuem mobilizados enquanto não recebermos uma proposta que atenda as nossas reivindicações, desde a questão do índice até as cláusulas que tratam das condições de trabalho e saúde. Nossa luta é por dignidade e valorização do trabalhador”, afirmou Carlos Pereira de Araújo (Carlão), coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES e representante estadual do Comando Nacional.

Carlão reafirmou a importância dos bancários irem às ruas e fez referência ao ato conjunto com os Correios, marcado para a próxima segunda-feira, 30, às 16h, com saída da Praça Pio XII, no Centro de Vitória. “Os bancários que estão em casa estão convocados a ir para a porta de suas agências, comparecer aos atos programados e dialogar com os clientes e com a comunidade de maneira geral. Vamos mostrar a nossa força e intensificar a mobilização”.

A greve nacional dos bancários está no seu nono dia. No país, são mais de 10 mil agências fechadas; no Estado, esse número já ultrapassou 250.

Nota do Comando Nacional dos Bancários

Na reunião do Comando houve a aprovação de uma nota oficial reafirmando a decisão de intensificar a greve, manifestando a disposição de negociação e responsabilizando os presidentes da Fenaban e dos seis maiores bancos pelo fechamento do diálogo com os bancários. Confira abaixo:

“O Comando Nacional dos Bancários, reunido nesta quinta-feira, 26 de setembro, em São Paulo, na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), após avaliação da primeira semana da greve da categoria, decidiu:

1. Ampliar e fortalecer a greve nacional dos bancários, que nesta quinta-feira completou oito dias e fechou 10.586 agências e centros administrativos nos 26 estados e no Distrito Federal.

2. Reafirmar a disposição de negociação dos representantes dos bancários, fechada pelos bancos no dia 5 de setembro, quando apresentaram apenas a reposição da inflação e ignoraram todas as outras reivindicações econômicas e sociais.

3. Afirmar que a greve é de responsabilidade dos presidentes da Fenaban (Murilo Portugal), do Itaú (Roberto Setúbal), do Bradesco (Luiz Carlos Trabuco), do Banco do Brasil (Aldemir Bendine), da Caixa Econômica Federal (Jorge Hereda), do Santander (Jesús Zabalza) e do HSBC (André Brandão) por fecharem o processo de negociação ao ignorarem a pauta de reivindicações dos trabalhadores.

4. Ressaltar que os bancos que operam no Brasil têm totais condições de atender às demandas dos bancários, conforme demonstra relatório do Banco Central divulgado nesta quinta-feira 26, segundo o qual o lucro do sistema financeiro nacional é “robusto” e atingiu R$ 59,7 bilhões nos últimos 12 meses encerrados em junho.

5. Denunciar a irresponsabilidade social dos bancos, especialmente os privados, que, na contramão da economia brasileira, geradora de 1,07 milhão de novos empregos de janeiro a agosto deste ano, cortaram 6.987 postos de trabalho no mesmo período, precarizando o atendimento à população, aumentando as filas e a sobrecarga de trabalho dos bancários.

6. E denunciar que, em busca de “melhor eficiência”, os bancos vêm obrigando os bancários a cumprirem metas abusivas e a venderem produtos financeiros desnecessários à população, o que tem aumentado a incidência de adoecimentos.

Carlos Cordeiro,

Presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional dos Bancários”

Imprima
Imprimir