Após veto à propaganda do BB, Bolsonaro determina que toda publicidade de estatais passe por aprovação

Medidas estão sendo classificadas como censura por ativistas que lutam pela diversidade

Cena do comercial que foi proibido por Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro determinou (PSL) nesta sexta-feira, 26, que todas as empresas estatais devem submeter suas campanhas publicitárias, mesmo as de natureza mercadológica, à prévia avaliação da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo.

A orientação foi dada depois de o presidente ter vetado na última quinta-feira, 25, uma campanha do Banco do Brasil marcada pela diversidade, com atores e atrizes negros, jovens tatuados e pessoas LGBTs. A decisão veio acompanhada do descomissionamento do diretor de Comunicação e Marketing do BB, Delano Valentim. Bolsonaro procurou diretamente o presidente do banco, Rubem Novaes, para se queixar da peça.

Segundo apurou o Jornal Folha de São Paulo, antes eram submetidos à análise do Palácio do Planalto apenas publicidades de empresas estatais de perfis institucional e de utilidade pública. As propagandas mercadológicas, ou seja, que têm como objetivo alavancar vendas ou promover produtos e serviços, não passavam pela chancela do Poder Executivo.

As atitudes do presidente estão sendo classificadas como censura por ativistas e movimentos que lutam pelo respeito à diversidade e já levaram à reação desses grupos.

Para a diretora do Sindibancários/ES Evelyn Flores, o veto à propagando do BB “é uma medida autoritária, de intolerância LGBTfóbica e racista”. Ela lembra que esta não é a primeira interferência do Presidente no BB que vai nesse sentido. No mês passado, Bolsonaro determinou a retirada da exigência do curso de Diversidade e Prevenção ao Assédio Moral e Sexual da lista de pré-requisitos ao cargo de assistente técnico do Previ, mudança que representa um retrocesso no combate ao assédio moral e sexual no banco, uma das principais causas de adoecimento da categoria.

“Quando um presidente tem essa atitude, ele deslegitima as conquistas LGBTs e raciais, e dá mais espaço ao preconceito e a todo esse conservadorismo hipócrita, que na verdade só gera mais violência e dor”, salientou Evelyn.

A diretora também critica a postura complacente do presidente do BB, Rubem Novaes. “Novaes está sempre de acordo com Bolsonaro e já mostrou a que veio. Parece não ter problema em seguir as ordens do chefe, mesmo quando elas reforçam preconceitos ou vão contra os interesses do próprio banco na sua estratégia de mercado. Ainda que a gente defenda o BB público, voltado para o povo e não para o mercado, a estratégia do Bolsonaro não é desalinhá-lo do mercado para fortalecê-lo como público, ao contrário, é desmontar o BB. Nesse sentido, ter um presidente que age contra a própria empresa só reforça essa perspectiva de desmonte”.

 

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