Arte e cultura enriquecem debates na Conferência Estadual dos Bancários

Bancários e bancárias utilizaram intervenções culturais como forma de sensibilização e reflexão durante os espaços do evento. Coletivos artísticos também foram convidados a participar.

A Conferência Estadual dos Bancários e das Bancárias contou com uma série de atividades culturais que buscaram interlocução com os debates políticos propostos e com a luta dos trabalhadores. Da abertura ao encerramento, intervenções artísticas convidaram os presentes a refletir sobre a resistência da classe operária, dos povos africanos e indígenas. A proposta, além de sensibilizar os participantes de forma lúdica, parte de uma concepção e de um compromisso político da gestão em trabalhar a arte e a cultura como ferramentas de transformação social.

“Procuramos dialogar sempre com a resistência. Para isso, nos espelhamos no povo negro, na sua dança, sua cor; nos indígenas, pelas tradições, fala, ancestralidade, sincretismo; nos exemplos das revoluções populares, como em Cuba, resgatando o simbolismo de Che Guevara, por exemplo. Entendemos que nossa luta é internacional, e deve mover e unir todos os povos oprimidos”, diz a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Lucimar Barbosa.

Noite afro

Centrada na cultura afro, a noite cultural do primeiro dia da Conferência Estadual dos Bancários e das Bancárias proporcionou um encontro com diversas manifestações artísticas: performances, danças, leitura de poesias e muita música.

Os coletivos Afro-Tons e Afronta Cia de Expressões Artísticas de Mulheres Negras foram os convidados. O Afro-Tons realizou um sarau de poesia e música negra, com objetivo de divulgar e difundir manifestações artísticas da comunidade afro-brasileira e africana. A apresentação teve a instalação de um varal de poesias com trabalhos de escritores e escritoras negras brasileiros e de escritores e escritoras que figuram na literatura africana de língua portuguesa.

A ideia do coletivo, liderado por Cibele Verrangia e Maikel Dias, é propagar e divulgar esses artistas, mas não se restringe a isso.  A instalação do sarau contou com um círculo de leituras, convidando as pessoas que estavam assistindo a ocupar esse espaço e a serem protagonistas do momento por meio da leitura dos trabalhos expostos. “Trabalhamos a cultura negra na perspectiva do fortalecimento dessa identidade e dessas manifestações artísticas. A gente disponibiliza o varal pra que, na dinâmica, as pessoas possam também “emprestar” o seu corpo pra fazer com que a arte exista”, explica Cibele.

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A Afronta Cia de Expressões Artísticas de Mulheres Negras, por sua vez, atua na perspectiva de construção de saberes e de empoderamento de mulheres negras a partir das diferentes manifestações artísticas, configurando-se como um grupo de dança, mas integrando o teatro, a poesia, a música e a performance. Tudo com uma vertente política, uma vez que a ideia é pensar em como a arte pode existir na formação de subjetividades e identidade da mulher negra.

O grupo trouxe para a Conferência a apresentação de um espetáculo composto por quatro coreografias que mesclaram dança e poesia, intitulado “Xirê: na roda da força”. As integrantes costumam chamar suas apresentações de “performance-ação” pela intenção política do ato, voltado para a construção de identidades  e desconstrução de preconceitos e estereótipos, principalmente os relacionados ao corpo da mulher negra.

Instituto das Pretas

Também estava presente na Noite Afro um espaço de venda de roupas e acessórios do Instituto das Pretas, associação de mulheres negras do Espírito Santo que objetiva empoderar a mulher negra e suas famílias e, dentre outros projetos, possui a loja colaborativa afrocentrada, localizada no centro de Vitória.

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Em funcionamento desde fevereiro deste ano, a iniciativa é a primeira loja colaborativa de afroinspiração do estado. As idealizadoras contam que a inspiração veio depois de conversarem e absorverem algumas influências na Feira Preta, realizada em São Paulo. “Nós tivemos a honra de ser a primeira loja afro centrada do estado e a única loja colaborativa com 100% de empreendedoras negras”, contam.

Homenagem aos povos da América Latina

A imagem de Che Guevara foi resgatada na mística apresentada na segunda noite cultural da Conferência, em homenagem aos povos latino-americanos.  A intervenção da noite trouxe à tona a reflexão sobre a necessidade de sermos cada um sementes da revolução, cultivando novas práticas e relações. Destacou também a necessidade de nos organizarmos coletivamente por uma transformação maior, que promova a liberdade, o fim das classes sociais e pleno desenvolvimento da sociedade de forma sustentável.

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Ciranda

As mães e pais acompanhados de filhos com idade entre três e dez anos contaram com o apoio  de uma equipe de acompanhamento para as crianças durante o horário das atividades. Tudo isso para viabilizar a participação de mães e pais no evento com tranquilidade. As atividades da Ciranda resgataram brincadeiras infantis tradicionais e também trabalharam elementos das culturas indígena e africana, integrando os pequenos à proposta cultural da Conferência. Dentre as atividades recreativas e educativas, as crianças participaram de uma oficina de bonecas abayomi, símbolo de resistência e tradição do povo negro.

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