As manifestações demonstram um avanço da resistência popular

Por Jorge Almeida, professor do Departamento de Ciência Política da FFCH-UFBA e Doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas A ebulição social e política das últimas semanas no Brasil tem uma grande diversidade social e temática e reflete o preenchimento do vácuo dos movimentos sociais que se burocratizaram desde a chegada do PT ao governo federal, […]

Por Jorge Almeida, professor do Departamento de Ciência Política da FFCH-UFBA e Doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas

A ebulição social e política das últimas semanas no Brasil tem uma grande diversidade social e temática e reflete o preenchimento do vácuo dos movimentos sociais que se burocratizaram desde a chegada do PT ao governo federal, em 2003. Houve um acúmulo de insatisfações que tiveram como estopim a luta pela diminuição das tarifas, seguida pela repressão desproporcional das PMs. Porém, mais cedo ou mais tarde, começaria por outro fato estimulador.

No começo do governo Lula houve um enfraquecimento dos movimentos sociais, que se tornaram mais moderados ao passarem a apoiar o governo e deixar de mobilizar as suas bases. Ao mesmo tempo, o governo Lula representou o fortalecimento da hegemonia do grande capital no Brasil. Pois a hegemonia não é apenas uma dominação pela força, mas também a construção de consensos.

Organizações como a UNE, o PT, o PCdoB, a CUT e outras lutavam e dificultavam a hegemonia burguesa e dois fatos importantes ocorrem no pós-Lula. Houve um pequeno o aumento do poder de consumo da população, mesmo sem diminuir a desigualdade social profunda do país. E as grandes organizações sociais que eram contestadoras passaram a defender o governo e a própria ordem social capitalista. Estes dois fatores fizeram com que a hegemonia da ordem burguesa tenha ficado mais estável.

Mas, como a desigualdade e a injustiça social continuam, e são agravados com piora da crise mundial do capitalismo, o povo está procurando outros canais de luta. A resistência popular que já estava presente dá um avanço muito importante. Mas ainda sem uma direção clara.

Diante disso, a presidenta Dilma e os políticos governistas ou da oposição de direita procuram dar satisfações ao povo. Apressam-se em votar questões pendentes no Congresso Nacional e assembleias estaduais, procuram priorizar alguns pontos limitados de reforma política e falam num plebiscito. Mas não pensam em dar condições de verdadeiro debate democrático nem apresentam soluções para os problemas estruturais do país.

 Assim, o resultado deste processo vai depender, acima de tudo, da capacidade do movimento combativo sindical, popular e da juventude manter as lutas, a presença nas ruas e aprofundarem sua unidade e objetivos comuns.

 

 Publicado no jornal Correio Bancário N° 912, em julho de 201

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