Audiência pública em Colatina reúne moradores atingidos pelo rompimento da barragem em Mariana/MG

  Na noite dessa quinta-feira, 17, moradores de Colatina e de outras cidades atingidas pelo rompimento da Barragem em Mariana (MG), pertencente à Samarco/Vale/BHP, participaram da audiência pública realizada pelos Ministérios Públicos Federal, Estadual (MP-ES) e do Trabalho (MPT). Apesar de terem sido intimados pelos Ministérios Públicos, a Samarco, Vale e a BHP não enviaram […]

 

Na noite dessa quinta-feira, 17, moradores de Colatina e de outras cidades atingidas pelo rompimento da Barragem em Mariana (MG), pertencente à Samarco/Vale/BHP, participaram da audiência pública realizada pelos Ministérios Públicos Federal, Estadual (MP-ES) e do Trabalho (MPT). Apesar de terem sido intimados pelos Ministérios Públicos, a Samarco, Vale e a BHP não enviaram sequer um representante.

A audiência também foi marcada pelo descaso do poder público. O Governador do Estado, Paulo Hartung, os prefeitos de Linhares – Jair Correa (PDT)-, Colatina – Leonardo Deptulski (PT) – e Marilândia, Osmar Passamani (PMDB) não compareceram e não encaminharam representantes.

Dentre as denúncias dos moradores está o difícil acesso à água mineral fornecida pela Samarco, uma vez que a distribuição é realizada no horário de expediente dos trabalhadores. A contaminação da água, a incerteza sobre os males que o consumo dessa água pode causar à população e as graves consequências da morte do Rio Doce também foram discutidos durante a audiência.

Além dos moradores da região, a atividade contou com a participação dos sindicatos dos trabalhadores de Colatina, dentre eles o Sindibancários/ES, da Frente Capixaba de Lutas, do Fórum Capixaba de Defesa da Bacia do Rio Doce, da Via Campesina, do Movimento Atingido por Barragens (MAB), de associações de moradores, dentre outras organizações sociais. Diante do descaso da Samarco e de suas controladoras – Vale e BHP – os líderes dos movimentos sindicais e sociais destacaram a importância de manter viva e forte a mobilização da sociedade civil.

Audiência Colatina 1

A diretora do Sindibancários e moradora de Colatina, Goretti Barone, denunciou o descaso da Samarco com a população

 

“A ausência da Samarco/Vale/BHP e do poder público, além de desrespeito é um descaso com o sofrimento da população atingida por esse crime. Eles não vieram nos ouvir. Denunciamos todo o problema causado pela má distribuição da água, uma vez que a Samarco não dialoga e impõe ordens que não atendem aos moradores. Por isso, esse é o momento de resgatar a organização e a solidariedade da sociedade. Não é apenas uma questão de sobrevivência, o Rio Doce é a alma da cidade, é uma questão de identidade”, enfatizou a diretora do Sindibancários/ES, Goretti Barone.

O dano causado pelo rompimento da barragem ainda é incalculável, mas por onde passou a lama matou a fauna e a flora. O crime ambiental causado pela Samarco/Vale/BHP representou o despejo de ao menos 40 bilhões de litros de dejetos no Rio Doce e, consequentemente, no mar. Durante a audiência, o advogado André Moreira, representando a Frente Capixaba de Luta, reivindicou junto aos Ministérios Públicos que todas as medidas sejam tomadas para punir as empresas responsáveis.

“As empresas não podem sair ilesas desse crime ambiental que cometeram, que é o maior da história do Brasil. E é preciso exigir que o fundo constituído não tenha na gestão a participação desses violadores de direitos, pois seria como pegar o criminoso e colocar ele para gerir a atividade. Além disso, se a Samarco fizer parte da gestão desse fundo, ao final ainda fará propaganda como gestora de garantias ambientais, e com nosso dinheiro, com nossa miséria”, denunciou Moreira.

Distribuição de água

A incerteza sobre a qualidade da água preocupa os moradores. Qual o impacto dos metais presentes na água à saúde? Quando a água poderá ser usada para irrigação? Essas ainda são perguntas sem repostas. Por isso, a população exige que a Samarco continue fornecendo água mineral por tempo indeterminado. Os Misnistérios Públicos entraram com recurso para que esse atendimento seja garantido e obtiveram êxito na ação.

“Em audiência realizada no MPT/ES realizada no último dia 10, a Samarco informou que independente da decisão judicial estaria aberta ao diálogo, que pretendia manter a distribuição de água mineral e não romperia o fornecimento de água de forma abrupta. Mas, agora a empresa diz que a partir do dia 20 terá dificuldades em fornecer água mineral para a população. Nós, do movimento sindical dos trabalhadores, informamos à Samarco que se o abastecimento de água for interrompido haverá manifestação nas ruas e o caos social será instalado em Colatina”, ressaltou Goretti Barone.

Reivindicações

Os sindicatos dos trabalhadores e organizações sociais de Colatina apresentaram uma série de reivindicações durante a audiência. Dentre elas:

• Instituição permanente de uma comissão para elaboração de laudos técnicos e independentes, inclusive de caráter toxicológico.
• Instituição de uma mesa permanente de negociação das reivindicações.
• Urgente revitalização da bacia do Rio Doce o tratamento do esgoto das cidades que vivem no entorno do rio.
• Rigorosa aplicação das leis e a punição dos responsáveis.
• Intervenção do poder público na fiscalização para a garantia do não rompimento das barragens de São Germano e Santarém.
• Construção de sistema alternativo de captação de água em Colatina.
• Água de boa qualidade no sistema de distribuição pública.
• Suspensão da cobrança da conta de água de todas as famílias atingidas.
• Convocam toda a sociedade para acompanhar no Congresso Nacional a tramitação do projeto de lei 5807/13, que discorre sobre marco regulatório da mineração. É importante estar atento e pressionar os deputados a votarem contrários ao projeto, uma vez que permite a exploração do minério de forma ainda mais irresponsável.

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