Bancários aprovam proposta da Fenaban e acordos específicos do BB e Caixa

Reunidos em assembleia geral nesta sexta-feira, 11, no Centro Sindical da categoria, os bancários aprovaram contraproposta da Fenaban que eleva para 8,0% o índice de reajuste sobre os salários e as verbas, e para 8,5% sobre o piso salarial. A proposta de PLR foi mantida em 90% do salário, mais parcela fixa de R$ 1.694,00 […]

Reunidos em assembleia geral nesta sexta-feira, 11, no Centro Sindical da categoria, os bancários aprovaram contraproposta da Fenaban que eleva para 8,0% o índice de reajuste sobre os salários e as verbas, e para 8,5% sobre o piso salarial. A proposta de PLR foi mantida em 90% do salário, mais parcela fixa de R$ 1.694,00 (limitado a R$ 9.011,76), com aumento da PLR adicional, que passa de 2% para 2,2% do lucro líquido, dividido linearmente

“Foram necessários 23 dias de greve para arrancar dos banqueiros uma proposta que garantisse avanços importantes na Convenção Coletiva dos Trabalho (CCT). A unidade e a mobilização da categoria foram fundamentais nesta Campanha Salarial, fazendo dessa greve uma das mais fortes dos últimos anos”, diz Carlos Pereira de Araújo, coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES e membro do Comando Nacional de Negociação.

Com debate acirrado, são aprovados acordos específicos de BB e Caixa

Após forte debate que apontava para posições divergentes sobre as propostas, os bancários dos bancos públicos federais aprovaram os acordos específicos da Caixa e do Banco do Brasil. A orientação da diretoria do Sindicato/ES foi pela rejeição das proposta e manutenção da greve, mas a maioria da plenária votou pela aprovação, colocando fim ao movimento paredista.

Por orientação do Banco, os gerentes compareceram em peso na assembleia e conseguiram impor a posição das instituições financeiras. Eles foram criticados pelos colegas. “A aprovação dessa proposta rebaixada é uma derrota para os bancários da Caixa e do BB que, depois de uma luta tão intensa, são vencidos pelos colegas gerentes, que aprovam uma proposta que não atende minimamente as reivindicações das minutas específicas dos bancos públicos. Isso significa que a nossa luta continua. Temos ainda muitos desafios e vamos em busca de novas conquistas”, afirma a diretora Rita Lima.

Banco do Brasil

Na votação específica dos trabalhadores do BB,  foram 42 votos a favor da proposta de acordo  e 24 contrários. Para a diretora do Sindicato, Goretti barone, a proposta é insatisfatória.”Essa proposta é vergonhosa, não queremos apenas salários, queremos dignidade, e temos muito o que avançar no BB para garantir condições de trabalho adequadas.

Thiago Duda, também diretor do Sindicato, compartilha a opinião e lamenta a decisão. “Essa proposta não traz nenhum grande avanço, apenas questões que poderiam ser resolvidas nas mesas temáticas, não fosse a truculência de uma das piores gestões do BB, em todos os seus 205 anos. Com 23 dias de greve deveríamos ter um acordo que garantisse respeito, o combate efetivo ao assédio moral, às metas e o atendimento efetivo das reivindicações dos bancários. Isso nós não conseguimos alcançar”, afirma Thiago.

Conheça o Acordo específico do BB

Caixa

A votação dos bancários da Caixa foi mais acirrada, com 36 votos pela aprovação e 31 pela rejeição da proposta do banco.

“Digo com tristeza que nunca vi tamanho desrespeito com os trabalhadores em greve. Esse acordo é imoral, indecente. São os trabalhadores desse banco que fazem da Caixa um dos maiores bancos que atuam neste País, mas ainda assim não são em nada valorizados.   Essa proposta não nos atende em nossas principais pautas, como revisão da estrutura das Reret´s; isonomia para os bancários, com ATS para pós 98; assinatura de ponto para os gerentes; revisão dos modelos de PSI; fim do banco de horas e contratação de mais empregados para melhorar as condições de trabalho”, diz Rita.

A diretora Renata Garcia também criticou a decisão. “É absurdo votarmos uma proposta que sequer foi discutida nacionalmente, por intransigência do banco. É um desrespeito completo. Os trabalhadores da Caixa estão no limite. Os tesoureiros estão sendo massacrados, adoecendo a cada dia, não podemos mais aceitar essa situação. O nosso desafio daqui pra frente será ainda maior e temos que ter a certeza de que a única solução é a luta coletiva”, conclui Renata.

Veja na íntegra a proposta da Caixa

 

Proposta da Fenaban

Reajuste: 8,0% (1,82% de aumento acima da inflação).
> Pisos: Reajuste de 8,5% (ganho de 2,29% sobre a inflação). 
– Piso de portaria após 90 dias: R$ 1.148,97.
– Piso de escriturário após 90 dias: R$ 1.648,12.
– Piso de caixa após 90 dias: R$ 2.229,05 (que inclui R$ 394,42 de gratificação de caixa e R$ 186,51 de outras verbas de caixa). 

PLR regra básica: 90% do salário mais valor fixo de R$ 1.694,00 (reajuste de 10%), limitado a R$ 9.087,49. Se o total apurado ficar abaixo de 5% do lucro líquido, será utilizado multiplicador até atingir esse percentual ou 2,2 salários (o que ocorrer primeiro), limitado a R$ 19.825,86.

PLR parcela adicional: aumento de 2% para 2,2% do lucro líquido distribuídos linearmente, limitado a R$ 3.388,00 (10% de reajuste). 

Antecipação da PLR até 10 dias após assinatura da Convenção Coletiva: na regra básica, 54% do salário mais fixo de R$ 1.016,40, limitado a R$ 5.452,49. Da parcela adicional, 2,2% do lucro do primeiro semestre, limitado a R$ 1.694,00. O pagamento do restante será feito até 3 de março de 2014.

Auxílio-refeição: de R$ 21,46 para R$ 23,18 por dia.

Cesta-alimentação: de R$ 367,92 para R$ 397,36.

13ª cesta-alimentação: de R$ 367,92 para R$ 397,36.

Auxílio-creche/babá: de R$ 306,21 para R$ 330,71 (para filhos até 71 meses). E de R$ 261,95 para R$ 282,91(para filhos até 83 meses).

Requalificação profissional: de R$ 1.047,11 para R$ 1.130,88.

Adiantamento emergencial: Não devolução do adiantamento emergencial de salário para os afastados que recebem alta do INSS e são considerados inaptos pelo médico do trabalho em caso de recurso administrativo não aceito pelo INSS.

Gestores ficam proibidos de enviar torpedos aos celulares particulares dos bancários cobrando cumprimento de resultados. 

Abono-assiduidade (nova cláusula): 1 dia de folga remunerada por ano.

Vale-cultura (nova cláusula): R$ 50,00 mensais para quem ganha até 5 salários mínimos, conforme Lei 12.761/2012.

Prevenção de conflitos no ambiente de trabalho – Redução do prazo de 60 para 45 dias para resposta dos bancos às denúncias encaminhadas pelos sindicatos, além de reunião específica com a Fenaban para discutir aprimoramento do programa.

Adoecimento de bancários – Constituição de grupo de trabalho, com nível político e técnico, para analisar as causas dos afastamentos.

Compromissos

Inovações tecnológicas – Realização, em data a ser definida, de um Seminário sobre Tendências da Tecnologia no Cenário Bancário Mundial.

Prevenção de conflitos no ambiente de trabalho – Reunião específica para discutir

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