Bancários capixabas aprovam fim da greve

Os bancários capixabas aprovaram a proposta de Convenção Coletiva de Trabalho e decidiram encerrar a greve após 21 dias de movimento. Na assembleia realizada nesta segunda-feira, 26, no Centro Sindical, foram 302 votos a favor da proposta e 214 contra, além de cinco abstenções. O retorno ao trabalho nas agências será nesta terça-feira, 27 de […]

Os bancários capixabas aprovaram a proposta de Convenção Coletiva de Trabalho e decidiram encerrar a greve após 21 dias de movimento. Na assembleia realizada nesta segunda-feira, 26, no Centro Sindical, foram 302 votos a favor da proposta e 214 contra, além de cinco abstenções. O retorno ao trabalho nas agências será nesta terça-feira, 27 de outubro.

“A proposta foi insuficiente diante da rentabilidade do setor financeiro (R$ 36 bilhões no primeiro semestre deste ano). Temas importantes, como o fim das demissões imotivadas, assédio moral e contratações de mais bancários foram ignorados pelos bancos, mas nossa negociação envolve todo o país, e a orientação do Comando Nacional foi a aceitação, por isso a posição trazida pelo Sindicato foi a aprovação do acordo”, afirmou o coordenador geral do Sindibancários/ES e membro do Comando Nacional, Jessé Alvarenga.

A proposta global foi apresentada no último sábado, 24, pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Além do reajuste de 10% para salários, PLR e piso, e de 14% para os vales refeição alimentação, a proposta prevê a compensação dos dias de greve sendo uma hora diária até 15 de dezembro, a contar a partir da assinatura da Convenção. Em relação às cláusulas de saúde, os bancos apresentaram um termo de entendimento a ser assinado entre os seis maiores bancos e o movimento sindical bancário com mesas específicas para tratar de ajustes na gestão das instituições. As comissões de empresa acompanharão para garantir a melhoria das condições de trabalho.

 “A avaliação da greve é positiva. Os bancos queriam impor um arrocho salarial, sem sequer recompor a perda inflacionária. Foi a pressão dos bancários que fez a Fenaban sair dos 5,5% e chegar aos 10%, que ainda é muito pouco se comparado ao lucro dos bancos. O erro da maioria do Comando Nacional foi aceitar a proposta e indicar a aceitação. Como temos a responsabilidade política de defender a categoria organizada nacionalmente, seguimos a orientação”, afirmou o diretor de Imprensa do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo (Carlão) .

Banco do Brasil

O Acordo Coletivo proposto pelo Banco do Brasil também foi aprovado na assembleia de hoje por 62 votos a favor e 55 contra. O Sindicato orientou a rejeição da proposta. “Entendemos que o BB não avançou em nada nas cláusulas sobre as condições de trabalho, Cassi e outras demandas específicas que afligem os bancários. Esse era o momento de buscar pressionar o banco”, afirmou o diretor do Sindicato Thiago Duda. Na sua avaliação, o saldo positivo da greve foi o processo que se construiu no decorrer do movimento, com a crescente adesão e a sensibilização dos bancários.

Caixa Econômica Federal

Na Caixa Econômica Federal, o debate foi acirrado. O Sindicato defendeu a rejeição da proposta e a continuidade da greve. A primeira votação ficou empatada.  Mas na segunda, foi aprovada por 122 a 114 votos. “A proposta da Caixa é muito ruim, não atendeu nenhuma reivindicação da categoria, os problemas cotidianos que os empregados enfrentam continuarão existindo; todas as agências sofrem com a falta de pessoal e o banco sequer garantiu a contratação de mais empregados”, criticou a diretora do Sindicato Lizandre Souza Borges.

Movimento patronal

Durante a assembleia, bancários relataram um movimento patronal na Caixa e no Banco do Brasil de pressão sobre gestores para que comparecessem ao Centro Sindical com o propósito de por fim à paralisação. “Somos todos bancários e participar da assembleia é, antes de tudo, um direito dos trabalhadores. O lamentável é ver os bancos tentando se utilizar disso para desmobilizar a categoria. Mas não permitiremos qualquer tentativa de nos dividir. Os empregados da Caixa e do Banco do Brasil saem unidos de mais essa greve”, afirmou a diretora do Sindicato Lizandre Souza Borges.

Proposta da Fenaban aprovada

Reajuste: 10%

Pisos: Reajuste de 10%

– Piso de portaria após 90 dias: R$1.377,62

– Piso de escriturário após 90 dias: R$1.976,10

– Piso de caixa após 90 dias: R$2.669,45 (que inclui R$470,75 de gratificação de caixa e R$222,60 de outras verbas de caixa).

PLR regra básica: 90% do salário mais valor fixo de R$2.021,79, limitado a R$10.845,92. Se o total apurado ficar abaixo de 5% do lucro líquido, será utilizado multiplicador até atingir esse percentual ou 2,2 salários (o que ocorrer primeiro), limitado a R$23.861,00.

PLR parcela adicional: 2,2% do lucro líquido distribuídos linearmente, limitado a R$4.043,58.

Antecipação da PLR até 10 dias após assinatura da Convenção Coletiva: na regra básica, 54% do salário mais fixo de R$1.213,07 limitado a R$6.507,55. Da parcela adicional, 2,2 % do lucro líquido do primeiro semestre, limitado a R$2.021,79.  O pagamento do restante será feito até 01 de março de 2016.

Auxílio-refeição: de R$26 para R$29,64 por dia.

Cesta-alimentação: de R$431,16 para R$491,52

13ª cesta-alimentação: de R$431,16 para R$491,52

Auxílio-creche/babá: de R$ 358,82 para R$394,70 (para filhos até 71 meses). E de R$306,96 para R$337,66 (para filhos até 83 meses).

Requalificação profissional: de R$ 1.227,00 para R$1.349,70

Compensação dos dias de greve: uma hora diária até 15 de dezembro, a contar a partir da assinatura da Convenção. Dessa forma, serão abonados 63% das horas dos trabalhadores de 6 horas, de um total de 84 horas, e 72% para os trabalhadores de 8 horas, de um total de 112 horas.

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