Bancários da Caixa comemoram 30 anos da conquista da jornada de seis horas

O dia 30 de outubro de 1985 entrou para a história das lutas dos bancários e bancárias da Caixa. Nessa data aconteceu a greve de 24 horas por meio da qual os trabalhadores e trabalhadoras alcançaram conquistas históricas: o direito à jornada de seis horas, o reconhecimento como bancários (antes eram chamados de economiários) e […]

O dia 30 de outubro de 1985 entrou para a história das lutas dos bancários e bancárias da Caixa. Nessa data aconteceu a greve de 24 horas por meio da qual os trabalhadores e trabalhadoras alcançaram conquistas históricas: o direito à jornada de seis horas, o reconhecimento como bancários (antes eram chamados de economiários) e o direito à sindicalização. As mobilizações que culminaram nessas conquistas remontam ao ano de 1981, quando a Caixa admitiu 20 mil escriturários básicos por meio de concurso com uma remuneração de 50% menor que a dos funcionários que já trabalhavam na instituição.

Essa realidade causou indignação nos trabalhadores, que passaram a reivindicar isonomia de tratamento. Em virtude das mobilizações, a Caixa realizou, em 1984, dois processos seletivos internos para possibilitar o enquadramento de 4 mil dos 20 mil escriturários básicos, excluindo 16 mil deles. Isso fez com que, em São Paulo, alguns bancários se negassem a fazer as provas como forma de protesto. Essa recusa resultou na demissão desses trabalhadores e numa grande mobilização pela sua reintegração, pelo enquadramento dos 20 mil escriturários aprovados no concurso, pela jornada de seis horas, pelo reconhecimento dos funcionários da Caixa enquanto bancários e pelo direito à sindicalização.

No Espírito Santo, os trabalhadores e trabalhadoras também participaram ativamente das mobilizações. É o que conta a bancária aposentada Bernadeth Martins. Segundo ela, havia um grande desejo por parte dos funcionários da Caixa de serem reconhecidos enquanto integrantes da categoria bancária. “Antes mesmo de sermos reconhecidos como bancários, muitos de nós participávamos das assembleias do Sindicato para pedir o apoio dos colegas para a nossa luta, e auxiliávamos a fechar agências bancárias durante a greve, pois já nos sentíamos bancários”, recorda.

Botom das 6 horas 

Marca da campanha pela jornada de seis horas

 

O Sindicato dos Bancários, junto com a APCEF/ES, encampou a luta dos trabalhadores da Caixa. “Mas antes, os funcionários da Caixa tiveram que disputar as APCEFs. As associações tinham um caráter recreativo. Quando vencemos a disputa elas passaram a ter um caráter mais político, mais combativo”, relata. Ela destaca que entre as ações de mobilização que contribuiram para as conquistas históricas está a coleta de abaixo-assinado e envio das assinaturas para o Congresso Nacional.

Um mês depois da greve, no dia 30 de novembro, foi aprovada no Congresso Nacional a lei 4.111-4, de autoria do então deputado Léo Simões, que assegura a jornada de seis horas para os trabalhadores e trabalhadoras da Caixa. A lei foi sancionada pelo então presidente José Sarney, em 17 de dezembro daquele ano. No dia seguinte, o Diário Oficial da União trouxe a garantia do direito à sindicalização a todos os empregados da Caixa, viabilizada com a alteração do parágrafo único do artigo 556 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Para a diretora do Sindibancários e aposentada da Caixa, Rita Lima, que participou da luta pela jornada de seis horas, os bancários que estão na ativa têm um compromisso muito importante: manter-se mobilizados para que essa conquista seja mantida. “A jornada de seis horas é uma vitória muito importante para os bancários da Caixa, mas os banqueiros fazem de tudo para criar mecanismos para burlar ou descaracterizar esse direito. Os mais novos, que herdaram essa conquista, devem lutar para que ela não seja perdida”, defende Rita.

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