Bancários da Caixa avaliam conjuntura e definem reivindicações para a Campanha

Defesa da Caixa 100% pública, contratação de mais empregados e o fortalecimento da Funcef estão entre os eixos aprovados.

Reunidos no congresso específico, bancários e bancárias da Caixa da ativa e aposentados do Estado discutiram as reivindicações e estratégias para a Campanha Salarial 2016, nesse sábado,21. O debate contou com a presença da representante suplente dos empregados no Conselho de Administração da Caixa e coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, Maria Rita Serrano, e da coordenadora da Comissão dos Empregados (CEE/Caixa) Fabiana Matheus.

Dentre os principais eixos das reivindicações aprovadas estão a defesa das seis horas, dos bancos públicos, ampliação imediata do número de empregados e empregadas, fim do programa de Gestão por Desempenho de Pessoas, reposição das perdas, cancelamento de todo o processo de reestruturação e o arquivamento do Projeto de Lei 4918 (PLS 555). A proposta de minuta será levada para discussão e aprovação no 32º Congresso Nacional dos Bancários da Caixa pelos delegados e delegadas capixabas eleitos neste sábado.

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Desafios da conjuntura

O avanço de pacote de medidas e projetos no Congresso Nacional que ameaçam os direitos dos trabalhadores e as estatais, como a Caixa, foi discutido durante o debate de análise de conjuntura. Com o governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB), esses ataques ganham ainda mais força, como destacou a coordenadora da Comissão dos Empregados (CEE/Caixa), Fabiana Matheus.

“O golpe que se deu nesse país é inaceitável. Vivemos uma insegurança política e jurídica e nós, trabalhadores, estamos nesse meio de desrespeito às leis. Esse grupo que tomou o poder sequer respeitou a constituição, será que vai respeitar um acordo coletivo? Esse governo trata a Previdência como um custo e não como política de bem estar social. Precisamos, enquanto cidadãos, nos incorporamos à luta diária para denunciar a situação que vivemos”, enfatizou.

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A urgente necessidade de unidade e mobilização dos trabalhadores, em especial da categoria bancária, foi destacado pelo diretor do Sindibancários/ES, Vinícius Moreira. “Esse é um encontro importante, momento de organizar a resistência a esses ataques. Esse governo ilegítimo de Temer mostra que não veio para ser interino, veio para acelerar um processo que já estava em curso. O que vão fazer é atacar os trabalhadores, com retirada de direito. Agora, mais do que nunca, precisamos montar nossa estratégia de resistência”.

Balanço da Campanha 2015

Antes de traçar as estratégias para a luta deste ano, os bancários e bancárias da Caixa avaliaram a Campanha Salarial de 2015. “A Caixa foi para a mesa de negociação para derrotar os trabalhadores. A única coisa que o banco colocava era a manutenção da PLR, não havia margem para negociação de nenhum dos pontos específicos. A Caixa chegou a deixar a mesa de negociação e retornar para a Brasília. Dado o que estava colocado, conseguimos conquistar alguns pontos importantes, como o fim dos 15 minutos de intervalo para as mulheres e a devolução dos dias descontados em mobilizações em defesa da Caixa 100% pública e contra a terceirização”, avaliou Fabiana Matheus.

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A diretora do Sindibancários/ES, Renata Garcia, destacou a forte participação das empregadas e dos empregados durante o movimento grevista.

“Valeu a luta sim, pela coragem, determinação e participação dos bancários e bancárias. Mas criticamos a forma como nossas greves têm sido conduzidas e o fato de importantes reivindicações terem ficado de fora da pauta, como o fim das metas e a reposição das perdas. Por isso, é preciso repensar nossa Campanha, nossa forma de organização, de negociação e de fazer a luta”, avaliou a diretora do Sindibancários/ES, Renata Garcia.

Déficit da Funcef

O déficit da Funcef também foi tema de debate durante o Congresso. A eleição de diretores que não reconhecem as entidades representativas de trabalhadores, a mudança na resolução de equacionamento do déficit e as causas distorcidas do déficit apresentadas pela CPI foram apontados como os principais entraves na luta pelo fortalecimento da Funcef.

“A mudança na resolução beneficia somente o patrocinador, uma vez que ele poderá postergar o equacionamento quando houver o déficit e se apropriar rapidamente do superávit, quando ocorrer. Outro problema é a CPI, que coloca as melhorias feitas nos planos dos benefícios, os aumentos reais do plano saldado e a retirada de limite de idade como causas do déficit. Isso é uma falta de respeito com os aposentados, principalmente com aqueles que amargaram oito anos sem reajuste. O cenário, portanto, aponta para um conservadorismo arriscadíssimo para alocação dos nossos recursos”, pontuou Fabiana Matheus.

A defesa pelo fortalecimento de uma gestão transparente e democrática da Funcef está nas mãos dos empregados e empregadas da Caixa, como destacou a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

“Temos uma luta árdua para que possamos cobrar desses diretores eleitos a defesa dos interesses dos empregados e não de quem eles estão representando. Precisamos ter olhos mais atentos para cobrar que se posicionem em defesa da categoria e do fortalecimento da Funcef”.

32º Conecef

A proposta de minuta aprovada pelos bancários capixabas será discutida e votada no 32º Conecef, a ser realizado de 17 a 19 de junho, em São Paulo.

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