Bancários da Caixa são convocados para Dia Nacional de Luta por Isonomia

A conquista da isonomia é uma das principais bandeiras dos bancários da Caixa na Campanha Nacional 2014. Para mobilizar a categoria e pressionar os banqueiros, nesta quinta-feira, 11, será o Dia Nacional de Luta por Isonomia. Todos os bancários da Caixa devem usar a camisa vermelha como uma forma de mostrar a união e disposição […]

A conquista da isonomia é uma das principais bandeiras dos bancários da Caixa na Campanha Nacional 2014. Para mobilizar a categoria e pressionar os banqueiros, nesta quinta-feira, 11, será o Dia Nacional de Luta por Isonomia. Todos os bancários da Caixa devem usar a camisa vermelha como uma forma de mostrar a união e disposição da categoria para conquistar esse direito. O Dia de Luta foi uma das propostas aprovadas pelos 110 delegados de todo o país que participaram do 3° Encontro Nacional de Isonomia, realizado no dia 30 de agosto, em Brasília.

Tendo em vista o período eleitoral, este ano é o momento decisivo para a conquista da igualdade de direitos pelos bancários da Caixa. Mas essa vitória virá somente com a forte participação dos bancários e bancárias Pós – 98, que hoje já representam 70% do quadro de empregados. Por isso, a luta pela isonomia foi aprovada como carro chefe da Campanha Nacional dos bancários da Caixa neste ano. Durante o 3° Encontro, também foi aprovado o calendário permanente de luta, com previsão de encontros estaduais, regionais e nacionais, durante todo o ano.

“Somente reconquistaremos nossos direitos por meio da luta, com unidade expressiva e participação em massa. Apenas com a mobilização permanente vamos construir uma cultura de respeito à igualdade de direitos e de resistência à exploração. É preciso que o movimento inicie pela base e, por isso, convocamos todos os bancários e bancárias para participar do Dia Nacional de Luta e dos encontros que serão realizados”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Renata Garcia.

Desigualdade

Hoje na Caixa, os trabalhadores são divididos em duas condições de trabalho: Pré e Pós-98. Essa desigualdade propiciou uma precarização de direitos que atinge os dois lados. Os bancários Pós- 98 são enquadrados em uma estrutura utilizada para pressionar os salários e os direitos para baixo. Já os bancários e bancárias Pré-98 sofrem com a discriminação, por exemplo, nos PSI’s, pois são considerados trabalhadores “mais caros”.

A luta pela Isonomia

O 3° Encontro Nacional de Isonomia ocorreu por decisão do 30º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef), ocorrido no início de junho, em São Paulo (SP). O objetivo do encontro foi traçar estratégias de mobilização da categoria para pressionar a Caixa a atender a reivindicação dos bancários Pós-98, que hoje representam mais de 70% dos empregados do banco.

A programação do encontro contou com a apresentação do Projeto de Lei n° 6259/2005, pela deputada federal Erika Kokay (PT-DF), e do histórico da luta pela isonomia, pela representante suplente dos empregados da Caixa no Conselho de Administração, Maria Rita Serrano. O debate das propostas dos encontros estaduais e regionais ocorreu somente na parte da tarde, já que a maior parte do tempo foi destinado para a apresentação desses dois temas, prejudicando o debate sobre estratégias de organização e mobilização e propostas efetivas para a conquista do ATS e Licença Prêmio.

Apesar da realização do encontro ter sido resultado da pressão dos grupos Intersindical, Conlutas e Bancários Podem Mais no Conecef, de oposição à Artban, a destinação da maior parte do tempo para debater o PL n° 6259/2005 foi considerada um equívoco, como destaca Renata.

“A programação deixou claro que a centralidade do debate do encontro foi o PL 6259. Isso frustrou nossa expectativa de discutir e aprovar as propostas mais contundentes e comprometidas com a luta pela isonomia. Focar nesse projeto é uma desculpa para não avançar em outras importantes estratégias, pois não podemos resumir a luta pela isonomia ao Projeto de Lei. Precisamos construir uma articulação nacional, produzir materiais e realizar ações contínuas”, destacou.

Propostas

Dentre as propostas apresentadas pela delegação capixaba estava a de orientação da CEE em não aceitar a proposta da Caixa nas rodadas de negociação caso não haja avanço em um dos pontos da isonomia. Outra ação sugerida pelos delegados do estado foi a organização de caravanas para os locais das rodadas de negociação quando a isonomia for ponto de pauta. Mas, além do tempo reduzido para o debate, essas e outras propostas apresentadas não foram aprovadas.

“A postura da CEE frustrou nossas expectativas, pois essa era a hora de mostrar e fortalecer a luta pela isonomia. Mas a CEE mais uma vez se exime e não deixa claro o comprometimento com a luta”, frisou Renata.

Durante o encontro, a delegação capixaba apresentou moção de repúdio à organização do evento. Durante o Conecef, foi aprovado que o 3° Encontro Nacional de Isonomia seria realizado na mesma proporção de delegados do Conecf. Mas a organização do encontro definiu que o número de participantes seria menor do que já aprovado, esvaziando o encontro.

Outra moção dos delegados capixabas foi de repúdio ao deputado federal Devanir Ribeiro (PT/SP), relator do PL 6.259/2005, que votou contra a isonomia. Ao votar contra o PL, o deputado se coloca a favor do agravamento da precarização das condições de trabalho e divisão da categoria. As duas moções foram colocadas na mesa, mas não foram discutidas ou disponibilizadas para votação devido à falta de tempo.

O Sindicato dos Bancários/ES ficou responsável pela produção de um Boletim Nacional mensal sobre a luta pela isonomia. Os delegados capixabas assumiram essa responsabilidade diante da recusa da Fenae e Contraf/CUT em cumprir seus papéis.

Os delegados capixabas foram Núbio La Terza Revoredo, da Retec-VT, Vinícius Moreira da Silva, da Giret/Norte, e Renata Garcia, diretora do Sindibancários/ES. Também participaram do encontro como observadores os bancários Sandro Lúcio Martins Janiques, de Itapoã, Kerley Soares Herculano, de Linhares, Hermínia Andreia Almeida, da Praia da Costa, e Eduardo Stewart, de Carapina.

Histórico

Isonomia é uma das prioridades da Campanha Nacional 2014 da categoria bancária, sendo considerada imprescindível para corrigir uma grave injustiça da era Fernando Henrique Cardoso. Na Caixa, os focos da mobilização pela igualdade de direitos são o Adicional por Tempo de Serviço (ATS) – o chamado anuênio e a licença-prêmio, benefícios que não foram dados a todos que ingressaram no banco após 1998.

As distorções criadas por FHC, quando a Caixa estava na mira das privatizações, foram mantidas nos governos Lula/Dilma. Sob a alegação de que não há trâmite legal, que se trata de uma política do governo, a Caixa não aceita negociar o tema isonomia. “Além da recusa da Caixa em negociar, temos que lidar com a direção do movimento, cuja maioria tem ligação com o PT, sobretudo a corrente Artban/Cut, que considera a isonomia uma dívida do governo anterior, abrindo mão do seu papel de construir uma articulação nacional. Por isso, a conquista da igualdade de direitos virá somente com a forte mobilização da base ”, enfatiza Renata.

Cartilha

Os delegados do 3° Encontro Nacional de Isonomia receberam uma cartilha que detalha a luta por isonomia entre empregados da Caixa, com foco no ATS e na licença-prêmio. Foi deliberado que o material será distribuído pela CEE/Caixa – Contraf para as federações e sindicato.

Confira a cartilha.

Com informações da Fenae.

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