Caixa: bancários vão lutar em defesa do banco e da categoria

Bancários e bancárias capixabas da Caixa se reuniram no congresso específico para discutir e aprovar os eixos estratégicos da Campanha Salarial deste ano

Bancários aprovam a proposta de minuta específica que será levada para o Conefec, em junho (Foto: Sérgio Cardoso)

Defesa da Caixa 100% pública, Saúde Caixa e os impactos do novo estatuto e da reforma trabalhista  no acordo coletivo foram os principais temas de debate no congresso específico da Caixa, nesta sexta-feira, 20. O momento também foi de intensa discussão sobre os eixos estratégicos da Campanha Salarial deste ano, na luta pela garantia de direitos e a manutenção da Caixa como uma empresa totalmente pública. O encontro foi uma preparação para o Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef), que será realizado nos dias 07 e 08 de junho, em São Paulo, e fez parte da programação da Conferência Estadual dos Bancárias e das Bancárias, que acontece até domingo, 22, no hotel Praia Sol, em Nova Almeida.

A principal estratégia de campanha aprovada pelos bancários foi a manutenção da unidade da luta, junto com bancários de outras instituições, para garantir a Convenção Coletiva da categoria. Os eixos de luta da campanha definidos pelos bancários e bancárias são: garantir a contratação de novos empregados; combate à reforma trabalhista; manter o padrão de contratação;  defesa intransigente do Saúde Caixa; defesa das liberdades democráticas; nenhum direito a menos; estatização do sistema financeiro; combate à reforma trabalhista; contra o desmonte da Caixa; combate à precarização das condições de trabalho; contra GDP; metas e assédio moral; defesa da Funcef e dos aposentados.

“É muito importante compreender a extensão do golpe que foi dado contra os trabalhadores. As demissões já atingem as empresas públicas, ou seja, é o nosso emprego que está em risco.  As conquistas que ainda temos são resultado de uma longa luta e o que determinou a defesa da Caixa em todo esse período de neoliberalismo foi nossa capacidade de mobilização e de luta.  Com a privatização da Caixa, a população também sofrerá com a extinção de concessão de empréstimo. Por isso, precisamos de uma grande mobilização em defesa da Caixa, pelo nosso emprego, por melhores condições de trabalho  e de atendimento à população”,  enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Rita Lima.

Caixa 100% pública

O debate sobre a Caixa 100% pública contou com a presença da representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, Maria Rita Serrano. Dentre as investidas do governo Temer para sucatear Caixa, preparando-a para a privatização, estão a mudança no estatuto, o esvaziamento do FGTS, programas de incentivo a demissões e a privatização da Lotex.

Maria Rita Serrano falou sobre os recentes ataques aos empregados da Caixa (Foto: Sérgio Cardoso)

“O cenário da Campanha Salarial deste ano é de ataques aos direitos dos trabalhadores, com a reforma trabalhista, demissões em massa, terceirização e a instauração de uma política de privatização desenfreada, que impõe aos trabalhadores o desafio de pensar novas estratégias e ampliar a mobilização contra a quebra de direitos e a entrega do patrimônio público”, enfatizou Rita Serrano.

A luta dos trabalhadores em defesa da Caixa 100% pública obteve uma grande vitória em 2017 ao conseguir derrubar a tentativa do governo em transformar a Caixa em Sociedade Anônima. No entanto, o ataque ao banco continua e uma das últimas estratégias do governo é o esvaziamento do FGTS, como destaca Rita Serrano.

“Cerca de 40% do fundo de investimento da Caixa é proveniente do FGTS. Acabar com o FGTS é mais um golpe para enfraquecer a Caixa. A luta em defesa da Caixa está apenas começando. E o problema não é apenas a Caixa, mas o conjunto do patrimônio público. Por isso o momento é de reflexão sobre esse cenário, de definição de estratégias para intervir e lutar para que todo esse ataque não se consolide”.

Acordo específico

Durante o congresso, a representante da assessoria jurídica da Fenae e da Comissão Executiva de Empregados da Caixa (CEE), Laís Carrano falou sobre os impactos do novo estatuto da Caixa e da reforma trabalhista no acordo específico dos bancários da Caixa.

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Dentre os impactos da reforma trabalhista estão o fim das homologações no sindicato, acordos individuais, prevalência do negociado sobre o legislado, contratação precarizada e a criação de banco de horas, em detrimento do pagamento de horas extras. Os empregados e empregadas da Caixa também foram atingidos com a resolução da CGPAR e a imposição do novo estatuto, que provocaram mudanças na regulamentação do Saúde Caixa, como a impossibilidade de futura negociação coletiva sobre o plano e imposição do teto de 6,5%  da folha de pagamento.

“Neste ano, é importante lutar para garantir a manutenção do acordo coletivo, preservando  direitos como a homologação das rescisões no sindicato, um momento em que o empregado está mais frágil e que precisa de acolhimento. É preciso batalhar também para garantir um acordo que inviabilize a implantação de um banco de horas como prevê a reforma trabalhista e os acordos individuais”, destacou a advogada.

Saúde Caixa

A defesa do Saúde Caixa também foi tema de debate durante o encontro. As alterações no plano de saúde com a publicação das resoluções 22 e 23 da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração (CGPAR) fazem parte do projeto de ataque aos direitos dos empregados de empresas públicas. As resoluções reduzem a participação das empresas no custeio dos planos, aumentam a dos empregados, restringem o rol de dependentes e criam restrições à eleição de representantes sindicais nos conselho.

Atualmente, todo empregado da Caixa, seja da ativa ou aposentado, contribui com 2% da remuneração -base para coberturas do grupo familiar. Com a nova regra do CGPAR, a cobrança de mensalidade será definida por usuário, de acordo com a faixa-etária e renda, rompendo com a lógica de solidariedade do plano.

“Com a quebra da solidariedade, veremos a transformação do Saúde Caixa em um plano comercial. Não podemos aceitar essas medidas. A defesa do Saúde Caixa será um dos eixos principais desta Campanha Salarial. Vamos garantir nossos direitos adquiridos após anos e anos de luta somente por meio do Acordo Coletivo, que terá valor maior do que as resoluções e a lei. Por isso, que neste ano a Campanha Salarial é decisiva para a categoria bancária”, enfatiza a diretora do Sindibanários/ES, Lizandre Borges.

“Se é Público, é para todos”

Lançamento do livro “Se é público é para todos” (Foto: Sérgio Cardoso)

Durante o congresso, também foi lançado o livro “Se é público, é para todos”, organizado por Emir Sader. A obra aborda a importância das empresas públicas para Brasil e tem a contribuição de Maria Rita Serrano, que escreveu o capítulo “Caixa: empresa centenária a serviço do sonho dos brasileiros”.

Delegados eleitos para o Conecef

Ao final do congresso, foram eleitos os delegados que vão representar os bancários capixabas no Congresso Nacional dos Empregados da Caixa. Confira os bancários eleitos:

Renata Garcia

Lizandre Borges

Jackeline Scopel Pereira

Arthur Castro Dussoni

Igor Bongiovani

Giovanni Riccio

Fabíola Rodrigues Garcia (observadora)

Aposentados: 

Álvaro Reis

João Bosco Teixeira

Dejandira de Oliveira Rodrigues

Rita Lima

 

 

 

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