Bancários de bancos privados discutem os desafios da Campanha Nacional 2018

Com futuro da categoria em risco, luta central será para blindar bancários e bancárias dos efeitos reforma trabalhista. Saída passa por greve forte, que supere mobilizações anteriores

Foto: Sérgio Cardoso

Como mobilizar os bancários e as bancárias dos bancos privados para a Campanha Nacional 2018? Essa foi a pergunta norteadora dos debates do Congresso específico dos empregados de bancos privados que aconteceu ao longo dessa sexta-feira, 20, primeiro dia da Conferência Estadual dos Bancárias e das Bancárias capixabas, em Nova Almeida, na Serra.

O questionamento ganha relevo diante da complexa conjuntura em que se desenrolará a Campanha Nacional 2018. “Será a mais importante campanha nacional dos últimos 50 anos. Os bancários e as bancárias guardam o desafio de enfrentar a implementação da reforma trabalhista no setor financeiro, caso contrário, correm o risco de acabar enquanto categoria”, explicou Carlos Pereira de Araújo (Carlão), diretor do Sindibancários/ES e empregado do banco Itaú.

No evento, foi destacada a ameaça de que categoria bancária seja diluída entre outras formas de contrato precarizados, agora legalizados pela reforma trabalhista, como empregados intermitentes, pessoa jurídicas, home office, autônomos e terceirizados. Por isso, uma das pautas centrais a ser defendida na mesa de negociação com a Fenaban será a manutenção do padrão de contratação da categoria, clausulado na Convenção Coletiva.

“Para nós, quem trabalha em banco ou realiza serviços bancários, bancário é. E essa deve ser uma premissa para conseguirmos manter nossos direitos”, pontua Cláudia Garcia de Carvalho, empregada do Santander e também dirigente sindical.

Greve deve ser forte

A construção de uma greve forte, mais organizada e unificada que as anteriores, foi apontada como essencial para fazer avançar as negociações nacionais, num contexto considerado difícil para os trabalhadores.

“Estamos enfrentando diversas medidas recessivas e de retirada de direitos por parte do governo federal e de seus aliados no Congresso. Muitas delas, como a reforma trabalhista, foram articuladas e patrocinadas pelo próprio sistema financeiro. Além isso, o momento é de aumento da repressão contra os trabalhadores de modo geral. No meio de toda essa adversidade, nossa luta será para não perder garantias já conquistadas. Para isso, teremos que fazer uma greve histórica”, alerta Cláudio Merçon, do Santander.

“Toda a categoria, dos caixas aos gerentes, precisa estar convencida da importância da greve. Não dá para ficar em casa ou dentro da agência captando negócios, ou mesmo visitando clientes. Tem que parar a execução dos serviços bancários por completo, mexer com o bolso dos banqueiros, pressionar os patrões para que eles se disponham a negociar”, completa Fabrício Coelho, do Bradesco.

Nos bancos privados há uma cultura do medo muito grande, de perder o emprego ou ser repreendido por participar da greve. Mas com a reforma trabalhista nenhum bancário tem o emprego assegurado. Todos podem ser substituídos por terceirizados de um dia para o outro. Estamos indo para o tudo ou nada. E os bancários de bancos privados precisam entender isso. Precisamos estar na greve”, ressaltou Mônica Garcia, bancária do Itaú.

Conferência 

A Conferência Estadual dos Bancários e das Bancárias segue até domingo, 22. O evento, com tema “É hora de perder a paciência”, tem o objetivo de discutir a pauta geral e as específicas da Campanha Nacional 2018, bem como traçar as estratégias de mobilização da categoria bancária.Nessa sexta à noite acontecerá a abertura solene do evento, com um ato político em defesa das estatais e dos serviços públicos. A Conferência estadual antecede os encontros regional e nacional da categoria.

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