Bancários debatem desafios dos trabalhadores diante da crise econômica

“Os desafios da esquerda e da classe trabalhadora frente à crise política e econômica no Brasil” foi o tema da mesa de abertura do V Congresso Estadual dos Bancários e Bancárias, na manhã desta sexta-feira, 26. Empregados de bancos públicos e privados de todo o Estado participam do encontro, que segue até domingo, 28, no […]

“Os desafios da esquerda e da classe trabalhadora frente à crise política e econômica no Brasil” foi o tema da mesa de abertura do V Congresso Estadual dos Bancários e Bancárias, na manhã desta sexta-feira, 26. Empregados de bancos públicos e privados de todo o Estado participam do encontro, que segue até domingo, 28, no Sesc de Guarapari.

O cientista político professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mauro Iasi, foi um dos debatedores da mesa e falou sobre os reflexos do modelo político-econômico adotado pelo PT, a crise do capitalismo nas condições de trabalho e de vida dos trabalhadores e a importância da unidade dessa categoria.

“De diversas formas o governo vem beneficiando os grandes empresários. A isenção fiscal em impostos cresceu na ordem de 490% nos últimos 10 anos. Além disso, o Brasil tem as maiores taxas de juros do mundo. É assim que o governo transfere recursos para o capital”, destacou Iasi, que também é educador popular e doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP).

Espírito Santo

A análise da conjuntura estadual foi feita pelo economista, mestrando em política social pela Ufes e militante das Brigadas Populares, Sammer Siman. O corte de investimentos em áreas prioritárias feito pelo governo Paulo Hartung foi dos assuntos abordados pelo economista.

“A dinâmica de corte e o discurso da austeridade é algo presente nesse governo. Enquanto mantém uma política de renúncia fiscal, que somente em 2016 será de R$ 1 bilhão, Paulo Hartung corta recursos das secretarias da educação, esporte, agricultura, e em muitas outras que são responsáveis por políticas essenciais para a população”, frisou Siman.

Mobilização dos trabalhadores

Somente a união e mobilização dos trabalhadores vão garantir a permanência dos direitos trabalhistas e barrar o avanço desse modelo de político-econômico, que gera cada vez mais desigualdades sociais no Brasil e massacra a maior parte da população. Para o professor Iazi, culpar apenas o atual governo do PT pela crise é uma armadilha.

“Hoje, há uma descrença em uma alternativa transformadora, e isso fortalece um conservadorismo, que já existe há anos, e que acaba virando esperança para a classe trabalhadora. Entretanto, o que temos de um lado são os  interesses dos trabalhadores e do outro os interesses do capital. Deixamos de resistir, enquanto classe trabalhadora, porque estamos divididos e o capital faz um banquete com essa situação. É preciso, portanto, recuperar a capacidade de luta da classe trabalhadora em defesa dos seus próprios interesses”, enfatizou o professor.

 

Durante o debate, o diretor do Sindibancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), falou sobre os desafios para os bancários neste cenário de crise. “Nós, bancários, temos que exigir na Campanha Salarial deste ano o aumento real, plano de cargos e salários, melhores condições de trabalho, entre outras reivindicações históricas. Mesmo em crise, o setor financeiro continua lucrando muito. Outro desafio é construir um novo instrumento de unidade da classe trabalhadora, de todas as categorias, para conseguir inverter a lógica econômica e política atual”, enfatizou.

O V Congresso Estadual dos Bancários é realizado no Sesc de Guarapari e termina neste domindo, 28.

Confira o debate completo. 

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