Bancários declaram que estão dispostos a fazer greve para garantir direitos

Em protesto contra a intransigência dos banqueiros e para pressioná-los a avançarem nas negociações, as agências da Reta da Penha, em Vitória, e seis unidades bancárias de Colatina tiveram a abertura retardada em uma hora, nesta sexta-feira, 19. A Ação Sindical foi realizada no mesmo dia em que a Fenaban apresentou o índice de reajuste […]

Em protesto contra a intransigência dos banqueiros e para pressioná-los a avançarem nas negociações, as agências da Reta da Penha, em Vitória, e seis unidades bancárias de Colatina tiveram a abertura retardada em uma hora, nesta sexta-feira, 19. A Ação Sindical foi realizada no mesmo dia em que a Fenaban apresentou o índice de reajuste de apenas 7% para salário, tíquete-alimentação e PLR, durante rodada de negociação com o Comando Nacional dos Bancários.

Depois de várias mesas de negociação, os banqueiros recusaram todas as propostas da categoria. Para os bancários, essa é a hora de intensificar a luta para garantir novas conquistas. Uma assembleia da categoria foi marcada para a próxima quinta-feira, 25, com orientação de rejeição da proposta da Fenaban e aprovação de greve por tempo indeterminado a partir do dia 30 de setembro.

“Os trabalhadores não aguentam mais essa enrolação e falta de respeito da Fenaban. Durante a ação sindical, os bancários e bancárias mostraram que estão dispostos e preparados para lutar e arrancar um acordo que atenda as reivindicações da categoria. Também recebemos o apoio da população. Por meio do Jornal do Cliente, apresentamos nossa luta, que não é apenas por salário”, destacou o diretor do Sindibancários/ES, Jessé Alvarenga.

Vale destacar que só no primeiro semestre do ano os seis maiores bancos que atuam no país (Itaú, Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, HSBC e Santander) obtiveram lucro líquido superior a R$ 28,4 bilhões, um crescimento de 14,3% na comparação com o primeiro semestre de 2013. Para Goretti Barone, diretora do Sindicato/ES que atua na subsede de Colatina, os números mostram que os bancos podem atender as reivindicações da categoria.

“Os lucros dos bancos são exorbitantes e deixam claro que é possível investir na valorização dos empregados. Os bancários e bancárias estão insatisfeitos não apenas com o salário rebaixado, mas também com as péssimas condições de trabalho. Essa ação mostrou que a categoria está mobilizada para a greve e pronta para forçar uma negociação que atenda aos anseios dos bancários”.

Veja fotos da Ação Sindical na galeria do Facebook

As reivindicações ignoradas pelos bancos

O Comando Nacional condenou na mesa de negociação a ausência de propostas para várias reivindicações discutidas com os bancos, tais como:

Fim das metas – os bancos se recusaram a negociar a pauta e não apresentaram proposta.
Emprego – O Comando insistiu na necessidade de mais contratações, na adoção de medidas para preservar o emprego, como a proibição de demissões imotivadas (Convenção 158 da OIT),e o fim da rotatividade e das terceirizações.

Segurança – Os bancários querem estender a todo o país as medidas de segurança testadas e aprovadas no projeto-piloto de Recife, Olinda e Jaboatão. Para o Comando, a proposta de criar novos projetos-pilotos só deve ser implementada com mais medidas de segurança, buscando testar outros equipamentos.
Igualdade – O Comando refirmou a necessidade de instituir mecanismos para acabar com a diferença salarial entre homens e mulheres, como demonstrou o II Censo da Diversidade. Uma dessas medidas deve ser a implementação de PCS em todos os bancos. Mas a Fenaban diz que PCS é um problema de cada banco e se recusa a incluir o tema na Convenção Coletiva.

PCMSO – Instituir avaliação da qualidade dos exames médicos de retorno, de mudança de função e periódico. Os bancos disseram que o assunto deve ser debatido na mesa temática sobre saúde do trabalhador.

Ampliação da cesta-alimentação para afastados por motivo de saúde pelo INSS

Fim da revalidação de atestados médicos. A Fenaban alega que pode ser feito pelos médicos do trabalho de cada banco e que não tem acordo.

Pausas e revezamentos no auto-atendimento. Após pressão do Comando, os bancos ficaram de rediscutir a concessão de rodízio para quem trabalha no auto-atendimento.

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