Bancários do BB aprovam pauta específica em congresso, mas bandeiras históricas não são contempladas

Entre os dias 6 e 8 de junho, o Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil reuniu bancários e bancárias da instituição de todo o Brasil, em São Paulo. Na ocasião, foram debatidas e aprovadas as pautas específicas de reivindicação da Campanha Salarial 2014, baseadas em quesitos como: remuneração e condições de trabalho, saúde […]

Entre os dias 6 e 8 de junho, o Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil reuniu bancários e bancárias da instituição de todo o Brasil, em São Paulo. Na ocasião, foram debatidas e aprovadas as pautas específicas de reivindicação da Campanha Salarial 2014, baseadas em quesitos como: remuneração e condições de trabalho, saúde e previdência, organização do movimento e maior controle social do Sistema Financeiro Nacional. No entanto, muitas bandeiras de luta históricas dos trabalhadores do BB não foram contempladas no congresso, como a reposição das perdas salariais.

“É lamentável não incluir o resgate das perdas salariais da década de 90 e início dos anos 2000. Trata-se não somente de se fazer justiça àqueles que viverem esse período, mas também do resgate de uma parte da história que os trabalhadores mais novos não conhecem. Esse resgate ajuda a explicar, por exemplo, porque o piso salarial hoje no BB é tão rebaixado”, afirma a diretora do Sindicato dos Bancários/ES. Goretti Barone.

Há propostas que foram aprovadas, mas que estão sendo questionadas. Uma delas é o fim das metas abusivas. “Essa proposta não acaba com o assédio, pois não há limite entre meta e meta abusiva. O que nós defendemos é o fim das metas”, explica Goretti. Ela aponta, ainda, a necessidade de um Plano de Cargos e Salários que atenda aos anseios da categoria. “O plano não valoriza os mais velhos e contempla mais a comissão do que o tempo de casa. Isso gera algo que não é saudável: uma disputa acirrada entre os trabalhadores, pois muitas vezes se busca uma comissão a qualquer preço para se ter um salário melhor”, explica a diretora do Sindicato.

Propostas aprovadas

• Aumento do número de funcionários
• Melhores condições de trabalho
• Fim do assédio moral
• Salário mínimo do Dieese
• Interstício na tabela de antiguidade de 6%
• Processo de seleção interna
• Fim dos descomissionamentos
• Defesa dos princípios da solidariedade na CASSI e prioridade no programa de prevenção e na qualidade de vida, fortalecendo o programa Estratégia de Saúde da Família e Cassi para todos os funcionários.
• Fim do voto de minerva no Conselho Deliberativo da Previ
• Eleição do diretor de Participações da Previ
• Redução da parcela Previ e regulamentação do artigo 192 da Constituição Federal (que trata do Sistema Financeiro Nacional).

No que diz respeito à organização do movimento, os delegados reafirmaram a estratégia de campanha nacional unificada, com negociação de mesa única na Fenaban e mesa específica para discutir as questões do BB durante a Campanha. Além disso, durante o Congresso foi aprovada uma moção para que o BB assine acordo de neutralidade que permita a seus funcionários nos Estados Unidos o início do processo de organização sindical e de sindicalização.

Delegação do Espírito Santo defende autonomia em relação a partidos

Outra proposta aprovada durante o Congresso foi a reeleição de Dilma Roussef, feita pelo grupo majoritário. Esse ponto trouxe à tona a discussão sobre autonomia do movimento sindical em relação aos partidos, governos e patrões. A delegação do Espírito Santo se opôs à proposta por considerar a autonomia uma premissa básica do processo democrático de construção dos movimentos sindical e social.

O diretor do Sindicato dos Bancários/ES, Derik Bezerra, acredita que a autonomia em relação a partidos, governos e patrões é essencial. “O posicionamento dos bancários deve ser ao lado dos trabalhadores e não pode ser ao lado do Governo, que é o patrão. No Congresso, temos a responsabilidade e o compromisso de discutir o que o banco tem gerado, proporcionado para nós e qual é o papel do banco na sociedade, e não fechar proposta que diga que determinado candidato é bom ou não”, defende Derik.

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