Bancários do BB discutem pautas prioritárias e votam minuta específica

Eixos de reivindicação incluem defesa do BB público, do emprego, fim das terceirizações e das reestruturações, atenção integral à saúde e contra os ataques à Previ. Proposta de minuta será disputada no Congresso Nacional dos Funcionários do BB, em junho.

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Reunidos em Congresso específico, os bancários e as bancárias do Banco do Brasil discutiram as principais demandas dos empregados da corporação e votaram a proposta de minuta específica para a Campanha Salarial 2016.

Entre as principais reivindicações estão a defesa do BB público, do emprego, fim das terceirizações e das reestruturações, atenção integral à saúde e contra os ataques à Previ.

A pauta agora será disputada no 27º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (CNFBB), que acontecerá de 17 a 19 de junho, em São Paulo, onde será votado o texto definitivo da minuta.

O congresso dos bancários do BB aconteceu integrado à programação da Conferência Estadual dos Bancários, realizada de 20 a 22 de maio, no hotel Praia Sol, em Nova Almeida, Serra.

Defesa do BB público

Ao longo do dia, os empregados refletiram sobre as medidas que ameaçam o caráter público do Banco do Brasil e precarizam as condições de trabalho. Juliana Donato, representante dos empregados no Conselho de Administração do banco, foi a convidada para contribuir com o debate.

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Para ela, apesar de não haver ainda um indicativo direto de privatização do BB, a direção do banco implementa um modelo de gestão que aproxima a instituição de uma lógica de mercado, comprometendo sua função social e fazendo uma privatização “disfarçada”. Ela cita como exemplos desse modelo a ampliação dos correspondentes bancários, a terceirização de serviços e as prioridades na disponibilização de crédito. “Isso tem a ver com privatização porque o banco vai perdendo o seu caráter público”, explica.

Para Juliana, na medida em que o banco atua conforme uma entidade privada, ele também perde a importância para a população, um problema grave para a defesa do banco. “Num contexto de privatização isso é muito ruim, porque qualquer luta pela preservação do BB como patrimônio público precisa do apoio popular”.

Outra iniciativa privatista é o Banco Elo, instituição mista proposta pelo BB em parceria com o Bradesco para atender a população de baixa renda – uma das funções inerentes ao Banco do Brasil como banco público. O Elo, que  já teve a criação autorizada pelo Banco Central, terá participação majoritária do Bradesco para que não precise se sujeitar às regras e exigências de um banco público.

“A parceria do Banco do Brasil com Bradesco é esdrúxula. Temos um banco público injetando capital para criar um outro banco cujo acionista majoritário será um banco privado. E pior: a função dessa nova instituição financeira esvazia o papel social para o qual o BB foi criado”, critica Thiago Duda, diretor do Sindicato.

Emprego

A redução dos postos de trabalho também foi ponto de pauta. “O funcionário é sempre tratado pelo banco como despesa administrativa. Como banco público, o BB não pode demitir diretamente, sem justa causa. Então como ele vai reduzir despesa administrativa? Ele reestrutura, promove fusão de agências, incentiva a aposentadoria sem repor os quadros, etc. Parece que não tem demissão, mas temos grave redução de postos de trabalho, pois o banco tem outros mecanismos que ameaçam o emprego”, diz Juliana.

Nos últimos dois anos vários setores do BB foram reestruturados, entre eles, Gecex, Auditoria, agências Setor Público, Gecor, Diretoria de Mercados de Capitais (Dimec), Diretoria de Seguridade (Diseg), Diretoria de Apoio a Negócios e Operações (Dinop), um processo que vem pavimentando também o caminho para as terceirizações.

“Outra ameaça diz respeito às agências digitais, que ameaçam o emprego bancário e trazem um processo de intensificação do trabalho já sentido pelos empregados nos teleatendimentos das agências. Agora haverá uma estrutura que formaliza esse método, com uma tecnologia que aumentará a exploração sobre o empregado. Para a população, o prejuízo também é evidente, já que perde-se a possibilidade de um interlocutor físico para resolução dos problemas. Há uma desumanização do atendimento” argumenta Thiago.

Terceirização

Donato destacou a necessidade de dar especial atenção aos processos de terceirização no Banco do Brasil, como acontece na BB Tecnologia e Serviços (antiga Cobra). “Se avança a tentativa de regulamentação da terceirização no Congresso [PLC 30/2015], pode aprofundar a terceirização interna no BB; e terceirização é a melhor forma que o mercado inventou para reduzir despesa administrativa. Você reduz salário, compromete o atendimento, perde o comprometimento do empregado com a instituição e retira direitos”, salientou.

“Hoje podemos encarar a implantação dos PSO como uma preparação para a terceirização. O processo de trabalho já está segregado; basta trocar o CNPJ de quem emprega. As condições de trabalho nos PSO pioraram muito, trazendo como consequência alto grau de adoecimento para os caixas”, alertou Thiago Duda, diretor do Sindicato, traçando paralelo futuro sobre risco de terceirização do PSO.

Remuneração variável

“A remuneração variável nunca será justa. Ela apenas legitima as metas, cria um distanciamento entre os funcionários e acirra a competição interna. Além disso, a remuneração variável está relacionada a imposição de metas que adoecem diariamente os bancários. Nós temos que brigar por valorização de salário, para que a gente receba efetivamente pelo trabalho prestado, e não pela quantidade de venda realizada”, diz Duda, sobre bandeira de luta da categoria.

Saúde

No eixo de saúde, os bancários cobram a responsabilização do BB com a saúde de seus funcionários; o fortalecimento e ampliação da Estratégia de Saúde da Família e o atendimento integral à saúde; a defesa intransigente do princípio da solidariedade na Cassi e o direito de adesão dos funcionários de bancos incorporados.

Previ

Em relação à seguridade social, a principal reivindicação dos empregados é o combate ao PLP 268/2015, que retira dos trabalhadores o direito de eleger seus representantes na direção do fundo.

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Delegados sindicais tomam posse

Tomaram posse durante o Congresso os delegados e delegadas sindicais do Banco do Brasil, que terão mandato até 20 de abril de 2017.

Foram empossados Edvaldo Ribeiro Martins; José Carlos Noronha; Letícia Lander Costa Batista; Lauro Francisco de Paula e Marcela Pimenta de Oliveira. O time de novos representantes de base é completado por Emerson da Silva Santos e Marcela Pimenta de Oliveira, que não puderam comparecer ao evento e tomaram posse em separado.

“Os delegados e delegadas sindicais fazem uma ponte com o Sindicato e são uma representação dos trabalhadores no local de trabalho. É importante que todos tenham comprometimento com a luta da categoria para fazer valer nossos direitos conquistados e fortalecer a organização no local de trabalho”, disse Goretti Barone, diretora do Sindicato, que parabenizou os novos representantes de base.

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