Bancários do BB paralisam agências na Grande Vitória contra a reestruturação do banco

Bancários resistem ao programa de reestruturação de Michel Temer, que vai fechar mais de 700 agências no país, e contra o ajuste fiscal

Atualizado em 30/11, às 11h20

Nesta terça-feira, 29, bancários e bancárias do Banco do Brasil estão em luta contra o projeto de reestruturação do BB, que pretende reduzir 18 mil funcionários e fechar mais de 700 agências no país. O dia de protestos paralisa onze unidades estratégicas na Grande Vitória até meio-dia (12h), entre elas quatro passarão pelo rolo compressor da reestruturação. Neste momento, as agências Rio Branco, Expedito Garcia, Jardim Limoeiro, Glória, Jucutuquara e o prédio da Pio XII – que

concentra outras 5 agências – estão paralisados.

A agência do Banco do Brasil na Praça Pio XII também foi paralisada nesta manhã (Foto: Fábio Vicentini)

A agência do Banco do Brasil na Praça Pio XII também foi paralisada nesta manhã (Foto: Fábio Vicentini)

No Estado, quatro agências estão no programa de desmonte, as unidades Moscoso e Rio Branco, em Vitória, que serão fechadas, e as agências Expedito Garcia, em Cariacica, e Jardim Limoeiro, em Serra, que serão transformadas em postos de atendimentos.

Com o enxugamento do banco, a direção do BB pretende economizar “R$ 750 milhões em despesas” por ano, medida que entra em choque com os sucessivos lucros da instituição e com a atual demanda de trabalho.

“O número de empregados já é insuficiente para atender os clientes; um corte de 18 mil funcionários vai aumentar a sobrecarga e impactar o atendimento à população. Com lucro de R$ 14,4 bilhões em 2015, o BB deveria ampliar a sua rede de atendimento contratando mais empregados, e não o contrário”, diz o bancário do BB e diretor do Sindicato, Thiago Duda.

Para Duda, a reestruturação atende aos interesses de mercado e enfraquece o Banco do Brasil como banco público, caracterizando mais uma ofensiva para privatizar o BB. A reestruturação é parte da estratégia do banco em ampliar o modelo de atendimento virtual, por meio de agências 100% digitais.

No sistema financeiro, o investimento em tecnologia da informação tem sido uma das principais ferramentas para redução de custos com pessoal, por meio direto do corte de empregados. A medida vem acompanhada do aumento da exploração e das metas, já que um número muito inferior de trabalhadores precisa assumir todas as demandas antes distribuídas nas agências físicas. Em maio, duas agências físicas na Grande Vitória (Vale e Praia do Suá) tiveram suas carteiras migradas para o atendimento digital.

O plano de reestruturação foi anunciado pelo banco no último dia 20, sem debate prévio com o corpo funcional ou com as entidades de representação da categoria bancária.

Plenária

A reestruturação será pauta de uma plenária com a categoria nesta quinta-feira, 1º, quando o Sindicato deve apresentar uma avaliação política e jurídica sobre os descomissionamentos, fechamentos de agências e sobre Plano de demissão Voluntária em curso. Atividade será às 18h30, no auditório do Sindicato dos Bancários.

 

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