Bancários do Bradesco entregam minuta específica

Prioridade da pauta será manutenção do emprego com preservação do modelo de contratação

Bancários da Intersindical que acompanharam evento

A minuta de reivindicações das bancárias e dos bancários do Bradesco foi entregue nesta segunda-feira, 11, à direção do banco. O documento é resultado do Encontro Nacional dos Bancários do Bradesco, realizado nos dias 07 e 08 de junho, em São Paulo.

Diante das ameaças da reforma trabalhista, a centralidade da pauta específica será a manutenção do emprego. Dados do banco apontam que a despesa total com pessoal no Bradesco caiu pela primeira vez no primeiro trimestre do ano.

“A diferença é de 0,01%. Parece pouco, mas descontados os provisionamentos de processos trabalhistas, a redução chega a 5,38%. Isso significa que a reforma trabalhista já está sendo implementada, ainda que de forma parcial, por isso temos que garantir a manutenção do empregado para preservar a categoria de contratos precários legalizados pela reforma, como PJ, terceirizados e homeoffice” explica Iracélio Lomes, diretor do Sindicato.

Em setembro de 2016, o balanço do banco mostrava aumento de 20.498 trabalhadores em função da aquisição do HSBC. Mas desde então já foram fechados 12.329 postos de trabalho. Portanto, 60% do aumento do emprego resultante da aquisição do HSBC já foi extinta pelo Bradesco.

Além disso, em agosto de 2017, o Bradesco lançou o Plano de Desligamento Voluntário Especial (PDVE), no qual aderiram 7,4 mil trabalhadores. O custo do plano foi de R$ 2,3 bilhões, mas o efeito anual estimado é uma redução de custo de R$ 1,5 bi por ano. Ou seja, o banco gastou R$ 2,3 bilhões com o PDVE, mas em um ano e meio já terá coberto essa despesa.

Somente nos primeiros três meses de 2018 foram eliminados mais 1.215 postos de trabalho. O número de agências também vem sendo reduzido. Das 845 agências obtidas com a aquisição do HSBC, 629 já foram fechadas.

O lucro do banco, no entanto, continua crescendo. Mesmo durante uma das mais profundas crises econômicas do país, o banco obteve o maior resultado da sua história em 2017 e lucrou R$ 19 bilhões, crescimento de 11% em relação a 2016.

“Nossa estratégia passa pela mobilização da categoria. Não há outro caminho. Temos que fortalecer a greve nacional aderindo efetivamente à paralisação. Isso significa interromper principalmente a área de negócios. Muitos bancários pensaram que pela dedicação ao banco não seriam atingidos pelas demissões, mas mesmo assim foram desligados. Para o banco somos apenas números. Mas juntos podemos resistir”, diz a diretora do Sindicato Lindalva Firme.

Durante a reunião de entrega da minuta os representantes dos trabalhadores questionaram as demissões, o número de fechamento de agências e a implementação do programa Smart, apontado como mais um instrumento de assédio contra os empregados. Outras reuniões serão agendadas para dar sequência ao debate da pauta específica.

Com informações da Contraf

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