Bancários do ES decidem greve nesta quinta-feira

Após cinco rodadas de negociação marcadas pelo retrocesso e intransigência da Fenaban, os bancários e bancárias capixabas se reúnem em assembleia nesta quinta-feira, 01, para deliberar sobre greve por tempo indeterminado. A atividade será às 18 horas, no Centro Sindical dos Bancários, em Vitória, e também nas subsedes em Linhares, Colatina e Cachoeiro de Itapemirim. […]

Após cinco rodadas de negociação marcadas pelo retrocesso e intransigência da Fenaban, os bancários e bancárias capixabas se reúnem em assembleia nesta quinta-feira, 01, para deliberar sobre greve por tempo indeterminado. A atividade será às 18 horas, no Centro Sindical dos Bancários, em Vitória, e também nas subsedes em Linhares, Colatina e Cachoeiro de Itapemirim.

A greve é a forma de pressionar os banqueiros, que não atenderam às reivindicações da categoria e apresentaram uma proposta financeira de 5,5% de reajuste, que sequer cobre a inflação desde a última data-base (setembro de 2014 a agosto de 2015). Além disso, o abono de R$ 2,5 mil não se integraria aos salários, seria pago só uma vez. Incide imposto de renda e INSS. Ou seja, o valor que seria pago é bem menor que o apresentado pelos bancos.

Abono em vez de aumento real significa chegar à próxima campanha, em 2016, com toda a inflação de um ano mais as perdas de 4% para repor nos salários e demais verbas dos bancários. Não incorpora ao FGTS, à aposentadoria nem ao 13º salário. No longo prazo, isso significaria trabalhadores com menos poder de compra e mais dinheiro nos cofres dos banqueiros.

O coordenador geral do Sindibancários, Jessé Alvarenga, que participa das negociações representando os capixabas e a Intersindical no Comando Nacional, lembra que a postura dos banqueiros de não atender às reivindicações não se aplica somente às cláusulas econômicas, mas também a outras questões da minuta, como saúde e condições de trabalho. “Em cinco rodadas, vimos uma representação patronal que não está interessada em discutir melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores. Os bancos são o setor que mais lucra no país e não valorizam seus empregados. Devemos fazer uma greve unificada e mostrar para os banqueiros a nossa força”, diz Alvarenga.

Os recordes de lucro provam a afirmação de Jessé. Só no primeiro semestre do ano, os cinco maiores bancos que operam no Brasil (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa) lucraram R$36,3 bilhões. Um crescimento de 27,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Jessé criticou também o apoio dos banqueiros ao governo federal. “Isso revela a sintonia dos bancos federais e privados na mesa única e na apresentação dessa proposta provocativa. É inaceitável”, salienta.

Ele destaca, ainda, que as altas taxas de lucro são obtidas não somente com a exploração do trabalhador, mas também com os prejuízos causados aos clientes. “Os bancos impõem uma ditadura econômica ao povo por meio das altas taxas de juros e tarifas, filas quilométricas por causa da falta de funcionários, ferindo a dignidade de bancários e clientes”diz Jessé.

Principais reivindicações da categoria bancária:

• Reajuste salarial de 16%. (incluindo reposição da inflação mais 5,7% de aumento real)

• PLR: 3 salários mais R$7.246,82

• Piso: R$3.299,66 (equivalente ao salário mínimo do Dieese em valores de junho último).

• Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$788,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional).

• Melhores condições de trabalho com o fim do assédio moral que adoecem os bancários.

• Emprego: fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PLC 30/15 no Senado Federal, além da ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas.

• Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.

• Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.

• Prevenção contra assaltos e sequestros: permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários, conforme legislação. Instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos caixas. Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves por funcionários.

• Igualdade de oportunidades: fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).

Locais das assembleias:

Vitória/Centro Sindical: Rua Ithobal Rodrigues Campos, 125, Forte São João
Colatina: Rua Geraldo Pereira, 194,salas 406 e 408,Centro – Tel: (27) 3722-2647
Cachoeiro de Itapemirim: Rua Coronel Francisco Braga, 71, Ed. Itapoã,Sala 1105,Centro – Tel: (28) 3522-7975
Linhares: Rua Capitão José Maria, 1388, Ed. Monsarás,sala 201,Centro – Tel: (27) 3371-0092

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