Itaú: bancários fecham pauta específica de reivindicações

O Encontro Nacional dos Trabalhadores do Itaú foi realizado entre quinta e sexta-feira, na sede da Contraf, em São Paulo

Os 91 delegados e delegadas do Encontro Nacional dos Trabalhadores do Itaú definiram, na manhã desta sexta-feira, 08, a minuta de reivindicações específicas para a Campanha Nacional 2018. O evento foi realizado entre quinta e sexta-feira, 07 e 08, na sede da Contraf, em São Paulo.

O documento é resultado de dois dias de trabalho, que contou com debates de temas como Emprego e Condições de trabalho e programas próprios de remuneração, como PLR e PCR. Também houve apresentações de balanço do Grupo de Trabalho (GT) de Saúde e dos planos de previdência da Fundação Itaú.

“Discutimos durante esses dois dias questões que afetam diretamente os bancários do Itaú, como condições de trabalho, a defesa do emprego, já que o número de demissões é cada vez mais crescente no Itaú, e os impactos da reforma trabalhista na saúde do trabalhador.  A minuta será entregue após o fim da Campanha Nacional, para que possamos fazer uma Campanha forte e garantir os direitos assegurados na Convenção Coletiva. Reforçamos a importância do envolvimento dos bancários na Campanha Salarial deste ano, a começar pela participação na plenária de aprovação da minuta, nesta terça-feira,  para que possamos construir uma greve forte e defender nossos direitos, conquistados duramente”, enfatiza o diretor do Sindibancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão).

O sentimento geral dos participantes do encontro foi que o banco foi um dos principais financiadores do golpe contra a democracia para se aproveitar da crise que o se instaurou no Brasil, mostra disso foi se transformar no maior banco do país, neste período. “Está na hora de o Itaú fazer seu papel social, ao respeitar a democracia, garantir o emprego e as boas condições de trabalho de seus funcionários, além de dividir seus lucros de forma justa”, afirmou Jair Alves, Coordenador do Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú.

É importante lembrar que, num ano de muita dificuldade econômica no país, o Itaú lucrou quase R$25 bilhões em 2017 e já chegou a R$6,4 bi no primeiro trimestre de 2018.

“Esse é o momento em que nosso movimento sindical tem que mostrar pelo que veio ao mundo. Nós vamos nos reinventar, vamos nos fortalecer e trazer um enfrentamento a este golpe. O que o bancário e a bancária esperam do movimento sindical é que a gente mostre nosso poder de organização e mobilização histórico que representam nosso jeito de fazer sindicalismo”, completou Roberto von der Osten, secretário de Relações Internacionais da Contraf-CUT.

Durante o encontro, foi aprovado que o único ponto que a COE vai continuar a discutir com o banco é a SQV, a cláusula 65 e o PCR para 2019 e 2020. No final do encontro, foi apresentada a pauta enviada pelo banco. A minuta de reivindicações só será entregue após o final da Campanha Nacional 2018.

Debates

A primeira mesa do evento da quinta-feira, 07, foi sobre Saúde e Condição de Trabalho. Maria da Consolação Vegi da Conceição, advogada do Seeb ABC, mostrou como a saúde foi afetada pela reforma trabalhista. “Agora, é necessário o trabalhador estreitar mais a relação com os sindicatos, pois a reforma traz a negociação coletiva de forma muito contundente, já que o negociado valerá sobre o legislado.”

Maria Maeno, médica sanitarista e pesquisadora da Fundacentro, explicou o protocolo de intenções entre Febraban e INSS, assinado sem a participação dos trabalhadores com regras para a reabilitação profissional dos empregados que tiveram de se afastar do emprego por causa de doenças relacionadas ao trabalho – como transtornos psíquicos e LER/Dort. O anúncio foi publicado no Diário Oficial da União em outubro de 2017. Mas seu conteúdo permanece oculto.

O maior risco é que a reabilitação fique por conta exclusivamente dos bancos, avalia Maria Maeno, médica pesquisadora da Fundacentro. “Nós sabemos que não existe reabilitação profissional nos bancos. Os trabalhadores que retornam ao trabalho não encontram condições diferentes daquelas que causaram o adoecimento e os obrigaram a se afastar.”

Ainda durante a mesa, Adma Gomes, coordenadora do Grupo de Trabalho (GT) de Saúde do Itaú, fez um informe sobre os andamentos das negociações.

Ainda na quinta-feira, 07, os bancários participaram de debate sobre a Fundação Itaú e Previdência. Os conselheiros participantes da direção fizeram uma apresentação da posição atual da fundação Itaú e os principais planos.

José Sasseron, ex-diretor no Sindicato dos Bancários de São Paulo, ex-conselheiro Fiscal e Deliberativo e diretor de Seguridade da PREVI, ex-presidente da Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão (Anapar) e atual o vice-presidente da Anapar, sendo o titular representante dos participantes no Conselho Nacional de Previdência Complementar, abordou o desmonte da Previdência e as novas regras da Previc.

Para encerrar o dia, a técnica da subseção do Dieese do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Catia Uehara, fez uma apresentação sobre o emprego no Itaú, com os impactos da reforma trabalhista e dos avanços tecnológicos. “No geral, o sistema financeiro tem reduzido muitos postos de trabalho. De 2012 para cá, foram mais de 50 mil postos de trabalho. As duas hipóteses para essa redução é a terceirização, com correspondentes bancários, e a digitalização.”

Com informações da Contraf

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