Bancários do Santander discutem problemas do sistema financeiro

Bancários são estimulados a questionar e lutar contra os prejuízos sociais do sistema financeiro

Durante o primeiro dia do Encontro Nacional dos Funcionários do Santander, os bancários debateram sobre os problemas que afetam a categoria e especificamente os trabalhadores do banco, mas também toda a sociedade.

A economista Vivian Machado, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), fez uma análise do balanço do banco no primeiro trimestre de 2018. O banco obteve um lucro de R$ 2,6 bilhões no primeiro trimestre de 2018, um crescimento 25,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O Brasil é o responsável por 27% do lucro mundial do banco espanhol. É o país onde o banco obtém o maior lucro. Os altos lucros obtidos no Brasil, são resultados, entre outras coisas das altas taxas cobrados pelo banco de seus clientes brasileiros.

Economista Ladislau Dowbor

A informação foi citada pelo economista Ladislau Dowbor, que observou que a partir de uma certa taxa de juros, os empréstimos não servem para fomentar o desenvolvimento, mas sim para drenar a economia. “Se os bancos extraem mais do que aportam, são um peso. Isso se chama agiotagem. No Brasil, criamos um sistema de agiotagem”, disse o economista.

O assunto também foi lembrado pelo professor Moisés Marques, da Faculdade 28 de Agosto. “O Brasil é o país que mais rende lucro para a o Santander em todo o mundo. Se na crise que enfrentamos o Brasil é país que mais rende lucro para o banco, vocês podem ter certeza de que alguém está pagando”, afirmou.

Moisés fez uma apresentação sobre a Reforma Trabalhista e os Impactos no Santander e observou que, após a aprovação da reforma trabalhista, pela primeira vez na história recente do país, o número de trabalhadores precarizados, sem carteira assinada, ultrapassou o de trabalhadores com carteira assinada.

Prejuízos dos bancos à sociedade

Dowbor instigou os presentes ao afirmar que o movimento sindical, além de fazer a luta em defesa da categoria, deve questionar o papel dos bancos e alertar sobre os prejuízos que os bancos causam à sociedade.

“Todos nós queremos que nosso trabalho seja útil para a sociedade. Vocês bancários também querem trabalhar em uma instituição que contribua com o desenvolvimento econômico e social do país”, afirmou.

Dowbor disse ainda que todo mundo sabe o que funciona ou não funciona para desenvolver a economia, mas os interesses do capital financeiro não deixam que as coisas que funcionam sejam feitas no Brasil. “É preciso orientar o sistema financeiro para o bem-estar das famílias. É isso que funciona. O resto é encher o bolso de quem quer ganhar dinheiro com aplicações financeiras do dinheiro dos outros”.

Em sua explanação, a economista Ione Amorim, líder do programa de Serviços Financeiros do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), também falou sobre prejuízos que os bancos causam à sociedade. “Os estudos que os bancos faziam sobre suas responsabilidades sociais não levavam em conta o relacionamento com os consumidores. Somente passaram a conspirar este ponto após o questionamento que fizemos”, disse.

Ione citou ainda as vendas de pacotes de serviços que os bancários são obrigados a oferecer aos clientes. “Desde quando entrei no Idec é uma luta para mostrar ao consumidor que ele tem direito à conta bancária sem tarifa, mas os bancos sempre empurram um pacote de serviços com custo”.

 

Cabesp e Santander Previ

Ao final do dia, formou-se uma mesa exclusivamente para informes sobre a Cabesp (plano de saúde dos funcionários do antigo Banespa) e o Santander Previ.

Fonte: Contraf

 

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