Bancários e bancárias capixabas aprovam propostas dos bancos

Maioria da categoria votou pela aceitação das propostas da Fenaban, Caixa, Banco do Brasil, Banestes e Bandes

Votação da proposta da Fenaban (Fotos: Sérgio Cardoso)

Reunidos em Assembleia Geral Extraordinária, os bancários e bancárias capixabas aprovaram as propostas apresentadas pela Fenaban, Banco do Brasil, Caixa, Banestes e Bandes. A atividade foi realizada na noite desta quarta-feira, 29, no Centro Sindical dos Bancários, em Vitória.

A proposta  apresentada pela Fenaban é de reajuste salarial de 5% (aumento real de 1,18% sobre uma inflação do INPC projetada em 3,78%) e garantia de manutenção de boa parte dos direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), válida para os empregados de bancos públicos e privados do Brasil. A Convenção e acordos coletivos específicos terão validade de dois anos. Após a assinatura, que deve ocorrer nesta sexta-feira, 31, os acordos serão disponibilizados na íntegra neste site.

O diretor do Sindibancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), representou os bancários capixabas e a Intersindical no Comando Nacional (Fotos: Sérgio Cardoso)“Nós defendemos a não aprovação das propostas no Comando Nacional, por entender que apesar de garantir boa parte dos direitos conquistados, um ponto fundamental para a categoria como a manutenção do padrão de contratação não foi garantido. Não conseguimos também passar no Comando a deflagração da greve no início de agosto, o que fortaleceria nosso movimento.  Diante dessa conjuntura difícil, nossa orientação na assembleia  foi pela aceitação da proposta da Fenaban, pois entendemos que ficar isolados em uma greve seria muito prejudicial para os bancários capixabas”, destaca o diretor do Sindibancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que representou os bancários capixabas e a Intersindical no Comando Nacional.

Também foi aprovada a taxa negocial a ser cobrada dos bancários de 1,5% sobre o salário já reajustado e 1,5% sobre a PLR.  “Nós defendemos desde a Conferência Nacional e seguimos com a mesma posição no Comando Nacional que a taxa negocial deveria ser decidida pela assembleia da categoria, que tem autonomia para isso. Nossa proposta não passou e a taxa negocial passa a ser parte da Convenção Nacional da categoria, e não pôde, portanto, ser votada a parte”, explica Carlão.

Caixa

A votação da proposta do acordo específico da Caixa foi uma das mais acirradas. A proposta foi aprovada por 100 votos favoráveis contra 68 contrários e 03 abstenções. A diretoria do Sindibancários/ES orientou pela não aceitação do acordo.

“Nós orientamos a não aceitação da proposta por entender que esse é um acordo que retira direitos fundamentais para os empregados. Mas a assembleia optou em aceitar esse acordo que retira direitos. Agora, nosso desafio é derrotar todos os golpistas e  todos aqueles que votaram contra os trabalhadores ao aprovarem a reforma trabalhista. A luta em defesa das estatais, do Saúde Caixa e contra a CGPAR continua”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Rita Lima.

Banco do Brasil

Os bancários e bancárias do Banco do Brasil também aprovaram a proposta do acordo específico, que mantém a maioria das cláusulas do atual acordo, mas retorna com o banco de horas, que será optativo.

“A proposta manteve a Convenção anterior com algumas alterações. Dentro  dessa conjuntura, manter direitos é importante. O Banco do Brasil nos últimos dois anos realizou diversas  reestruturações que mudou totalmente a dinâmica interna e externa do Banco, gerando perdas de direitos e deixando os funcionários vulneráveis e adoecidos. É importante não abrir mão de resistir e lutar contra esse desmonte”, destaca a diretora do Sindibancários/ES, Goretti Barone.

Banestes

A proposta do Banestes também foi aprovada pelos empregados e empregadas do banco. Desde a primeira negociação, o banco tentou retirar retirar direitos dos bancários. Foi a pressão nas rodadas de negociação que reverteu essa tentativa e garantiu também  que permanecesse no acordo um grupo de estudo que irá discutir a forma de contribuição da Banescaixa.

“O Banestes foi o último banco a iniciar as negociações, e quando começou teve uma postura  de retirada total de direitos. O banco não tem porque fazer isso, pois tem lucro crescente. Foi com muita resistência nas mesas de negociação seguintes que conseguimos manter as cláusulas do acordo específico e barrar a retirada de direitos”, destaca o coordenador geral do Sindibancários/ES, Jonas Freire.

“É muito ruim aprovar um acordo  sem greve. Mas, temos que considerar a conjuntura em que estamos. Os banqueiros foram os principais autores da reforma trabalhista. Nos anos anteriores, nossa luta era para avançar nas conquistas. Neste ano, diante dessa conjuntura, nossa luta foi por nenhum direito a menos. A reforma trabalhista foi muito perversa para os trabalhadores gerais e para nossa categoria”, enfatiza o diretor do Sindibancários/ES, Jessé Gomes.

Bandes

Os bancários do Bandes também aprovaram a proposta do banco. Foram três rodadas de negociação realizadas com o banco, que foi o único a assinar o pré-acordo. Além de todas as cláusulas já existentes, o banco propôs um aumento no valor auxílio funeral e das diárias para quem viaja a trabalho. Outra cláusula conquistada foi a garantia do auxílio-refeição para os bancários afastados por auxílio-doença. O banco fez a proposta de alterar a data do pagamento para o dia 05. No entanto, o Sindicato conseguiu garantir a continuidade do pagamento no dia 20.

Confira alguns pontos da proposta da Fenaban:

  • mantida a PLR integral para bancárias em licença-maternidade, ou adotantes, e para os afastados por doença ou acidente;
  • garantida a cláusula de gratificação de função, que prevê 55% de comissionamento, a Fenaban queria reduzir para 33%, como está na CLT. Após pressão, manteve-se o mínimo de 55% sem impacto no comissionamento atual. Somente em caso de ações trabalhistas futuras e caso se descaracterize o comissionamento e caracterize como hora extra, será descontado o que já foi pago. Isso já tem sido praticado pela Justiça Trabalhista em algumas ações e bancos, como na Caixa, que tem orientação jurisprudencial nesse sentido. A mudança não impacta nas ações anteriores à assinatura do acordo, com período de três meses de transição;
  • outra conquista que os bancos ameaçaram retirar e está garantida é a proibição da divulgação de ranking individual, prevista na cláusula 37ª da CCT, como forma de reduzir a pressão por metas;
  • também estão mantidos o salário substituto (cláusula 5ª) e a cláusula do vale-transporte, com 4% de desconto sobre o salário base;
  • os bancários e bancarias terão até 30 dias para apresentar o recibo para reembolso do auxílio-creche; os bancos queriam que esse prazo fosse menor, de 10 dias;
  • volta a cláusula que previa adicional de insalubridade e periculosidade (cláusula 10ª);
  • mantida a cláusula do vale-cultura (cláusula 69ª) conforme queriam os trabalhadores, para que o direito esteja garantido caso o governo retome o programa.
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