Bancários e Bancárias decidem se desfiliar da CUT e se filiar à Intersindical

Foram 184 votos favoráveis à desfiliação da CUT e 178 para a filiação à Intersindical - Central da Classe Trabalhadora.

Nas assembleias realizadas pelo Sindicato dos Bancários/ES, a categoria decidiu pela desfiliação do Sindicato em relação à CUT. No interior, as assembleias aconteceram na noite de terça-feira, 10, nas subsedes de Colatina, Cachoeiro de Itapemirim, e na Escola Bartouvino Costa, em Linhares. Os trabalhadores e trabalhadoras da Grande Vitória se reuniram no Centro Sindical dos Bancários na noite da quarta-feira, 11.

No total, foram 184 votos favoráveis à desfiliação da CUT, nenhum contra e uma abstenção. Desses 184, 122 foram em Vitória, 24 em Colatina, 16 em Linhares e 22 em Cachoeiro. Além da desfiliação da CUT, a categoria decidiu pela filiação à Intersindical – Central da Classe Trabalhadora. Foram 178 votos favoráveis, nenhum contra e uma abstenção. Desses 178, 116 foram em Vitória, 24 em Colatina, 16 em Linhares e 22 em Cachoeiro.

Segundo o coordenador geral do Sindibancários, Jessé Alvarenga, a insatisfação dos trabalhadores e trabalhadoras com a CUT não é de hoje.

“Na última eleição para a diretoria do Sindicato, ao eleger a Chapa 1, ligada à Intersindical, em vez da chapa ligada ao campo cutista, os bancários e bancárias demonstraram sua rejeição contra a prática política da CUT”, afirma Jessé.

Jessé destaca que a desfiliação da CUT faz com que o Sindicato se desvincule totalmente de uma Central Sindical que não age com independência na mobilização da classe trabalhadora.

“A CUT abandonou sua autonomia frente a patrões, partidos e governos nos últimos 15 anos. Prova disso é que em 2009 Paulo Hartung tentou colocar o Banestes a venda para o Banco do Brasil e a CUT se omitiu por estar atrelada ao governo estadual”, recorda.

Para o diretor do Sindibancários, Carlos Pereira de Araújo, o Carlão, a decisão tomada pelos trabalhadores e trabalhadoras marca o início de um novo ciclo no movimento sindical.

“Quando a CUT foi fundada, na década de 80, tinha como proposta a independência em relação a partidos, governos e patrões, mas isso se perdeu. A nossa perspectiva é fortalecer a Intersindical para reinaugurar um momento de reconstrução do sindicalismo classista e autônomo, mantendo o legado histórico da classe trabalhadora”, diz.

O secretário de relações internacionais da Intersindical, Ricardo Saraiva, o Big, destacou que a filiação à Intersindical é muito importante na atual conjuntura.

“É fundamental o Sindicato estar ligado a uma centra sindical classista, internacionalista, autônoma e independente nesse contexto de aprofundamento de políticas neoliberais que a classe trabalhadora está vivendo. A Intersindical quer se unir aos movimentos sociais para lutar contra a retirada de direitos trabalhistas, golpe que está sendo armado contra a os trabalhadores”, afirma.

Para o bancário Délio Visterine Monteiro, a decisão da categoria foi acertada.

“A CUT parou de cumprir seu papel de mobilizar os trabalhadores. Se filiar a uma nova central sindical é uma mudança importante para fortalecer o movimento sindical”, acredita.

Assembleias do interior

Em Colatina, Linhares e Cachoeiro, por unanimidade, os bancários e bancárias optaram pela desfiliação da CUT e pela filiação à Intersindical – Central da Classe Trabalhadora. Em cada uma dessas cidades participaram, respectivamente, 24, 16 e 22 trabalhadores e trabalhadoras.

Segundo o diretor da subsede de Linhares, João Bosco, na assembleia de Linhares ficou claro que a categoria entende a diferença entre o posicionamento da CUT e da Intersindical, como a defesa da isonomia para os pós-98 e defesa do reajuste salarial definido na Conferência Estadual dos Bancários, entre outras reivindicações da categoria.

De acordo com o diretor da subsede de Cachoeiro, Marco Antônio Rodrigues, um dos destaques da assembleia de Cachoeiro foi a representatividade de trabalhadores e trabalhadoras de diversos bancos.

“Tivemos empregados e empregadas da Caixa, do BB e do Banestes e também de várias instituições financeiras privadas”, destaca o sindicalista.

O diretor da subsede de Colatina, Iracélio Coelho, atribui a escolha unânime de desfiliação da CUT aos debates que já haviam sendo feitos.

“A categoria já vem discutindo há tempos junto ao Sindicato sobre o real papel de uma central sindical na luta dos trabalhadores e trabalhadoras e todos compreenderam que a CUT não cumpre mais essa função de mobilizar”, diz Iracélio.

 

 

 

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