Bancários e bancárias se reúnem em plenária em defesa da democracia e combate ao fascismo

A atividade contou com a presença do professor de Filosofia da Ufes, Mauricio Abdalla, que falou sobre a importância de combater o projeto fascista em curso

A ascensão de ideias totalitárias, da homofobia e da intolerância aos movimentos de esquerda foi debatida durante a plenária em defesa da democracia e contra o fascismo, realizada na noite desta quinta-feira, 18, no Centro Sindical dos Bancários. A atividade contou com a presença de bancários capixabas e de integrantes de movimentos sociais. O professor de Filosofia da Ufes, Mauricio Abdalla fez uma reflexão sobre o tema e alertou sobre  o risco de um projeto de governo fascista chegar ao poder.

Professor de Filosofia da Ufes, Mauricio Abdalla (Foto: Fábio Vicentini)

Durante sua fala, o professor fez um breve resgate de como se deu o crescimento do sentimento da intolerância e do fascismo no seio da sociedade brasileira.

“Em 2014, já era perceptível esse crescimento da subjetividade como estratégia para derrubar o governo. Havia um projeto para criar essa subjetividade de oposição a  tudo o que era do governo do PT, de bandeira de esquerda. O ponto de oposição que apareceu era aquilo que ligava esse governo a alguma coisa que parecia de esquerda, como a inclusão social, a igualdade de gênero, direitos dos negros, tudo isso deveria ser demonizado e com isso o sentimento de repulsa a isso tudo era o que deveria ser alimentado. Estavam mexendo em sentimentos perigosos que se constituem a ante sala do fascismo. Ressuscitaram o anticomunismo da guerra fria.”, explicou.

Para Abdalla, o surgimento de uma liderança que canaliza e alimenta esses sentimentos é a grande ameaça à democracia brasileira.

 “Esse sentimento de massa, esse ódio acaba se canalizando para uma possível tomada do Estado. O Estado que é de direitos, se torna um estado de massa. No caso do fascismo, esse sentimento de não querer debater, que leva as pessoas a lincharem o outro na rua, esse sentimento se torna o sentimento do estado, e o  estado se torna sem lei ou acima da lei. Estamos vivendo o risco que o pouco que conquistamos com  a modernidade ser enterrado com o estado de massa. O sentimento das pessoas que apoia esse tipo de projeto é irracional”, enfatizou Abdlla.

Para o diretor do Sindibancários/ES, Dérick Bezerra, a plenária foi um importante espaço para discutir sobre a ameaça à democracia que está em curso. “Foi um importante debate, que envolveu boa parcela da categoria, pessoas de outros movimentos e de outros sindicatos.  Discutimos como é fundamental defender nossa democracia, os direitos sociais e o direito à livre manifestação. Infelizmente, a campanha eleitoral  que tem como figura protagonista o Bolsonaro é de um projeto de governo que cerceia as minorias, a participação e mulheres, dos negros, quilombolas e indígenas. Então, nós bancários estaremos à frente das lutas sociais e, principalmente, no dia 28 vamos votar pela democracia, pois esse é o nosso papel”, frisou.

Livro “O ódio como política”

Para ajudar a compreender esse momento crítico, a Boitempo liberou o e-book gratuito do livro O ódio como política: a reinvenção das direitas no Brasil, um retrato completo do avanço das direitas no Brasil, organizada por Esther Solano.

Até o dia do segundo turno (28/10), o leitor que tiver Kindle poderá baixar gratuitamente o livro digital nas principais livrarias do ramo. Confira os links abaixo:

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