Bancários fazem escala para cobrir déficit de empregados

A carência de empregados chegou a níveis críticos no Banestes, tanto nos setores operacionais quanto nas agências

Ação Sindical realizada em julho cobrou contratações para amenizar o problema da sobrecarga. A reinvindicação foi reiterada nas negociações específicas da Campanha Salarial (Foto: Sérgio Cardoso)

Na  Coordenadoria de Operação e Monitoramento – setor essencial para o funcionamento do banco –, os três turnos do dia que deveriam contar com um total de 18 trabalhadores estão funcionando com 10. Nos turnos da noite, a baixa é menor, de um funcionário a menos, mas ainda assim prejudicial. Os empregados estão fazendo escala de hora extra para conseguir executar a demanda de trabalho. Há casos de bancários que registraram 22 horas extras em uma semana e 47 no mês.

O quadro de carência se repete nas agências. Em São José do Calçado, unidade que funciona com apenas quatro empregados, um bancário foi impedido de viver o luto após o falecimento da avó porque não podia se ausentar do trabalho. O gerente solicitou que o direito à “ausência legal”, garantido pela CLT, fosse usufruído em outro momento. A mesma agência funciona com apenas um caixa, que se sair do guichê interrompe o atendimento.

A gravidade da situação foi denunciada pelo Sindicato ao longo do ano e se tornou uma das principais pautas da última Campanha Salarial, que cobrou o aumento das contratações. Após pressão, novas convocações aconteceram, mas ainda em número insuficiente para suprir a demanda.

Do concurso de 2015, ainda vigente, 105 pessoas foram admitidas até setembro, e outras 48 foram convocadas posteriormente. O número de demissões em 2016, somadas às já agendadas para janeiro de 2017, no entanto, chegou a 87, incluindo aposentadorias, demissões por justa causa ou a pedido. Além disso, fontes não oficiais dão conta de que o banco começa a fazer pressão para que bancários já aposentados pelo INSS e aptos a se aposentarem pelo banco solicitem a aposentação, o que enxugaria ainda mais o quadro de empregados.

Tapa-buraco

Para solucionar as emergências cotidianas, o banco adota medidas paliativas, como transferência de uma unidade para outra para cobrir licenças, férias ou outras ausências. Na prática, tapa-se um buraco descobrindo outro.

Willes Gonçalves, diretor de base do Sindicato e operador de produção, alerta que a tendência é piorar. “Muitos empregados precisam tirar férias, estão no limite do prazo. Se não houver reposição a situação ficará muito pior”.

No caso de setores que exigem maior especialização, há ainda outro complicador: o tempo de capacitação para que o empregado esteja apto a desempenhar as funções. “Leva cerca de dois anos para você aprender o serviço e se tornar um operador eficiente. Mesmo se o banco colocar pessoas agora, não há tempo hábil para que o empregado se capacite. Não é uma substituição simples”, diz Willes, sobre o Setor Operacional do banco.

Desvio de função e adoecimento

A sobrecarga acarreta comumente em desvio de função. Em visita às agências, diretores do Sindicato já presenciaram gerentes administrativos acumulando o papel de expediente e de caixa. “E não são problemas localizados, acontecem nas agências da Grande Vitória e do interior. Em Alegre, por exemplo, a agência funciona com oito funcionários, quando deveria ter no mínimo 12. A gerente acaba tendo que ir para o caixa porque não há funcionários suficientes”, diz Marco Antônio de Oliveira, diretor da subsede sul do Sindicato, localizada em Cachoeiro de Itapemirim.

A diretora de saúde e condições de trabalho do Sindibancários/ES, Lizandre Borges, alerta para o risco de adoecimento. “A sobrecarga gera tensão, estresse, torna o ambiente de trabalho adoecedor tanto física quanto psicologicamente, o que vai levar a mais afastamentos”, aponta. “O trabalho não pode ser sinônimo de adoecimento, deve ser um espaço de aprendizagem, de crescimento. O banco não pode colocar o lucro acima da saúde e da vida de seus empregados, é inadmissível” conclui Lizandre.

Contratações

Na Campanha Salarial, a direção do Banestes assumiu o compromisso de convocar uma nova turma de concursados em janeiro – compromisso que será cobrado pelo Sindicato. “Vamos continuar acompanhando com atenção. Esperamos que o Banestes faça um levantamento do déficit de empregados para garantir as condições de trabalho adequadas”, diz Júlio Passos, diretor do Sindicato.

Matéria publicada no jornal O Banestão

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