Bancários fecham 341 agências no décimo quarto dia de greve

O crescimento da paralisação é uma resposta à intransigência dos bancos, que, mesmo com lucros bilionários, insistem em manter proposta rebaixada de reajuste de 7%, impondo perdas salariais à categoria.

Nesta segunda-feira, 19, a greve dos bancários e bancárias chega ao seu décimo quarto dia, com 341 agências fechadas no Espírito Santo. Dessas, 187 estão na Grande Vitória e 154 no interior.  Também estão paralisados 3 departamentos da Caixa e os prédios do Bandes, CPD do Banestes e Pio XII (Banco do Brasil).

Na última sexta-feira, 16, o quadro de greve nacional contabilizava 12.727 agências e 52 centros administrativos fechados em todo o pais.

O crescimento da paralisação é uma resposta à intransigência dos bancos, que, mesmo com lucros bilionários, insistem em manter proposta rebaixada de reajuste de 7%, impondo perdas salariais à categoria.

A última rodada de negociação, realizada no dia 15, terminou sem acordo e não há próxima reunião agendada. Enquanto os banqueiros se recusam a negociar de forma séria com a categoria, a greve segue por tempo indeterminado.

Quadro de greve

Na região metropolitana de Vitória estão fechadas 39 agências da Caixa, 55 do Banestes, 42 do Banco do Brasil, 15 do Santander, 15 do Bradesco, 15 do Itaú, 5 do HSBC e 1 do Safra.

No interior do Estado, encontram-se paralisadas 42 unidades da Caixa, 41 do Banestes, 56 do Banco do Brasil, 12 de bancos privados e três do BNB.

Lucro X demissões

No primeiro semestre de 2016, o lucro dos cinco maiores bancos que atuam no país chegou a R$ 29,7 bilhões de lucro. Enquanto isso, de janeiro a julho houve corte de 7.897 postos de trabalho.

O corte de emprego no sistema financeiro tem intensificado a sobrecarga nas agências, aumentando o número de afastamento por doenças laborais. De acordo com a última estatística divulgada pelo INSS, entre janeiro e março do ano passado, 4.423 bancários foram afastados do trabalho, sendo 25,3% por lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares e 26,1% por doenças como depressão, estresse e síndrome do pânico, revelando que as doenças do sistema nervoso já ultrapassaram os casos de LER/Dort.

Principais reivindicações dos bancários

Reajuste salarial: reposição da inflação (9,62%) mais 5% de aumento real.

PLR: 3 salários mais R$8.317,90.

Piso: R$3.940,24 (equivalente ao salário mínimo do Dieese em valores de junho último).

Vale alimentação no valor de R$880,00 ao mês (valor do salário mínimo).

Vale refeição no valor de R$880,00 ao mês.

13ª cesta e auxílio-creche/babá no valor de R$880,00 ao mês.

Melhores condições de trabalho com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoecem os bancários.

Emprego: fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PLC 30/15 no Senado Federal, além da ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas.

Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS): para todos os bancários.

Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.

Prevenção contra assaltos e sequestros: permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários, conforme legislação. Instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos caixas. Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves por funcionários.

Igualdade de oportunidades: fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).

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