Bancários percorrem o Centro de Vitória no Dia de luta contra a Terceirização

Hoje, 13 de maio, completam 127 anos da abolição da escravidão. Foi por isso que o Sindicato dos Bancários/ES escolheu essa data para realizar o Dia de luta contra a terceirização. Afinal, caso vire lei, o PL 4330, que será votado no Senado, fará com que a classe trabalhadora brasileira passe a trabalhar em condições […]

Hoje, 13 de maio, completam 127 anos da abolição da escravidão. Foi por isso que o Sindicato dos Bancários/ES escolheu essa data para realizar o Dia de luta contra a terceirização. Afinal, caso vire lei, o PL 4330, que será votado no Senado, fará com que a classe trabalhadora brasileira passe a trabalhar em condições análogas à escravidão. Para debater sobre o tema com os trabalhadores bancários e clientes, o Sindibancários percorreu as agências bancárias da avenida Princesa Isabel, no Centro de Vitória, falou sobre as consequências da terceirização, denunciou os deputados federais da bancada capixaba que votaram a favor do projeto de lei e convocou as pessoas para a luta contra o PL.

Durante a ação sindical os diretores e diretoras do sindicato entraram nas agências do Banestes da Praça Oito, Banco do Brasil, Bandes, Caixa Econômica, Itaú, Santander e Banestes do Palas Center acompanhados com um caixão carregado por cinco pessoas que representavam os cinco deputados federais da bancada capixaba que foram favoráveis ao PL 4330: Lelo Coimbra (PMDB), Paulo Foletto (PSB), Carlos Manato (Solidariedade), Evair de Melo (PV) e Marcus Vicente (PP). Por meio dessa iniciativa eles simularam o enterro da Consolidaçao das Leis de Trabalho (CLT).
“Esses deputados traíram a classe trabalhadora, principalmente os trabalhadores e trabalhadoras capixabas, ao se mostrarem favoráveis a medidas que resgatam o trabalho escravo no Brasil. Temos que combater a terceirização que já existe, que já é ruim. E apesar de ser ruim, eles ainda querem ampliar para o restante da classe trabalhadora”, afirma o coordenador geral do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo, o Carlão.

Ele destaca, ainda, a necessidade de lutar contra as MP’s 664 e 665, do Governo Dilma (PT). “Também estamos aqui para protestar contra as medidas provisórias do Governo Dilma, que dificultam o acesso a direitos como o seguro desemprego, PIS e pensão por morte. Enquanto isso, esse mesmo governo que tira direitos não taxa as grandes fortunas e não enfrenta as elites econômicas porque foi financiado por banqueiros em sua campanha”, diz Carlão.
O ator Elias de Aquino, que estava aguardando atendimento na Caixa Econômica, apoia a iniciativa do Sindicato. “Eu desconhecia esse PL. Estou tomando conhecimento dele agora. Acho que essa ação sindical é importante para informar as pessoas sobre o que está acontecendo, portanto, é algo justo e preciso. Quando se fala em terceirização o que vem à minha mente é, de fato, um trabalho similar ao escravo e uma relação de trabalho da qual o trabalhador não tem controle. Acredito nas formas alternativas de comunicação e creio que essa ação sindical é uma delas”, relata.

A diretora do Sindibancários, Rita Lima, aproveitou a data da abolição da escravidão para denunciar o racismo no sistema financeiro. “O sistema financeiro é racista. Nos públicos você vê negros porque eles passam nos concursos públicos. Já nos privados a gente não vê. É preciso acabar com a desigualdade. O negro ainda ganha menos que o branco. A mulher negra ganha menos ainda do que o homem negro”, denuncia.

O Sindibancários fará outras atividades contra o PL 4330 na Grande Vitória e no interior. Além disso, durante a ação sindical foi anunciado que no dia 29 de maio as centrais sindicais e os movimentos sociais realizarão o Dia Nacional de Paralisação, envolvendo toda a classe trabalhadora. Essa atividade será uma preparação para uma greve geral.

Veja o que muda se o PL 4330 virar lei:

– As empresas poderão contratar tra¬balhadores terceirizados em qual¬quer ramo de atividade para exe¬cução de qualquer tarefa, seja em atividade-fim ou meio.

– A contratante não terá obrigação com o trabalhador no que diz respeito a pagamento de direitos trabalhistas como salário, férias, vale-transporte, FGTS e outros. No papel, caberá a ela apenas “fiscalizar” se a contratada estará cumprindo com suas obrigações.

– Será permitida a subcontratação em alguns casos. Ou seja, a empresa que fornece mão de obra terceirizada poderá subcontratar trabalhadores de outra empresa em casos de serviços técnicos especializados.

– Trabalhadores do setor privado poderão ser substituídos por terceirizados, mais baratos para as empresas. A rotatividade será grande, assim como a contratação temporária.

– As estatísticas mostram que os acidentes de trabalho são mais frequentes entre os terceirizados.

Confira as fotos do Dia de Luta contra a Terceirização

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