Bancários realizam ato com outras categorias no Centro de Vitória

Trabalhadores do campo e da cidade se uniram nesta segunda-feira, 30, para realização de um ato conjunto no Centro de Vitória. A atividade reuniu bancários e trabalhadores dos Correios, que levaram para as ruas as reivindicações da sua Campanha Salarial, além de camponeses ligados ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), que vieram prestar apoio e […]

Trabalhadores do campo e da cidade se uniram nesta segunda-feira, 30, para realização de um ato conjunto no Centro de Vitória. A atividade reuniu bancários e trabalhadores dos Correios, que levaram para as ruas as reivindicações da sua Campanha Salarial, além de camponeses ligados ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), que vieram prestar apoio e solidariedade à luta das categorias em greve.

Os trabalhadores saíram em marcha da Praça Pio XII e seguiram pela Avenida Jerônimo Monteiro até a agência Central dos Correios e o Banestes da Praça Oito, onde foi encerrada a manifestação.

O coordenador geral do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo (Carlão) falou sobre as motivações da greve da categoria destacando a falta de condições de trabalho nos bancos. “Os bancários não aguentam mais as péssimas condições de trabalho, a imposição de metas e o assédio moral. É necessário contratar mais bancários para garantir condições de trabalho de e atendimento decentes. No ano passado foram mais de 21 mil trabalhadores bancários afastados por doenças laborais, muitas delas psíquicas, resultado do estresse e da pressão enfrentadas no banco. Não podemos mais aceitar essa situação”.

O diretor questionou ainda a alta lucratividade do sistema financeiro e pediu o apoio da população, que também é explorada pelos bancos. “Os bancários estão em greve não só por salário, mas por dignidade nas condições de trabalho e no atendimento à população. Lutamos contra a ditadura econômica que os bancos impõem ao povo brasileiro e capixaba. No ano passado, os seis maiores bancos que atuam no país lucraram mais de R$ 52 bilhões, um lucro que vem da exploração dos trabalhadores e da população, com a cobrança de tarifas e taxas de juros abusivas. Queremos garantir um atendimento respeitoso para a população, mas precisamos contratar mais bancários, por isso, pedimos o apoio de todos os clientes”, afirmou Carlão.

Para o secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Espírito Santo (Sintec/ES), Fischer Moreira, a pauta dos trabalhadores bancários e dos correios tem muitas semelhanças. “Esse ato fortalece a nossa luta e é importante para o conjunto de toda a sociedade, já que ambas as categorias, além de lutarem por valorização e por melhores condições de trabalho, lutam também pela melhoria do atendimento prestado à população”.

Leomar Honorato Lírio, da coordenação estadual do MPA, destacou a importância da união entre os trabalhadores do campo e da cidade. “Precisamos unir cada vez mais os trabalhadores e fortalecer as lutas coletivas. A luta dos trabalhadores bancários traz impactos para toda a sociedade. O debate sobre o papel social dos bancos, por exemplo, é fundamental para os camponeses que lutam pelo acesso ao crédito para a produção de alimentos saudáveis. Os bancos devem estar a serviço dos interesses da população, e não apenas dos grandes empresários e investidores”, diz Leomar.

Na última segunda-feira, 30, os trabalhadores bancários e dos Correios entraram na terceira semana de greve. Eles lutam por melhores condições de trabalho, com reivindicações como aumento salarial, plano de cargos e salários, além de contratação de mais funcionários.

Protesto contra o PL 4330

Um dos pontos que marcou o ato foi o debate sobre o PL4330, que propõe a liberação da terceirização no país, inclusive para a atividade fim das empresas. Munidos de faixas e cartazes contra o projeto de lei, os trabalhadores dialogaram com a população sobre as trágicas consequências da aprovação do projeto, que pode ser votado nas próximas sessões da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

“Esse projeto não aparece nos grandes jornais, mas pode acabar com vários direitos da classe trabalhadora. Estamos atentos à atuação dos deputados federais em Brasília para que ele seja arquivado e precisamos cobrar dos deputados federais e senadores do Estado que votem contra esse projeto, para que ele não ameace mais a classe trabalhadora. O PL 4330 é não só dos patrões, mas também do governo Dilma e dos deputados, e representa o fim das categorias de trabalhadores organizadas no País, aumentando exploração e a precarização do trabalho”, diz Jessé Alvarenga, bancário do Banestes e diretor do Sindicato/ES.

Confira fotos do ato

 

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