Bancários retardam abertura de agências do BB contra reestruturação e falta de funcionários

Seis agências iniciaram o atendimento a partir das 11 horas. As condições de trabalho pioraram depois que o BB fez reestruturação que fechou agências, reduziu postos de trabalho e descomissionou empregados.

Bancários e bancárias do Banco do Brasil realizaram na manhã desta segunda-feira, 05, um protesto contra a falta de funcionários e as más condições de trabalho. Seis agências de Vitória tiveram a abertura retardada em uma hora, iniciando a atendimento somente a partir das 11 da manhã – Pio XII, Avenida Fernando Ferrari, Jardim da Penha, Praia do Canto, Jucutuquara e Estilo Praia de Camburi.

As condições de trabalho no BB pioraram depois que o banco implantou, em novembro, um novo programa de reestruturação que fechou agências físicas, reduziu postos de trabalho e descomissionou empregados em massa.  A consequência direta foi a superlotação das agências e a sobrecarga dos funcionários.

O Sindicato está tentando agendar uma reunião com a Superintendência Estadual do BB para discutir os problemas e a condução das mudanças organizativas previstas no projeto de Reestruturação.

Consequências

Em Vitória, foram fechadas a agência Rio Branco e a Moscoso. Os clientes dessas unidades foram transferidos sem consulta prévia para as agências mais próximas ou para agências digitais. Como resultado, as unidades que absorveram esses clientes dobraram o número de atendimentos, sem aumentar o número de empregados. Ao contrário, o quadro funcional reduziu com o lançamento do Plano de Aposentadoria Voluntária que já desligou mais de 100 empregados no Estado. Até o final e 2018, a meta é demitir até 18 mil funcionários em todo o País.

As mudanças também foram sentidas pelos clientes. O BB, que em setembro do ano passado ocupava o 5º lugar na lista de reclamações do Banco Central, passou a ocupar o 1º lugar no primeiro trimestre de 2017.

“Por mais que os bancários se esforcem para atender bem a população, é impossível dar conta de toda a demanda de trabalho sem o contingente de trabalhadores necessários”, explica Thiago Duda, diretor do Sindicato.

Descomissionamentos

No processo de reestruturação, vários cargos foram extintos e outros reduzidos, como é o caso dos supervisores de atendimento, gerente de relacionamento do atendimento e assistentes de negócios. Assim, além do prejuízo para os bancários que perderam suas comissões e a sua respectiva renda, as atividades dessas gerências ficaram concentradas em um número menor de funcionários.

Desorganização

Uma das principais críticas é que todas as mudanças foram feitas sem diálogo com os bancários. Mesmo com a cobrança dos dirigentes sindicais, não houve orientação da direção do banco sobre os novos procedimentos e sobre a reorganização dos cargos e tarefas.

Agências digitais

A proposta de reestruturação é parte da estratégia do banco em ampliar o modelo de atendimento virtual, por meio de agências 100% digitais. O Espírito Santo é um dos estados piloto para implementação desse modelo. As primeiras agências a serem fechadas como parte da estratégia digital do foram Vale e Praia do Suá.

No sistema financeiro, o investimento em tecnologia da informação tem sido uma das principais ferramentas para redução de custos com pessoal, por meio direto do corte de empregados. A medida vem acompanhada do aumento da exploração e das metas, já que um número muito inferior de trabalhadores precisa assumir todas as demandas antes distribuídas nas agências físicas.

E os clientes não tiveram sequer a oportunidade de optar por fazer a migração para a agência digital ou continuar com sua conta numa agência física. A migração foi apenas comunicada.

Desmonte

O processo de reestruturação do Banco do Brasil vem sento tratado pelo movimento sindical como uma estratégia de desmonte do banco, a fim de reduzir o seu papel público e voltar a sua atuação para a área comercial. Para o diretor do Sindicato Dérik Bezerra, a reestruturação do BB está alinhada com o aprofundamento das políticas neoliberais no Brasil.

“A reestruturação dos bancos públicos não acontece por acaso. Está vinculada à lei da terceirização e à reforma trabalhista. A estratégia é sucatear o banco, precarizar o que for possível pra depois dizer que não serve, que o serviço público é ineficiente, justificando uma possível privatização total do banco. É mesma coisa que estão fazendo com os Correios e com a Petrobrás. Nossa resistência tem que partir de dentro para fora. Não estamos pedindo muito, queremos respeito com os bancários e clientes, e condições dignas de trabalho”, disse o diretor.

 

 

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