Banco Central registra maior taxa de juros desde 2011

Em outubro a taxa Selic passou de 11% para 11,25%, sendo considerada a maior taxa registrada pelo Banco Central desde que passou a contabilizar os dados na nova série histórica iniciada em 2011. Essa alta foi repassada aos empréstimos feitos com recursos livres, ou seja, aqueles que as instituições financeiras têm o poder de escolher […]

Em outubro a taxa Selic passou de 11% para 11,25%, sendo considerada a maior taxa registrada pelo Banco Central desde que passou a contabilizar os dados na nova série histórica iniciada em 2011. Essa alta foi repassada aos empréstimos feitos com recursos livres, ou seja, aqueles que as instituições financeiras têm o poder de escolher a forma como empresta. Tal realidade traz a tona o debate dos altos lucros dos bancos, oriundos da exploração dos clientes e dos trabalhadores e trabalhadoras, além do aumento da dívida pública e consequente redução de investimento em políticas públicas.

De acordo com o jornal Valor Econômico, o lucro dos três maiores bancos privados do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander, cresceu 27% entre janeiro e setembro deste ano. Em 2013, o Banco do Brasil teve lucro líquido recorde de R$ 15,8 bilhões. “Esse lucro exagerado tem como um de seus motivadores as altas taxas de juros cobradas aos clientes, que enriquecem cada vez mais os banqueiros”, afirma o coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES, Carlos Pereira de Araújo, o Carlão.

Além disso, Carlão destaca que, apesar dos altos lucros, as condições de trabalho dos funcionários e funcionárias é precária. Prova disso é que o Itaú, Bradesco, Santander e BB, juntos, fecharam 4.715 mil postos de trabalho de setembro de 2013 a setembro de 2014, mesmo com lucro 20% maior que o mesmo período do ano passado. “Estão reduzindo cada vez mais os postos de trabalho, mas as demandas aumentam. O resultado disso é a sobrecarga e, consequentemente, problemas de saúde como a Lesão por Esforço Repetitivo, além dos problemas psíquicos, como a depressão. Outro impacto negativo é da redução do número de funcionários e funcionárias é a demora no atendimento dos clientes”, diz Carlão.

No que diz respeito à redução do investimento em políticas públicas, isso se deve ao fato de que o aumento da taxa Selic significa a elevação da dívida pública e, consequentemente, um investimento ainda menor nessas políticas. “Áreas como a saúde e a educação, que já estão precárias, tendem a piorar cada vez mais com o aumento dos juros, que traz como um de seus resultados a elevação da dívida pública. O Governo Federal terá que destinar um valor bem maior para pagá-la. E esse montante será retirado das verbas que deveriam ser aplicadas em políticas públicas”, explica Carlão.

Segundo a Auditoria Cidadã, que colheu dados do Sistema de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), em 2013 mais de 40% do orçamento total da União foi destinado para o pagamento da dívida, juros e amortizações. Esse montante equivale a 718 bilhões de reais, o que representa 2 bilhões por dia para pagamento de credores internacionais. Este ano, entre janeiro e abril, o valor por dia já chegava a 3,4 bilhões. Enquanto isso, o investimento em saúde e reforma agrária nesse mesmo período foram, respectivamente, de 4,11% e 0,22% do orçamento total da União.

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