Banco digital: BB vai fechar duas agências em Vitória

Agências Vale e Praia do Suá terão carteiras de clientes migradas para atendimento digital e os empregados serão redistribuídos. As medidas, embora não causem redução de postos de trabalho, podem precarizar atendimento e abrir brecha para terceirização

A Superintendência do Banco do Brasil comunicou ao Sindicato o fechamento de duas agências físicas na Grande Vitória (Vale e Praia do Suá) e a migração das carteiras personalizadas destas agências para o atendimento digital, no prédio Pio XII. A medida, embora não cause redução direta de postos de trabalho, vem sendo questionada porque abre caminho para a terceirização e para a criação de subcategorias de atendimento.

Os fechamentos não extinguirão os prefixos das agências, elas continuarão a existir no digital com a operação de 14 carteiras de pessoa física e seis de pessoa jurídica, operadas a partir de então por gerentes designados para tanto. O restante dos clientes serão migrados para as agências Mata da Praia e Leitão da Silva. Os clientes migrados para o atendimento digital também precisarão recorrer às duas agências quando necessitarem formalizar pessoalmente transações.

A mudança vai redistribuir os bancários das agências Vale e Praia do Suá entre Fernando Ferrari e Leitão da Silva sem interferir nas comissões recebidas. Também não haverão cortes de pessoal.

“O grande problema, nesse momento, é lidar com a precariedade do atendimento em todos os níveis. Os gerentes que vão operar o digital serão sobrecarregados com grandes carteiras e jornadas de trabalho extensivas. Por outro lado, os gerentes que ficarem nas agências físicas vão ter dificuldade de readequar suas metas com um número menor de clientes. Além disso, as agências físicas que receberem os bancários e carteiras transferidas terão grande sobrecarga de atendimento”, avalia Tiago Duda, diretor do Sindicato.

Em reunião com a Comissão de empresa, o BB afirmou que não tinha planos de fechar agências no estado.

Panorama digital é de desregulamentação do trabalho bancário

A migração das duas agências para o digital é uma iniciativa de teste, conforme informou a Superintendência ao Sindicato, e deve ser expandida nos próximos anos seguindo a tendência de reestruturação produtiva no mundo do trabalho e potencializada na categoria bancária nos últimos anos.

O projeto dilui ainda mais a categoria, desregulamentando os protocolos e desumanizando o atendimento, de acordo com Duda.

“A digitalização do atendimento deixa lastro para a terceirização e para a criação de subcategorias de atendentes, não necessariamente reconhecidas como bancárias. As medidas vão reduzir o nível de emprego e intensificar as atividades dos trabalhadores que permanecerem nas agências”, avalia Duda.

Com o modelo adotado, o BB divide a responsabilidade do atendimento com o cliente sem qualquer iniciativa de desoneração do último. Mais um ator será adicionado, o serviço de telefonia, campeão de reclamações no Procon.  “Os riscos são colocados no colo das pessoas”, conclui o diretor.

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